Em meio a uma crise entre os dois principais sócios que já era pública, e que foi escancarada ao parar na Justiça, a Azzas 2154, dona da Hering, contratou assessoria financeira do banco Itaú BBA para “avaliação de diversas oportunidades estratégicas”, segundo um comunicado ao mercado divulgado nesta semana pela empresa. O documento serviu de resposta a uma reportagem do jornal “O Globo”, que antecipou a contratação da consultoria para, conforme a publicação, discutir uma eventual cisão da sociedade.
A possibilidade de rompimento voltou a ganhar força no mercado após Roberto Jatahy, egresso do Grupo Soma, entrar com uma cautelar para impedir a retirada da Reserva, uma das marcas do conglomerado de moda, da sua alçada – em uma decisão que teria partido de Birman, presidente da Azzas 2154. O movimento refletiu mais uma vez a falta de alinhamento dos executivos, que não vem de agora.
No comunicado, a Azzas 2154 informou que “avalia continuamente alternativas” que envolvam a empresa e seus ativos. A companhia diz que a contratação do banco é preliminar, e visa o suporte em análise econômico-financeira de oportunidades e de possíveis estruturas para as alternativas eventualmente identificadas.
“Não há qualquer definição acerca da efetiva implementação de qualquer eventual operação, tampouco sobre seus potenciais termos, estrutura ou viabilidade”, diz o documento.
Na última terça-feira (19), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro indeferiu um pedido de efeito suspensivo impetrado por Birman para reverter os efeitos de liminar favorável a Jatahy concedida em primeira instância, que determinou a manutenção da estrutura organizacional vigente da companhia até 22 de abril – o que anularia a decisão de tirar a Reserva da gestão de Jatahy – e estabeleceu que o assunto deve ser tratado em uma arbitragem entre as partes.
A Azzas 2154 é fruto de uma até agora confusa fusão entre Grupo Soma e Arezzo, anunciada em 2024. Desde então, houve divergências entre Birman (da Arezzo) e Jatahy (da Soma) sobre a condução dos negócios. A escalada na tensão entre os principais acionistas de referência da companhia já provocou debandada de executivos e diretores, num sinal claro de dificuldades de integração de duas companhias com culturas diferentes e executivos com visões de negócios distintas.





