A expectativa de alívio financeiro com o Desenrola 2.0 já alcança a maioria dos brasileiros endividados. Uma pesquisa Datafolha divulgada em maio de 2026, mostra que 68% das pessoas com dívidas acreditam que serão diretamente beneficiadas pela nova etapa do programa federal de renegociação. Entre os inadimplentes, 82% avaliam que a iniciativa pode impulsionar a economia brasileira, reforçando o otimismo em torno da medida.
O cenário ajuda a explicar o alcance esperado da medida. Levantamento anterior do instituto mostrou que 67% dos brasileiros possuem algum tipo de dívida ativa, enquanto 21% enfrentam inadimplência. Cartão de crédito, empréstimos bancários e crediários do varejo aparecem entre os principais focos de atraso.
A nova versão do programa mira trabalhadores com renda mensal de até cinco salários mínimos e oferece descontos entre 30% e 90% sobre os débitos, a depender do tempo de atraso.
As renegociações poderão ser parceladas em até 48 meses, com juros limitados a 1,99% ao mês. Uma das principais novidades é a autorização para usar até 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas diretamente com os credores.
Os dados do Datafolha mostram que o entusiasmo com o Desenrola 2.0 é maior entre adultos de 25 a 34 anos e moradores do Nordeste. Já no Sudeste e entre faixas de renda mais elevadas, o índice de confiança no programa é mais moderado.
O levantamento também revela reflexos políticos. A aprovação da iniciativa é mais forte entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em regiões onde o governo federal mantém maior índice de apoio popular.
Integrantes do Palácio do Planalto acompanham o tema de perto, já que o endividamento das famílias de baixa renda é visto como um dos fatores que mais limitam a percepção de melhora econômica no país.
A equipe econômica calcula que o Desenrola 2.0 possa movimentar cerca de R$ 8,2 bilhões em renegociações e uso de recursos do FGTS. A expectativa é que a redução das parcelas alivie o orçamento doméstico e devolva parte do poder de consumo ao varejo.
Estudo técnico do Banco Daycoval e da CNC‑Fecomércio aponta que, quando o comprometimento da renda das famílias com dívidas supera 39,6%, o aumento da massa salarial deixa de se transformar em consumo no varejo na mesma proporção.
Com menos pressão sobre a renda mensal, o governo aposta em uma retomada gradual das compras e da circulação de dinheiro na economia.
No sistema bancário, instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander avaliam que o programa ajuda a reduzir a inadimplência e melhora os balanços financeiros, abrindo espaço para novas concessões de crédito.
O Ministério da Fazenda afirma que o principal objetivo do programa é reorganizar o orçamento de famílias de baixa e média renda. Segundo a equipe econômica, o uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO) permitiu reduzir juros sem ampliar excessivamente o risco para os bancos.
Apesar disso, especialistas em finanças públicas e economistas da Fundação Getulio Vargas e o Insper avaliam que o programa combate os efeitos do superendividamento, mas não resolve problemas estruturais, como juros elevados, baixa renda média e educação financeira limitada.
Também existe preocupação com o chamado “risco moral”. Parte do mercado teme que sucessivas rodadas de renegociação incentivem consumidores a esperar novos programas, aumentando a percepção de insegurança no crédito e pressionando os juros bancários no longo prazo.
Outro debate envolve o uso do FGTS. Economistas alertam que a retirada de recursos do fundo para pagar dívidas pode reduzir a capacidade de financiamento de áreas como habitação popular, saneamento e infraestrutura urbana.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.





