• Terça-feira, 26 de maio de 2026

Vorcaro e Claudio Castro tinham relação pessoal, aponta PF

Investigação aponta que aplicações bilionárias do RioPrevidência no Banco Master dependiam de 'alinhamento político' com o então governador do Rio

A decisão do ministro André Mendonça que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero aponta que a Polícia Federal encontrou indícios de proximidade pessoal entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), durante o período em que o RioPrevidência realizou aportes bilionários em produtos ligados ao Banco Master.

Segundo a investigação, mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que determinados investimentos do fundo previdenciário estadual dependiam de “alinhamento político” com Castro. A PF afirma que o banqueiro mantinha contato frequente com o então governador e que os encontros coincidiam temporalmente com liberações de aportes financeiros.

A decisão também descreve encontros “em ambientes privados e no exterior”, custeados por Vorcaro, além de eventos organizados pelo banqueiro em contexto de proximidade pessoal com Castro.

Para os investigadores, a relação entre os dois ultrapassava contatos institucionais e teria sido relevante para viabilizar os investimentos feitos pelo RioPrevidência no Banco Master. A PF aponta ainda que mudanças na direção da autarquia previdenciária ocorreram pouco antes do início dos aportes considerados suspeitos.

Segundo a decisão, os investigadores identificaram indícios de que dirigentes do RioPrevidência passaram a atuar em desacordo com normas prudenciais e com a política de investimentos do órgão, favorecendo interesses ligados ao banco.

A defesa dos alvos da operação ainda não foi localizada para comentar o caso. O espaço segue aberto.

Nova fase da operação

Ao autorizar a operação, André Mendonça determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra oito alvos apontados pela Polícia Federal como integrantes do suposto esquema envolvendo recursos do RioPrevidência e o Banco Master.

Os mandados foram autorizados contra:

A decisão também autorizou a apreensão de celulares, computadores, documentos físicos e digitais, agendas, registros contábeis, e-mails, mensagens armazenadas em nuvem e outros dispositivos eletrônicos relacionados à investigação.

Além disso, a PF recebeu autorização para apreender dinheiro em espécie acima de R$ 20 mil, obras de arte, joias, veículos e itens de luxo considerados compatíveis com os crimes investigados ou sem origem financeira justificada.

O ministro também permitiu o acesso forense a dados telemáticos e contas virtuais dos investigados, incluindo arquivos armazenados em serviços de nuvem, além da realização de buscas pessoais em pessoas presentes nos locais das operações caso houvesse suspeita de ocultação de provas.

Por: ITATIAIA

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