• Sexta-feira, 1 de maio de 2026

1º de maio: direita se antecipa e barra ato da esquerda na Avenida Paulista

Itatiaia apurou que grupos conservadores protocolaram pedido com dois anos de antecedência; esquerda diz que gestão Tarcísio foi parcial

Um grupo de direita se antecipou, protocolou um pedido junto à Polícia Militar de São Paulo e conseguiu barrar qualquer tipo de manifestação de grupos sindicais e movimentos de esquerda na Avenida Paulista, no dia 1º de Maio, Dia do Trabalhador. O alto comando da Polícia Militar não informou quando o pedido do movimento de direita foi protocolado.

No entanto, reservadamente, fontes da segurança pública disseram à Itatiaia que os conservadores protocolaram em 2024 o pedido para se manifestar na Paulista neste dia 1º de maio de 2026. Com isso, o grupo seguiu o protocolo e agiu com dois anos de antecedência, sem chamar atenção dos opositores, garantiram os interlocutores.

Ao tentar protocolar o pedido para realização de uma grande manifestação na Paulista, a Central Sindical Popular (Conlutas CPS) descobriu que o grupo conservador 'Patriotas do QG' já havia feito o pedido junto à corporação e recebido autorização para realizar o ato na Paulista. Utilizando os trâmites burocráticos, o grupo, que tem pouco mais de 4 mil seguidores do Instagram, conseguiu evitar que o Conlutas e outros movimentos sociais realizem manifestações na Paulista neste 1º de maio, data que tem identificação histórica com o Partido dos Trabalhadores e movimentos sindicais.

Por questões de segurança, a PM não autorizou que os dois grupos opositores ocupem a Paulista. Segundo a corporação, a intenção é evitar confrontos entre os adversários ideológicos. A Polícia Militar disse à Itatiaia que a decisão foi " técnica, imparcial e isonômica" e respeitou o critério de antecedência na comunicação do evento.

A decisão da PM e a estratégia da direita de ocupar a Paulista provocou a indignação de movimentos sociais, sindicatos e de parlamentares progressistas. A CSP-Conlutas afirmou que a Polícia Militar foi "arbitrária ao negar a entidades que representam os trabalhadores a realização de um ato histórico da classe trabalhadora, o 1º de Maio, cujo pedido havia sido protocolado com antecedência, ainda no mês de março".

"Se havia um pedido feito com maior antecedência, porque o pedido da entidade não foi indeferido imediatamente e sim poucos dias antes da realização do ato?", questionou a entidade em nota enviada à Itatiaia. "A medida, comunicada de forma tardia na última sexta-feira (24), representou um grave ataque ao direito de manifestação da classe trabalhadora justamente no Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, ao mesmo tempo em que privilegia a ocupação do espaço público por setores da extrema direita", complementou.

A deputada Erika Hilton (PSOL) atacou a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) e levantou suspeita sobre o fato do governador teve interferido na decisão da Polícia Militar. "O governo Tarcísio de Freitas está tentando impedir os trabalhadores de irem às ruas de São Paulo neste 1° de Maio pra reivindicar o fim da escala 6x1. Pra isso, a Av. Paulista foi reservada para lideranças bolsonaristas que nunca celebraram o 1° de Maio. A intenção é clara: enfraquecer a nossa luta e fazer os jornais, ao invés de estamparem uma luta por dignidade e vida além do trabalho, estamparem bolsonaristas pedindo a liberdade para um golpista condenado", destacou a parlamentar do PSOL.

O movimento de direita recebeu autorização para ocupar a Paulista a partir das 10h da manhã. A manifestação está marcada para às 10h da manhã em frente ao Museu do Masp. Com a autorização em mãos, o grupo de direita também foi autorizado a receber a participação de outros grupos próximos ao movimento. O grupo de direita 'Marcha da Liberdade' também irá se juntar ao movimento organizado pelos conservadores.

Com a impossibilidade de realizar o ato na Paulista, a CPS-Conlutas disse à Itatiaia que irá se juntar com sindicatos e movimentos sociais para realizar o ato de 1º de maio na Praça da República, no centro de São Paulo, a partir das 9h da manhã. A nossa reportagem apurou com a Secretaria de Segurança Pública que um outro grupo progressista recebeu autorização para realizar um ato na Praça Roosevel a partir das 9h da manhã.

"A CSP-Conlutas entende a decisão arbitrária ao negar a entidades que representam os trabalhadores a realização de um ato histórico da classe trabalhadora, o 1º de Maio, cujo pedido havia sido protocolado com antecedência, ainda no mês de março. A Central questiona que se havia um pedido feito com maior antecedência, porque o pedido da entidade não foi indeferido imediatamente e sim poucos dias antes da realização do ato.

A medida, comunicada de forma tardia na última sexta-feira (24), representou um grave ataque ao direito de manifestação da classe trabalhadora justamente no Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, ao mesmo tempo em que privilegia a ocupação do espaço público por setores da extrema direita.
Grupos ultraconservadores, que nada têm a ver com as demandas e a tradição de luta do 1° de Maio e, mais que isso, insistem em pautar temas golpistas e ataques às liberdades democráticas. Entre temas que anunciaram levar à Av. Paulista, por exemplo, estão “anistia [aos golpistas]” e “contagem pública de votos [sic]”.

"A Polícia Militar informa que atua de forma técnica, imparcial e isonômica no planejamento de eventos em vias públicas, seguindo critérios previamente estabelecidos, com o objetivo de assegurar, simultaneamente, o direito constitucional à livre manifestação e a segurança de todos os envolvidos. A Instituição promoveu reunião de planejamento com batalhões da área, órgãos de trânsito e transporte, além de representantes de movimentos que manifestaram a intenção de realizar atos no dia 1º de maio.

Durante a reunião, foram analisadas as solicitações apresentadas, considerando critérios como a antecedência na comunicação do evento, a logística operacional e a necessidade de prevenção de conflitos entre grupos com pautas antagônicas. Nesse contexto, foi sugerida a readequação de local ou horário de alguns atos, a fim de preservar a ordem pública e a segurança dos participantes e da população em geral.

Os representantes dos movimentos que foram orientados a mudar de local reconheceram a prioridade de protocolo dos pedidos feitos pelos demais organizadores e informaram que fariam novos protocolos junto ao 7º BPM/M para viabilizar a manifestação. A Polícia Militar informa ainda que o planejamento contempla o reforço do policiamento preventivo e ostensivo, além da atuação integrada com órgãos municipais e estaduais, com o objetivo de garantir a ordem pública, a mobilidade urbana e a segurança dos manifestantes e da população em geral".

Por: ITATIAIA

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