• Sexta-feira, 15 de maio de 2026

PF muda comando de investigação do INSS que envolve Lulinha

Inquérito sobre fraudes bilionárias passa a setor ligado ao STF após avanço das apurações e saída de delegado

A Polícia Federal (PF) decidiu transferir a condução dos inquéritos sobre as fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para uma nova área da corporação. As investigações deixam de ser coordenadas pelo setor especializado em crimes previdenciários e passam a ficar sob responsabilidade da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq).

A mudança ocorre após os casos saírem da Justiça Federal nos estados e chegarem ao Supremo Tribunal Federal (STF), devido à conexão das investigações com autoridades com foro privilegiado. Os inquéritos estão sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF.

Na manhã desta sexta-feira (15), representantes da Polícia Federal se reuniram com Mendonça para apresentar oficialmente a nova coordenação responsável pelas apurações.

Em meio à reestruturação, um dos delegados que atuavam diretamente no caso, chefe da divisão de combate a crimes previdenciários, deixou o cargo. Procurada, a Polícia Federal informou que o delegado continuará colaborando com as investigações. Segundo fontes ligadas ao caso, a saída ocorreu a pedido do próprio delegado, que solicitou transferência para Minas Gerais, seu estado de origem.

Apesar da mudança de coordenação, os demais delegados permanecem nas investigações, agora vinculados à Cinq, mas ainda subordinados à Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor).

A troca motivou reação no Congresso Nacional. O senador Carlos Viana, ex-presidente da CPMI do INSS, enviou um ofício ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, solicitando esclarecimentos formais sobre a saída do delegado responsável pela investigação.

Parlamentares da oposição associam a mudança às apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A coordenação anterior foi responsável por solicitar a quebra de sigilos de Lulinha no âmbito das investigações.

O mesmo setor também conduziu as negociações do acordo de delação premiada do empresário Mauricio Camisotti. A proposta chegou a ser enviada ao STF, mas retornou para reformulação integral, com participação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Trocas dessa natureza, em momentos delicados da investigação, exigem explicações claras e imediatas à sociedade brasileira”, afirmou o senador Carlos Viana.

Por: ITATIAIA

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