A Vale anunciou um investimento de US$ 3,5 bilhões até 2030 para ampliar a produção de cobre em Carajás, no Pará. A estratégia busca transformar o metal em um dos principais motores de crescimento da companhia.
Os recursos serão destinados aos projetos de cobre da região nos próximos cinco anos. A aposta ocorre em meio ao aumento da demanda global pelo metal, usado em carros elétricos, redes de energia, data centers e inteligência artificial.
O investimento no cobre faz parte do programa Novo Carajás, lançado pela Vale em fevereiro deste ano. A iniciativa prevê R$ 70 bilhões em investimentos entre 2025 e 2030 na região de Carajás, incluindo projetos ligados ao minério de ferro, cobre, tecnologia, manutenção, segurança e sustentabilidade.
A Vale afirma que pretende elevar a produção de minério de ferro em Carajás para 200 milhões de toneladas por ano até 2030, além de ampliar em 32% a produção de cobre na região.
Atualmente, a Vale produz 382 mil toneladas de cobre por ano. A meta é chegar a 700 mil toneladas até 2035 e atingir 1 milhão de toneladas nos anos seguintes, conforme informações divulgadas pela companhia em entrevista à revista Exame.
A publicação também destaca que o cobre possui valor superior ao minério de ferro. Enquanto uma tonelada do metal vale cerca de US$ 13 mil, o negócio de cobre da Vale pode chegar a valer sozinho quase metade do valor de mercado da companhia, atualmente em torno de R$ 389 bilhões, segundo estimativas citadas pela publicação.
Segundo a Vale, Carajás tem uma vantagem competitiva por reunir infraestrutura já instalada e depósitos com teor médio de cobre acima da média mundial. Conforme a Exame, enquanto novos projetos operam com teor entre 0,6% e 0,8%, as jazidas da empresa na região chegam a 2%.
Segundo a revista Exame, o negócio de metais básicos da Vale passou décadas “escondido” dentro da companhia. A empresa entrou no setor há cerca de 20 anos, após adquirir a canadense Inco, mas o segmento disputava espaço e investimentos com a operação principal de minério de ferro.
A publicação afirma que, em 2023, a Vale separou a divisão de metais em uma estrutura independente, a Vale Base Metals (VBM), com gestão e metas próprias. Desde então, a participação da área nos resultados da companhia aumentou e analistas passaram a enxergar potencial bilionário no segmento, impulsionado principalmente pelo cobre.
Os resultados recentes reforçam a aposta da mineradora no segmento. No primeiro trimestre de 2026, a produção de cobre da Vale chegou a 102,3 mil toneladas, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano passado e o melhor resultado para um primeiro trimestre desde 2017, segundo relatório da empresa.
O crescimento foi impulsionado pelas minas de Salobo e Sossego, em Carajás. A mina de Salobo, considerada a principal operação de cobre da Vale e a maior do Brasil, bateu recorde de produção no ano passado.
A unidade de metais básicos da companhia, que inclui cobre e níquel, também dobrou o EBITDA no primeiro trimestre de 2026, alcançando US$ 1,2 bilhão.





