Crise sanitária explode na Rússia: abate em massa de gado levanta temor de surto de febre aftosa
Medidas extremas contra surto de doença no gado provocam protestos, travam exportações e levantam dúvidas sobre a crise sanitária na pecuária da Rússia.
Medidas extremas contra surto de doença no gado provocam protestos, travam exportações e levantam dúvidas sobre a crise sanitária na pecuária da Rússia. A Rússia enfrenta uma das mais sensíveis crises sanitárias recentes na pecuária bovina, com epicentro na região de Novosibirsk, na Sibéria. O que começou como um surto oficialmente atribuído à pasteurelose — uma pneumonia bacteriana grave — e à raiva evoluiu rapidamente para uma situação de grande escala, marcada por abate em massa de animais, restrições de movimentação e suspensão de exportações. O caso ganhou repercussão internacional não apenas pela intensidade das medidas adotadas, mas principalmente pelas suspeitas levantadas por fontes externas de que o país pode estar lidando, na prática, com um surto não confirmado de febre aftosa, uma das doenças mais temidas na pecuária global. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
As autoridades russas decretaram estado de emergência na região de Novosibirsk, implementando medidas rigorosas de controle sanitário. Entre elas, destacam-se: window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'}); Abate em larga escala de bovinos, incluindo animais suspeitos Quarentena sanitária em áreas afetadas Restrição total da movimentação de animais Suspensão das exportações de gado e produtos derivados em ao menos 15 regiões Segundo relatos de campo e registros oficiais citados por organismos internacionais, milhares de animais já foram sacrificados, inclusive em localidades como Kozikha, a cerca de 70 km de Novosibirsk. De acordo com Sergei Dankvert, chefe da comissão governamental que investiga o caso, a decisão foi inevitável: “Trata-se de um surto de doença infecciosa perigosa, agravada por outras enfermidades e pela raiva, que é incurável”, afirmou em entrevista ao jornal russo Komsomolskaya Pravda. Ele também revelou que a cepa de pasteurelose identificada sofreu mutação e passou a apresentar comportamento mais agressivo, o que justificaria a adoção de medidas mais severas. Apesar da versão oficial, um relatório do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos aponta que a escala das ações adotadas não é compatível com surtos comuns de pasteurelose, levantando a hipótese de um possível surto de febre aftosa ainda não confirmado. Febre Aftosa A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta animais de casco fendido, como bovinos, suínos e ovinos, e costuma exigir abate sanitário em massa como principal medida de contenção.
Esse ponto é crucial porque a Rússia conquistou em 2025 o status de país livre da doença junto à Organização Mundial de Saúde Animal, o que abriu portas importantes para o comércio internacional. Uma eventual confirmação da doença poderia provocar: Perda imediata de mercados internacionais Embargos sanitários por parceiros comerciais Impacto direto nas metas do governo de expandir exportações agropecuárias em 50% até 2030 As autoridades russas negam a suspeita e classificaram as informações externas como “não verdadeiras”, reforçando que todos os casos relevantes são reportados à WOAH. No campo, a situação evoluiu para um cenário de forte tensão social. O abate compulsório de animais, muitas vezes sem aviso prévio, gerou protestos raros na Rússia — especialmente em um contexto de guerra e forte controle estatal.
Produtores rurais relatam que: Pequenas propriedades foram as mais afetadas, enquanto grandes grupos teriam sido poupados Animais foram removidos à força, sem comunicação adequada As perdas comprometem diretamente a subsistência das famílias Um dos casos mais emblemáticos é o da produtora Svetlana Panina, que perdeu 150 cabeças de gado e chegou a ser detida brevemente após se manifestar publicamente. Outro ponto crítico é a indenização. O governo da Rússia estaria oferecendo cerca de 170 rublos por quilo (aproximadamente US$ 2,09), valor considerado abaixo do preço de mercado, o que intensificou a revolta dos produtores. Os efeitos já começam a se espalhar além das fronteiras russas. O Cazaquistão, país vizinho, impôs restrições temporárias à importação de animais e produtos de origem animal provenientes das regiões afetadas.
Além disso, especialistas alertam que o episódio pode: Gerar desconfiança no mercado internacional Aumentar a vigilância sanitária sobre produtos russos Reconfigurar fluxos comerciais de proteína animal Outro fator que amplia a preocupação é a eficácia das vacinas utilizadas. Segundo relatos técnicos citados no relatório internacional, há dúvidas sobre a eficiência dos imunizantes atuais, com veterinários sugerindo que eles podem ser insuficientes ou até prejudiciais para bezerros.
Embora as autoridades russas afirmem que a vacinação contra febre aftosa ocorre regularmente desde 2022, o episódio levanta questionamentos importantes sobre: Capacidade de resposta sanitária Qualidade dos programas de vacinação Transparência na comunicação de riscos A crise sanitária na Sibéria já é tratada como um evento de relevância global. Mais do que o número de animais abatidos, o que chama atenção é a incerteza sobre a real natureza da doença e os possíveis desdobramentos no comércio internacional.
Por: Redação





