• Sexta-feira, 1 de maio de 2026

Derrotas políticas de Lula podem respingar no desempenho eleitoral do petista

Rejeição de Jorge Messias para o Supremo e derrubada do veto do PL da Dosimetria podem afetar negativamente o presidente na campanha

As derrotas empilhadas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta semana podem pesar em seu desempenho eleitoral – que já vinha, conforme pesquisas divulgadas nos últimos dias, diminuindo de porte em relação ao que fora no passado próximo.

A rejeição de Jorge Messias para a cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), sofrida por ampla votação contrária no Senado Federal, aliada à derrubada do veto ao PL da Dosimetria, demonstra um zeitgeist contrário aos anseios do petista, que busca a reeleição no pleito deste ano, em confronto direito com Flávio Bolsonaro (PL) – um dos principais interessados no malogro de Lula.

Até pautas caras ao eleitorado lulista, como o fim da escala 6x1 e o programa Desenrola 2.0, que ganham força com o feriado de 1º de maio e foram ressaltadas por Lula durante discurso em rede de rádio e televisão na noite dessa quinta-feira (30), são apostas perigosas, que podem ter revezes no Congresso na próxima semana e piorar a agrura do presidente frente ao eleitorado.

Na relação com os Poderes, a derrocada de Messias demonstrou distância com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que se viu contrariado com o presidente ter preterido indicar o correligionário Rodrigo Pacheco (PSB) ao cargo na Alta Corte.

“Tem um impacto político e institucional, que pode ter um reflexo muito importante nas eleições. Que é exatamente como é que se dá correlação de forças dentro da política institucional, e principalmente entre o Executivo e o Legislativo, que é o que acaba definindo os palanques eleitorais nos estados e municípios. O que vemos é uma medição de forças entre alguns blocos do Congresso Nacional na relação com o governo federal”, defende o cientista político Camilo Aggio.

Ele avalia que, apesar de ser muito cedo para dizer qual será o tipo de espólio eleitoral de todas as derrotas sofridas por Lula nos últimos dias, seria “leviano” dizer que não elas não têm nenhum tipo de efeito.

“Porque isso pode funcionar muito bem como um elemento para uma avaliação da opinião pública sobre a imagem do governo. Tá frágil, não consegue vencer e etc. Mas para uma disputa tão apertada como ela já está, e a tendência é de que se afunile ainda mais, ou seja, são poucos os eleitores que vão definir o resultado eleitoral, ainda é muito precoce”, destaca.

O cientista político Lucas Gelape também vê reflexos eleitorais nas derrotas do presidente Lula. "A principal consequência eleitoral dessas derrotas, na verdade, são duas. Primeiro que a oposição se mobiliza, então ela fica mais animada e isso ajuda a fazer campanha, a potencialmente convencer outros eleitores. Isso na verdade é uma sinalização muito complicada sobre o que o governo pode vir a aprovar em outras agendas", destaca.

"A gente sabe que o governo tem duas agendas importantes para o ano eleitoral que ele ainda quer tentar aprovar, pelo menos. Que são a mudança da escala 6 x 1 e o novo Desenrola. E com uma uma base tão fragmentada, com tanta chance de derrota como a gente viu nesses últimos dois dias, isso pode sugerir muita dificuldade. Dificuldade para aprovar essas agendas, que são agendas com as quais o governo conta para para eventual sucesso eleitoral em outubro", conclui.

Por: ITATIAIA

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