O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se referiu, nesta segunda-feira (6), aos iranianos como animais. A declaração do republicano aconteceu após ser questionado se estaria cometendo um crime de guerra se atacasse estruturas civis do país.
"Não, por que eles [iranianos] são animais", disse Trump a repórteres em um evento de Páscoa na Casa Branca. "Não estou preocupado sobre os alertar por alvejar infraestrutura civil [no Irã]", acrescentou.
O republicano havia ameaçado, no domingo (5), em uma publicação nas redes sociais, atacar infraestrutura civil caso o governo do Irã não reabra totalmente o Estreito de Ormuz até às 20h (horário do leste dos EUA) de terça-feira (7) para fechar um acordo. Agência de notícia divulgaram que o governo iraniano expressou preocupação de que a ofensiva dos EUA pode constituir um crime de guerra.
Com reiteradas ameaças, Trump disse, também nesta segunda (6), que o Irã poderia ser "derrubado" uma noite, acrescentando que isso poderia acontecer nesta terça (7) — mesma data estipulada para a reabertura da passagem marítima. O presidente norte-americano também alertou que os Estados Unidos podem atacar usinas de energia, pontes e outras infraestruturas no Irã, caso o país persa não chegue a um acordo ou reabra o Estreito de Ormuz.
Mais cedo, nesta segunda (6), o republicano afirmou que o país analisou uma proposta de cessar-fogo de 45 dias na guerra com o Irã, destacando que a medida pode ser "um passo muito significativo" no conflito. "É uma proposta significativa, é um passo significativo. Não é suficiente, mas é um passo muito significativo", disse Trump a repórteres na Casa Branca, acrescentando que os mediadores "estão negociando agora".
Por outro lado, o Irã rejeitou uma proposta de pôr fim à guerra com os Estados Unidos e Israel, insistindo "na necessidade de um fim definitivo para o conflito", informou a agência de notícias estatal IRNA.
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
*Com AFP e CNN Internacional





