A falência da CRW Plásticos deixou 890 credores em Joinville, no Norte catarinense, e uma dívida estimada em R$ 120,5 milhões. Agora, o complexo que abrigava a empresa tradicional da cidade passa por leilão pela terceira vez. A estrutura, avaliada em R$ 35,9 milhões, poderá ser adquirida por menos da metade do preço.
A lista de credores foi avaliada em um documento público de falência da CRW, em abril de 2025. São exatos 890 credores, divididos em quadro classes, incluindo trabalhista. Ou seja, ex-funcionários ainda têm valores a serem recebidos após o fechamento da companhia. A soma dos créditos individuais e das classes chega a R$ 120,5 milhões em dívidas.
A empresa atuou por 40 anos no desenvolvimento e fabricação de moldes e na transformação de termoplástico por injeção. A unidade era uma filial da empresa fundada em Varginha, em Minas Gerais, e ficava localizada na Rua Edmundo Doubrawa, no Distrito Industrial de Joinville.
Nos documentos do processo judicial, a pandemia de Covid-19 foi apontada como a principal causa da crise econômica que levou o grupo CRW Plásticos à falência. O grupo atuava majoritariamente na prestação de serviços para terceiros. Com a chegada da pandemia, houve uma paralisação generalizada das indústrias, o que impossibilitou a continuidade dessas atividades.
A interrupção no fluxo de trabalho gerou graves dificuldades financeiras e impediu a manutenção do funcionamento regular do Grupo CRW. Com dívidas acumuladas, a falência do grupo CRW foi decretada em 27 de dezembro de 2024.
Em 2023, a CRW apresentou um plano que buscava a reestruturação dos negócios para garantir a manutenção das atividades operacionais, a preservação de empregos e a recuperação da confiança do mercado.
Na época, o documento apresentado foi constatado como economicamente viável, desde que as premissas de mercado e as medidas de reestruturação fossem cumpridas. Porém, o sucesso dependeria da aprovação dos credores e de fatores externos fora do controle das empresas, o que não foi concretizado.
Apesar das projeções otimistas de julho de 2023, a recuperação judicial acabou sendo convertida em falência em dezembro de 2024.
De acordo com o edital que detalha as regras do leilão, a CRW Plásticos teve a falência decretada e, além disso, o imóvel da empresa possui diversos registros de penhoras e indisponibilidades, a maioria de natureza fiscal e trabalhista.
Em três ocasiões, a estrutura esteve disponível para receber lances dos interessados. Contudo, nenhuma proposta foi recebida para arrematar o complexo.
A terceira fase, também conhecida como estágio de “terceira praça”, foi encerrada às 14h de quinta-feira (30). O baixo valor do lance inicial, estimado em R$ 14,3 milhões, se justifica justamente pela etapa do processo, onde são oferecidos os descontos mais “agressivos” aos investidores que, neste caso, ultrapassam 60%.
Com área total de 16,6 mil de metros quadrados e cerca de 6,6 mil metros de área construída, o complexo inclui galpões industriais estruturados, ponte rolante e maquinário incluso, como injetoras, robôs e eletroerosão.





