Apresentadas na 31ª Agrishow, duas novas variedades de cana-de-açúcar — IAC 09-6166 e IAC 07-2361 — reforçam os avanços do setor sucroenergético. Produzidas pelo Instituto Agronômico (IAC) de São Paulo, com foco em maior estabilidade e diversificação produtiva, as cultivares se destacam pelo alto teor de sacarose, elevado potencial biológico e significativa produção de biomassa.
Segundo Marcos Guimarães de Andrade Landell, líder do Programa Cana e coordenador do IAC, as novas variedades visam aumentar a eficiência do agronegócio nacional, permitindo que produtores enfrentem variações climáticas com maior flexibilidade.
A IAC 09-6166, por exemplo, apresenta desempenho consistente em diferentes tipos de solo e mantém produtividade ao longo de toda a safra. “É uma variedade que repete sua performance em ambientes distintos e consegue se destacar desde o início até o final da safra, algo ainda pouco comum na cultura da cana”, explica.
Já a IAC 07-2361 se diferencia pela alta produtividade agrícola. De acordo com o especialista, a variedade possui excelente rendimento devido ao maior número e ao tamanho dos colmos, o que amplia seu potencial produtivo. Apesar disso, seu teor de sacarose é mais concentrado entre o meio e o final da safra, exigindo manejo adequado no início do ciclo.
“Com o uso de maturadores, é possível antecipar a colheita e ampliar a janela de aproveitamento, garantindo maior eficiência operacional”, afirma.
As duas variedades, segundo ele, oferecem elevada flexibilidade no planejamento agrícola, permitindo melhor distribuição da colheita ao longo da safra e maior previsibilidade para produtores e usinas.
Além dos ganhos agronômicos, o coordenador do IAC destaca o impacto direto dessas inovações na produção de etanol. A meta é elevar a produtividade média dos atuais cerca de 6.600 litros por hectare para um patamar entre 9 mil e 10 mil litros. Esse avanço pode reduzir custos e aumentar a competitividade do biocombustível frente aos combustíveis fósseis, ampliando seu uso em diferentes modais de transporte, como veículos leves, ônibus e até setores como aviação e navegação.
“O aumento da produtividade do etanol é estratégico para o Brasil, tanto do ponto de vista econômico quanto energético. Isso fortalece o setor e amplia as possibilidades de uso do biocombustível”, ressalta.
No cenário geopolítico, a cana-de-açúcar tende a ganhar ainda mais protagonismo. Embora o milho também contribua para a produção de etanol, a cana apresenta maior eficiência produtiva.
“Com os avanços tecnológicos, a tendência é que a cana amplie sua competitividade, mantendo custos equilibrados e elevando a produção total de etanol no país”, conclui.





