Quando quatro astronautas da Nasa viajaram ao espaço no início de abril para a missão Artemis II, uma empresa catarinense celebrou junto. A metalúrgica Altona, de Blumenau, fez parte da histórica jornada rumo à Lua que foi estudar a viabilidade de novas missões espaciais tripuladas – inclusive, quem sabe, para Marte.
Saíram da centenária fábrica no bairro Itoupava Seca, especialista em aço fundido, componentes essenciais para a Mobile Launcher 2, a plataforma de base do lançamento do foguete Space Launch System. A tecnologia foi empregada na infraestrutura do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
Pelo altíssimo nível de sigilo exigido pela Nasa, os detalhes do que foi fabricado não foram divulgados. Mas a tecnologia e o nível de entrega da Altona pesaram para que a agência espacial americana requisitasse os serviços da metalúrgica blumenauense.
Foi graças a um outro projeto de grande porte desenvolvido nos Estados Unidos, também com participação da Altona, que a Nasa descobriu e decidiu contratar a empresa. Eleito nesta semana o novo presidente da metalúrgica, Eduardo Vetter contou essa história em uma entrevista exclusiva à coluna. A íntegra da conversa vai ao ar neste fim de semana.
Inaugurada em 2023, a The Sphere, maior esfera do mundo, que abriga uma arena de entretenimento em Las Vegas, serviu como um “cartão de visitas” para a Altona. A metalúrgica catarinense já tinha, de trabalhos anteriores, contato com a empresa que projetou a estrutura esférica.
Esta mesma companhia já trabalhou em obras de aeroportos, ginásios, hospitais e outros projetos nos Estados Unidos, Canadá e Europa, diz Vetter. Como já conheciam a Altona, chamaram a companhia para fornecer peças fundidas e usinadas.
— Quando a Nasa foi projetar a estrutura de lançamento do foguete do projeto Artemis II, viu que a base de lançamento, bem maior que a anterior, exigia cargas e resistências muito maiores. E eles acabaram indo na mesma linha do projeto da esfera. Aí surgiu a oportunidade para a Altona — conta Vetter.
Apesar da indicação, o trabalho não foi simples. Por ser uma empresa que pertence ao governo americano, a Nasa exige uma série de regulamentações e preconiza o uso de conteúdo nacional em seus projetos.
— A gente teve que ser, no mínimo, tão bom quanto e mais barato que um americano para poder ser aceito como conteúdo não nacional, conteúdo importado.
A delegação da Nasa esteve três vezes na Altona ao longo do projeto, uma delas em 2023, como contou a coluna. Além de vistoriarem a produção, fizeram questão de reunir os colaboradores da empresa que participaram do processo para explicar o projeto da missão. Eles também deram palestras para alunos de escolas da cidade.
Vetter revela que almoçou com o engenheiro-chefe da missão, que tinha outros 312 engenheiros sob sua responsabilidade. O executivo ouviu dele que nenhum dos 19 mil parafusos usados para conectar a estrutura da The Sphere precisaram ser trocados.
— Então eles entenderam que o nosso grau de precisão era muito grande, era o que eles queriam. Ouvir isso de uma empresa como a Nasa é muito gratificante, e agora ver o sucesso da missão é a cereja do bolo.
Para o executivo, o case chamou a atenção e ajuda a abrir portas para a capacidade da Altona.
— Mesmo um americano admite que não é fácil fornecer para a Nasa.





