
Enterrar potes de barro na horta cria sistema de irrigação subterrânea e economiza até 90% de água
Técnica milenar validada pela Embrapa libera umidade direto nas raízes, reduz fertilizantes em até 50% e já virou política pública dentro e fora do Brasil; veja como enterrar potes de barro na horta cria sistema de irrigação subterrânea e economiza até 90% de água
Técnica milenar validada pela Embrapa libera umidade direto nas raízes, reduz fertilizantes em até 50% e já virou política pública dentro e fora do Brasil; veja como enterrar potes de barro na horta cria sistema de irrigação subterrânea e economiza até 90% de água Em meio a estiagens cada vez mais prolongadas e ao aumento do custo da água e da energia no campo, produtores rurais brasileiros têm recorrido a uma solução simples, de baixo custo e com base científica comprovada: enterrar potes de barro ao lado das plantas para criar um sistema de irrigação subterrânea extremamente eficiente. A técnica, conhecida internacionalmente como ollas e no Brasil como IrrigaPote, pode reduzir o consumo de água entre 50% e 90%, praticamente eliminar a evaporação e manter hortas produtivas mesmo em períodos críticos de seca. A prática é detalhada abaixo com base em pesquisas e validações realizadas pela Embrapa Amazônia Oriental, no Pará. Agricultores passaram a instalar potes de barro enterrados nas hortas, desenvolvendo um sistema de irrigação subterrânea capaz de reduzir o consumo de água em até 90%, fornecer umidade diretamente às raízes por meio de um processo natural de osmose e praticamente zerar as perdas por evaporação. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
Como funciona o sistema de irrigação por potes de barro O princípio é simples, mas engenhoso. Os potes utilizados são de argila não vitrificada e microporosa, o que permite que a água atravesse lentamente suas paredes. Enterrado até o gargalo e preenchido com água, o recipiente libera umidade diretamente no solo por meio de um processo natural de tensão hídrica e osmose. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Quando o solo está seco, ele “puxa” a água do pote. Quando está úmido, o sistema praticamente para de funcionar. Ou seja, a própria planta regula o consumo hídrico conforme sua necessidade. Segundo registros citados na reportagem , a Conservação de Água da Cidade de Austin, nos Estados Unidos, já documentava desde 2006 que o sistema “virtualmente elimina o escoamento e evaporação comuns em sistemas modernos”, permitindo que quase 100% da água aplicada seja absorvida pelas plantas. Na prática, apenas o gargalo do pote fica visível acima da superfície, protegido por tampa para evitar evaporação e contaminação. À medida que o solo perde umidade, cria-se uma pressão que faz a água atravessar as paredes porosas, alimentando diretamente a zona radicular. Economia de água e produtividade comprovadas Testes conduzidos pela Embrapa indicaram vazão média de 3,5 litros por pote por dia, podendo chegar a 20 litros no primeiro dia após instalação, devido à dessecação inicial do solo . O fornecimento é gradual e constante, evitando tanto o encharcamento quanto o estresse hídrico.
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Foto: Embrapa Os resultados em produtividade chamaram atenção:
Melancia Charleston Gray: 45,6 toneladas por hectare com 800 potes instalados Melão valenciano amarelo: 14,9 toneladas por hectare Feijão caupi Pitiuba: 630 quilos por hectare O consumo total de água variou entre 149 e 191 metros cúbicos, volume significativamente inferior ao utilizado na irrigação convencional . Enquanto sistemas por aspersão podem perder de 30% a 50% da água por evaporação, e o gotejamento entre 15% e 25%, as ollas entregam praticamente toda a água diretamente às raízes. Redução de fertilizantes e preservação do solo Outro diferencial relevante é a possibilidade de aplicar fertilizantes solúveis diretamente dentro dos potes. Nesse modelo, os nutrientes dissolvidos acompanham a água até as raízes, reduzindo perdas por lixiviação. Estudos citados na reportagem apontam redução de até 50% na necessidade de fertilizantes por área cultivada .
Além disso, o sistema: Evita compactação do solo Preserva a estrutura e a aeração Favorece a atividade microbiana Funciona em terrenos irregulares e declives É eficiente mesmo em solos arenosos de baixa retenção hídrica Caso real na Amazônia: produção salva durante a seca A tecnologia foi implementada como Unidade de Referência Tecnológica em Santarém (PA), beneficiando agricultores familiares que sofriam perdas recorrentes durante o período seco, especialmente entre agosto e outubro — meses em que mais de 90% da região amazônica pode enfrentar deficiência hídrica severa . Um dos relatos destacados é o da agricultora Maria Cinira da Rocha, que conseguiu recuperar pés de acerola que estavam à beira da morte após a instalação do sistema. A irrigação passou a ser feita com água captada da chuva e distribuída por gravidade, sem uso de energia elétrica . O sistema automatizado com boias mantém os potes sempre abastecidos, reduzindo drasticamente o trabalho manual. Em média, potes de 10 a 20 litros precisam ser reabastecidos apenas uma vez por semana durante a estiagem.
Tecnologia de 4.000 anos que virou política pública Apesar de ancestral — com registros de uso há mais de quatro milênios em regiões mediterrâneas — a técnica passou por validação científica rigorosa no Brasil. A Embrapa comparou o sistema ao gotejamento e concluiu que, em termos de eficiência hídrica, as ollas podem superá-lo . A tecnologia brasileira foi além das fronteiras. Em parceria com a Universidade de Makelle, na Etiópia, o modelo foi adaptado ao semiárido africano e estruturado como política pública oficial para agricultura familiar na região norte do país .
Em 2024, o IrrigaPote recebeu certificação da Fundação Banco do Brasil como tecnologia social, sendo selecionado entre 87 iniciativas em um universo de 1.012 inscritas . O reconhecimento amplia as possibilidades de expansão nacional. Sistema de irrigação por potes de barro: Investimento acessível e retorno rápido Os custos são considerados baixos: Potes de barro: entre R$ 15 e R$ 40 cada Sistema completo para 50 m² de horta: entre R$ 300 e R$ 500 A montagem utiliza materiais simples: potes não vitrificados, tubos de PVC, boias flutuadoras, reservatório elevado e calhas para captação de chuva . O sistema funciona 24 horas por dia, sem energia elétrica, por gravidade, tornando-se especialmente atrativo para agricultores familiares descapitalizados. Uma solução simples para um problema crescente Diante da intensificação das mudanças climáticas e da maior irregularidade das chuvas, tecnologias de baixo custo e alta eficiência tendem a ganhar protagonismo no campo.

Por: Redação





