• Terça-feira, 26 de maio de 2026

Site oficial da Casa Branca cita sistema eleitoral brasileiro como exemplo

Na descrição de um projeto de lei para restringir acesso ao voto a cidadãos americanos, comunicação oficial do governo Trump cita a biometria utilizada nas eleições brasileiras

O site oficial da Casa Branca cita o sistema eleitoral brasileiro como referência. Em uma aba especialmente dedicada a um projeto de lei que restringe a votação no país aos cidadãos reconhecidos, a comunicação institucional faz uma referência ao uso da tecnologia da biometria no país sul-americano.

Uma página inteira do site oficial do governo americano gerido por Donald Trump é dedicada ao chamado “Save America Act”, nome do projeto de lei aprovado pela câmara dos Estados Unidos em fevereiro deste ano e em discussão no Senado.

No texto do site, a ideia é clara e imperativa: “Aja agora! Os cidadãos americanos — e somente os cidadãos americanos — devem decidir as eleições americanas”, diz o texto em tradução livre.

A página diz que o texto é um projeto de lei bipartidário que cria as seguinte exigências aos eleitores: ter um documento de identidade válido antes de se registrar para votar em uma eleição federal; comprovação de cidadania; proibição de votos por correio (exceto em casos de doença, deficiência, serviço militar ou viagem).

“O presidente está convocando republicanos e democratas a aprovarem o Save America Act. A exigência de documento de identidade para votar deveria ser algo a que NENHUM americano deveria se opor. Se você quiser se registrar para votar nos Estados Unidos, precisa ser cidadão americano. O Save America Act determinará que os estados removam os não cidadãos dos cadastros eleitorais. Os EUA estão atrasados ​​em relação a outras nações na aplicação de proteções eleitorais básicas e necessárias”, diz o texto antes de citar exemplos de outros países.

A Justiça Eleitoral brasileira encabeça a lista de boas referências para os americanos:  “A Índia e o Brasil vinculam o documento de identidade do eleitor a um banco de dados biométrico, enquanto os Estados Unidos dependem, em grande parte, da autodeclaração de cidadania”.

Também são referenciados como bons exemplos práticas seguidas por Alemanha, Canadá, Dinamarca e Suécia.

Em uma contramão elogiosa, o sistema de votação americano com cédulas de papel é uma das bandeiras mais recorrentes no discurso da direita brasileira alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus filhos, todos politicamente próximos a Trump e com histórico de críticas às urnas eletrônicas em vigor no Brasil.

A página sobre o Save America Act tem a mesma estética de todo o site da Casa Branca sob Trump e aposta na propaganda com lemas e elementos nacionalistas. Nesse caso específico, antes de ler o texto que explica o conteúdo do projeto de lei, quem visita a aba precisa rolar pela clássica gravura do Tio Sam, oriunda da Guerra de Independência Americana, com a inscrição “SAVE OUR ELECTIONS”.

A página vai na ideia de toda a comunicação oficial do governo americano, que segue uma linha pouco ortodoxa. O site da Casa Branca tem entre seus serviços um index de veículos jornalísticos considerados enviesados com um hall of shame (algo como um salão da vergonha) para jornalistas e emissoras consideradas detratoras do governo Trump.

Por: ITATIAIA

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