• Sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

E-mail enviado ao gabinete de Moraes baseou prisão de Filipe Martins

Coronel aposentado da Aeronáutica afirmou que perfil do ex-assessor de Bolsonaro viu sua página no LinkedIn.

A ordem de prisão de Filipe Martins, expedida nesta 6ª feira (2.jan.2026) pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi motivada por um e-mail. Ricardo Wagner Roquetti, coronel aposentado da Aeronáutica, foi quem relatou o possível descumprimento das medidas cautelares impostas pelo magistrado.

A mensagem foi encaminhada por e-mail ao gabinete de Moraes às 12h26 de 29 de dezembro de 2025. Roquetti escreveu que seu perfil no LinkedIn recebeu a visita de uma conta identificada como sendo de “Filipe Garcia Martins”. A plataforma, muito usada para anunciar vagas de trabalho, tem uma seção que permite ao usuário ver quem entra em sua página.

“Ressalto que não posso afirmar com certeza se o acesso foi realizado diretamente pelo titular do perfil exibido ou por terceiro, […] Entendo que a ocorrência descrita pode indicar possível descumprimento de determinação judicial, o que justifica a comunicação imediata ao órgão competente”, escreveu Roquetti no e-mail.

Prints do e-mail circulam nas redes sociais. O Poder360 confirmou seu teor.

Ao decretar a prisão do ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL), Moraes avaliou que houve um descumprimento da decisão judicial que proibia Martins de utilizar as redes sociais. “Essas circunstâncias por si sós evidenciam o desprezo do réu pelas medidas impostas e pelo próprio sistema jurídico, pois não respeita as normas e não cumpre as decisões judiciais”, escreveu o ministro na decisão. Leia a íntegra (PDF – 154 kB). 

Ao Poder360, o advogado Jeffrey Chiquini declarou que o ex-assessor jamais descumpriu” as medidas. Disse também que a conta de Filipe Martins no LinkedIn foi utilizada pela própria defesa para produção de provas no processo e que só eles têm acesso aos perfis.

 “Nunca houve uma proibição de acesso à rede social pelos advogados. Houve proibição de utilização com postagens, ou utilizar a rede social para falar com alguém. Isso não foi feito”, declarou Chiquini. 

O Poder360 procurou Ricardo Wagner Roquetti para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do e-mail enviado em 29 de dezembro de 2025. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Alexandre de Moraes proibiu Filipe Martins de dar entrevista ao Poder360 “a fim de evitar o risco de tumulto neste momento processual”. O magistrado não elaborou o que entende ser um “risco de tumulto”. Leia a íntegra da decisão de julho de 2025 (PDF – 145 kB).

O pedido do Poder360 foi protocolado no STF em 12 de março de 2025. No requerimento, este jornal digital alegou que a realização da entrevista não é inconciliável com o devido respeito às medidas cautelares impostas (leia mais abaixo quais são) e diz haver interesse público.

O Poder360 declarou também que a autorização para a realização da entrevista é uma “medida essencial para atender ao inegável interesse público envolvido e calcada na liberdade de imprensa e de informação, resguardando ainda a igualdade de tratamento entre os réus”. Moraes não respondeu a esse argumento apresentado, sobre haver necessidade de “igualdade de tratamento entre os réus”.

“É preciso diferenciar a atividade jornalística a ser realizada por um veículo de imprensa profissional e competente ao divulgar uma entrevista de manifesto interesse público e eventual comunicação do investigado com terceiros que se enquadre como violação de medida cautelar vigente. […] É evidente que o investigado deve ter ciência de todas as suas obrigações perante este STF e diante da apuração que está em curso. Ele deve, portanto, ao conceder a entrevista, respeitar todas os termos de todas as cautelares impostas. E, se assim não o fizer, certamente deve ser responsabilizado. […] Não obstante, privá-lo de toda e qualquer manifestação –de inegável interesse público, frisa-se– não nos parece a opção certeira. Representa a imposição de um silêncio que pode ser enquadrado como censura prévia –censura esta que, tantas vezes, o Supremo Tribunal Federal repudiou ao longo da história”, argumentou o Poder360 no pedido que foi indeferido por Moraes.

Este jornal digital apresentou recurso à 1ª Turma. A ação ainda aguarda julgamento. 

Leia mais sobre o caso Filipe Martins: 

Por: Poder360

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