Violência armada e masculina
Do total de 19,8 mil jovens assassinados em 2024, 18.545 eram homens, o que representa uma taxa de homicídios de 78 por 100 mil, quase o dobro da taxa geral. O estudo ressalta que a violência letal é predominantemente masculina e armada, resultante de fatores estruturais e concentrada, em grande parte, em regiões pobres e periféricas. Dos 54 jovens mortos diariamente em 2024, 51 eram homens. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, as armas de fogo foram utilizadas em 84,1% dos homicídios. O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, afirmou à Agência Brasil que uma questão central é que, antes da morte física do indivíduo, existiu um ciclo de violência em sua vida, desde o nascimento. “É um grito de alerta para tentar decidir o que a gente quer fazer com as nossas crianças, adolescentes e jovens, que são o futuro da nação”, alertou.Crianças e adolescentes
O Atlas da Violência 2026 também informa a violência contra crianças e adolescentes. Em 2024, ocorreram 179 homicídios de infantes (0 a 4 anos), uma taxa de 1,4 morte a cada 100 mil vivos. Entre 2014 e 2024, houve redução de 14,8% no número de assassinados nessa faixa etária, embora a taxa tenha permanecido estável. Entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, foram registrados 320 homicídios em 2024, ou 1,1 morte por 100 mil. No período de 2014 a 2024, o número de homicídios nessa faixa etária caiu 63,2%, e a taxa por 100 mil habitantes recuou 60,7%. A violência letal foi mais intensa entre adolescentes (15 a 19 anos), embora tenha havido redução de 55,8% no número de homicídios, que passaram de 10.348, em 2014, para 4.570, em 2024. Já a taxa caiu de 60,3 homicídios por 100 mil para 30,5. O Atlas aponta que, no total, cerca de 14 crianças e adolescentes, entre 0 e 19 anos, foram assassinados por dia no Brasil, em 2024.Armas de fogo
O Atlas revela forte predominância do uso de armas de fogo nos homicídios de adolescentes de 15 a 19 anos (84,1% dos casos), sugerindo dinâmicas típicas da violência interpessoal de contextos urbanos. Já entre crianças de 5 a 14 anos, embora a maior parte dos óbitos esteja relacionado a armas de fogo (69,5%), há participação também de meios contundentes (6,6%) e perfurantes (12,7%), além de registros com instrumento desconhecido (4,1%), o que dificulta a classificação do homicídio. Entre infantes de 0 a 4 anos, há maior dispersão dos meios de agressão, com menor predominância de armas de fogo (20,3%) e participação expressiva de instrumentos classificados como desconhecidos (36,7%) e contundentes (19,3%). O Atlas sustenta que a violência se torna mais letal e associada diretamente ao uso de armas de fogo à medida que a idade avança. Por isso, é destacada a importância de políticas de controle de armas, visando à redução dos homicídios nessa faixa etária. A violência doméstica liderou os tipos de violência praticados contra crianças e adolescentes entre 2014 e 2024, com 676.282 casos registrados, sendo:- 253.199 na fase de 0 a 4 anos,
- 279.542 em crianças de 5 a 14 anos,
- 143.541 em adolescentes de 15 a 19 anos.
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