Comprovada a segurança da ocitocina da ordenha não causar aborto por questões fisiológicas, o desafio técnico se move para a gestão sanitária
Comprovada a segurança da ocitocina da ordenha não causar aborto por questões fisiológicas, o desafio técnico se move para a gestão sanitária A ocitocina da ordenha não causa aborto em vacas prenhes, desmistificando uma preocupação comum no setor leiteiro. Embora este hormônio seja amplamente utilizado de forma exógena na rotina de ordenha para estimular a fundamental descida do leite, seu papel biológico primário é impulsionar as contrações uterinas no momento do parto. É justamente essa dualidade funcional que levanta a dúvida: por que sua aplicação durante a lactação é segura para o útero gestante? A resposta reside em uma complexa e precisa orquestração hormonal que protege a gestação bovina.
A dança hormonal pré-parto A gestação em bovinos é mantida por um equilíbrio hormonal delicado, que sofre intensas adaptações no chamado período de transição – desde o final da prenhez até o pós-parto imediato. A segurança da gestação contra a ocitocina aplicada na ordenha só é possível porque o útero gravídico está sob o domínio de um hormônio crucial: a progesterona. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Segundo estudos (como a referência em BELL, 1995), a Progesterona se mantém em concentrações elevadas por todo o período gestacional, começando a cair significativamente apenas 2 a 3 dias antes do parto. Esse domínio hormonal é o mecanismo de segurança contra as contrações uterinas prematuras. O Bloqueio de receptores uterinos pela progesterona A chave para entender por que a ocitocina da ordenha não causa aborto está na concentração dos receptores de ocitocina no útero. Diferente do que ocorre no parto, onde a ocitocina é liberada em grandes quantidades pela hipófise (desencadeada pelo reflexo de Ferguson) para intensificar as contrações e facilitar a expulsão do feto, durante a gestação a progesterona atua como um bloqueador. Estudos (JENNER et al., 1991; FUCHS, 1992) demonstram que altos níveis plasmáticos de progesterona estão associados a níveis baixos de receptores de ocitocina no endométrio. Em outras palavras, a progesterona impede a expressão e ativação desses receptores. Portanto, mesmo que o pecuarista injete ocitocina exógena para estimular a ejeção do leite, não haverá receptores ativos no útero para se ligarem à ocitocina circulante, garantindo que o miométrio permaneça sem motilidade e a gestação não seja interrompida. Foto: DivulgaçãoOcitocina no parto: Quando o bloqueio é desfeito Apenas no final da gestação é que o cenário hormonal se inverte para permitir o parto. É nesse momento que os níveis de Progesterona caem drasticamente e os níveis de Estrógeno aumentam. Essa mudança desencadeia a gradual liberação e aumento da concentração de receptores de ocitocina no útero, atingindo o pico semanas antes do parto. É a ativação desses receptores que finalmente permite que a ocitocina endógena promova as intensas contrações miometriais necessárias para o nascimento.
Riscos reais e a aplicação responsável da Ocitocina Comprovada a segurança da ocitocina da ordenha não causar aborto por questões fisiológicas, o desafio técnico se move para a gestão sanitária. A aplicação exógena de ocitocina é eficaz para corrigir problemas de ejeção incompleta do leite. No entanto, o uso incorreto ou descuidado está associado a riscos infecciosos. Um dos maiores perigos é a transmissão de doenças infecciosas, como a tripanossomíase bovina, através do compartilhamento de agulhas. Uma vaca em lactação por 300 dias, que receba duas injeções diárias, terá sido submetida a 600 punções, o que aumenta drasticamente as chances de flebites por contaminação e, mais gravemente, a ocorrência de surtos na propriedade. Tais doenças secundárias, sim, podem levar ao aborto. Portanto, é uma questão de saúde pública e bem-estar animal: a intervenção só deve ser feita dentro de um protocolo de manejo sanitário rigoroso, que inclua a proibição do compartilhamento de agulhas e o uso de desinfetantes adequados. Ciência e eficiência no agronegócio A segurança da ocitocina da ordenha não causa aborto não é um mistério, mas sim a prova da complexidade e precisão da biologia reprodutiva bovina, regulada pelo sistema endócrino. O entendimento desse mecanismo reforça que as decisões técnicas devem ser baseadas em ciência, e não em mitos.
O foco do produtor de leite deve ser utilizar a ocitocina de forma responsável e segura, garantindo que a intervenção favoreça a eficiência e a produtividade, sem introduzir riscos sanitários que possam, indiretamente, comprometer a saúde e a gestação do rebanho. Escrito por Compre RuralVEJA MAIS
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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Por: Redação
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