• Sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Vale mais que boi gordo: leite de jumenta vira febre no mercado premium

Com composição próxima ao leite humano, alto valor nutricional e produção limitada, o “ouro branco” do agro ganha espaço mercado premium, onde o litro chega a valer mais do que o boi gordo.

Com composição próxima ao leite humano, alto valor nutricional e produção limitada, o “ouro branco” do agro ganha espaço mercado premium, onde o litro chega a valer mais do que o boi gordo. Enquanto o leite de vaca segue como base da alimentação diária de milhões de pessoas, um produto raro e altamente valorizado começa a chamar atenção no Brasil: o leite de jumenta. No mercado internacional, especialmente na Europa, o litro pode custar até 45 euros — o equivalente a cerca de R$ 284 — e já é tratado como um verdadeiro “ouro branco” por suas propriedades nutricionais, medicinais e cosméticas. O interesse crescente também começa a se refletir em território nacional. Pesquisadores, produtores rurais e investidores veem no leite de jumenta um nicho promissor, voltado principalmente para pessoas com restrições alimentares, alergias ao leite bovino e consumidores de produtos funcionais premium.
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  • Feito com leite de Jumenta, queijo Pule custa 1.200 euros por quilo; entenda
    O contraste com a pecuária tradicional ajuda a dimensionar o potencial do produto: window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});
  • Boi gordo: cerca de R$ 315 a R$ 320 por arroba (15 kg)
  • Leite de jumenta: até R$ 323,50 por litro
  • Na prática, isso significa que um litro de leite de jumenta pode valer o equivalente a uma arroba inteira de boi gordo, algo impensável dentro das cadeias tradicionais de proteína animal. O principal diferencial do leite de jumenta está na sua composição extremamente próxima ao leite humano. Segundo estudos acadêmicos e relatos de especialistas, ele apresenta:
  • Baixo teor de gordura e de caseína, proteína responsável pela maioria das reações alérgicas ao leite de vaca
  • Alta concentração de lactose, semelhante à do leite humano
  • Perfil proteico leve, de fácil digestão
  • Essa combinação faz com que o produto seja amplamente reconhecido como hipoalergênico, sendo utilizado como alternativa alimentar para crianças com APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca) e adultos com intolerâncias severas. De acordo com o professor Gustavo Carneiro, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), as propriedades nutricionais do leite de jumenta atendem uma demanda real e crescente de famílias que não encontram alternativas seguras no mercado tradiciona Além da semelhança com o leite materno, o leite de jumenta se destaca por conter:
  • Vitaminas C, A, B1, B2 e E
  • Minerais essenciais e ácidos graxos ômega
  • Lisozima, enzima com potente ação antibactericida e imunológica
  • Essa composição faz com que o produto seja estudado não apenas como alimento, mas também para uso clínico, inclusive em pesquisas voltadas à nutrição neonatal, prática já adotada em alguns países europeus. Se o valor é alto, a oferta é mínima. Jumentas produzem volumes muito reduzidos de leite, variando entre 200 ml e até 2,5 litros por dia, dependendo do manejo, da genética e da fase da lactação. Grande parte desse volume é destinada naturalmente ao filhote, o que restringe ainda mais a disponibilidade comercial. Essa escassez estrutural, somada à crescente demanda internacional, é o principal fator por trás dos preços elevados. Valores de referência atualizados
  • Europa: €30 a €50 por litro
  • Teto internacional: €50 ≈ R$ 323,50 por litro
  • Brasil: relatos de mercado indicam valores entre R$ 350 e R$ 500 por litro, dependendo do destino (nutricional, cosmético ou medicinal)
  • O alto valor do leite de jumenta também impulsionou a criação de um dos produtos mais exclusivos do planeta: o queijo Pule, fabricado na Sérvia. Produzido quase exclusivamente com leite de jumenta, o quilo pode custar cerca de €1.200, alcançando cifras de milhares de reais. No Brasil, investidores já avaliam projetos semelhantes. No Rio Grande do Norte, há planos para produção local inspirada no modelo do Pule, com estimativas de que um queijo nacional possa atingir R$ 3.000,00 por quilo, caso o mercado gourmet e funcional responda positivamente. Embora o consumo alimentar seja o foco principal, o leite de jumenta também ganha espaço em outros segmentos:
  • Cosméticos: sabonetes, cremes e loções, valorizados pelas propriedades hidratantes, regeneradoras e antioxidantes
  • Uso medicinal: pesquisas avançam para aplicações clínicas, especialmente em neonatologia
  • Derivados lácteos: iogurtes e queijos finos, ainda em escala experimental no Brasi
  • Especialistas apontam que a expansão da asininocultura leiteira pode gerar efeitos positivos no campo. A valorização econômica dos jumentos reduz o abandono desses animais, problema histórico em diversas regiões do país, além de criar uma nova fonte de renda para pequenos produtores rurais. Ao transformar um animal antes marginalizado em ativo produtivo, o leite de jumenta surge como alternativa sustentável, de nicho e alto valor agregado. Com preços que rivalizam diretamente com o boi gordo, o leite de jumenta deixa de ser apenas uma curiosidade e passa a ocupar espaço nas discussões estratégicas do agronegócio. Ainda restrito, o mercado cresce impulsionado por tendências globais de saúde, nutrição funcional e produtos premium. A pergunta que fica no campo e no mercado é direta: o “ouro branco” veio para ficar ou seguirá restrito a um nicho altamente especializado? O potencial existe — e os números, agora atualizados, ajudam a explicar por quê.
    Por: Redação

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