• Sábado, 28 de março de 2026

Exportação de gado vivo dispara em 2026, mas fevereiro acende alerta no mercado

Após recorde histórico em 2025, embarques seguem fortes no início do ano, impulsionados por janeiro; queda em fevereiro e riscos logísticos entram no radar do setor

Após recorde histórico em 2025, embarques seguem fortes no início do ano, impulsionados por janeiro; queda em fevereiro e riscos logísticos entram no radar do setor O mercado brasileiro de exportação de gado vivo iniciou 2026 em ritmo acelerado, consolidando uma tendência de crescimento observada nos últimos anos. Logo no primeiro bimestre, o país já embarcou 220,3 mil cabeças, resultado que representa um avanço expressivo frente ao mesmo período de 2025 e reforça a força da demanda internacional pela pecuária brasileira. Esse desempenho ocorre na esteira de um marco histórico: em 2025, o Brasil exportou 1,05 milhão de bovinos vivos, o maior volume já registrado, superando inclusive o resultado de 2024, que até então era o melhor da série.
  • Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
  • Exportação de gado vivo tem crescimento puxado por janeiro recorde De acordo com análise da Scot Consultoria, com base em dados da Comex, o bom desempenho de 2026 foi sustentado principalmente pelo mês de janeiro. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Somente em janeiro, foram embarcadas 169,5 mil cabeças, o maior volume já registrado em um único mês na história das exportações brasileiras de gado vivo. Esse volume elevou significativamente a média do período e garantiu que o primeiro bimestre fechasse com crescimento de 44,9% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, evidenciando a forte demanda internacional, especialmente de países do Oriente Médio e Norte da África.
    Quantidade de bovinos exportados pelo Brasil nos últimos anos, em cabeça. Fonte: Comex. Elaboração: Scot Consultoria.
    Fevereiro recua e acende sinal de atenção Apesar do bom início de ano, o desempenho de fevereiro trouxe um contraponto importante. Foram exportadas 50,7 mil cabeças no mês, número que representa uma queda de 27,3% na comparação anual. Esse recuo não compromete o resultado acumulado, mas serve como alerta para o setor, principalmente diante de fatores externos que podem impactar a logística e os custos das operações ao longo do ano. O crescimento nas exportações também se refletiu no faturamento. Conforme dados apresentados pela Scot (com base na Comex), as receitas vêm aumentando de forma consistente ao longo dos anos, acompanhando o avanço dos volumes embarcados. O gráfico apresentado na análise mostra que 2025 também foi destaque em termos de receita, consolidando o Brasil como um dos principais players globais nesse mercado. Pará lidera e consolida protagonismo No recorte por estados, o Pará manteve a liderança nas exportações em fevereiro. O estado respondeu por 49,2% dos embarques, com cerca de 27,1 mil cabeças exportadas, reforçando sua posição estratégica no escoamento de gado vivo. Na sequência aparecem:
  • Rio Grande do Sul: 17,6 mil cabeças
  • Mato Grosso: 1,1 mil cabeças
  • Roraima: 50 cabeças
  • Além disso, 4,7 mil cabeças foram registradas como origem não declarada, segundo dados oficiais. Oriente Médio segue como principal destino da exportação de gado vivo A demanda internacional segue concentrada em mercados tradicionais. Em fevereiro, os principais compradores foram:
  • Egito: 41,7% das compras
  • Turquia: 34,4%
  • Iraque: 12,1%
  • Marrocos: 5,5%
  • Líbano: 4,2%
  • Argélia: 2,2%
  • Guiana: 0,1%
  • Esse cenário reforça a forte dependência de mercados do Oriente Médio e Norte da África, o que, ao mesmo tempo, sustenta o crescimento e aumenta a exposição a riscos geopolíticos. Frete e conflitos podem impactar 2026 Apesar da perspectiva positiva para o restante do ano, há pontos de atenção relevantes. Segundo a análise da Scot Consultoria, o custo do frete e possíveis alterações nas rotas marítimas podem impactar o desempenho das exportações. Isso ocorre porque:
  • Os principais compradores estão concentrados no Oriente Médio
  • Conflitos na região podem alongar rotas e encarecer o transporte
  • A logística se torna um fator decisivo para a competitividade
  • Mercado segue firme, mas com olhar atento O cenário para 2026 ainda é de otimismo, sustentado pela forte demanda externa e pela competitividade da pecuária brasileira.
    Por: Redação

    Artigos Relacionados: