• Segunda-feira, 1 de junho de 2026

Inadimplência no agronegócio atinge 8,2% da população rural, aponta Serasa Experian

Inadimplência no agronegócio cresce na comparação anual e revela avanço das dificuldades financeiras entre produtores e trabalhadores do meio rural.

Dados inéditos da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país, mostram que a inadimplência da população rural chegou a 8,2% no último trimestre de 2025. Na comparação com o mesmo período de 2024, houve alta de 1,0 ponto percentual. Já na análise trimestral, o indicador desacelerou, com aumento de 0,2 ponto percentual.

O índice da datatech considera dívidas de pessoas físicas da população rural brasileira que estejam vencidas há mais de 180 dias e tenham sido contraídas com empresas de setores relacionados ao agronegócio. Veja no gráfico abaixo os dados por trimestre:

“Apesar de sinais de estabilização em alguns segmentos, a inadimplência no agronegócio segue em alta gradual, com produtores ainda enfrentando margens apertadas e fluxo de caixa pressionado, diante de custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo”, afirma Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian. “Nesse contexto, o uso de modelos preditivos baseados em inteligência artificial, como o Agro Score, que utiliza técnicas de machine learning, é essencial para qualificar a análise de risco e apoiar decisões mais equilibradas no agronegócio”, conclui.

Na análise por porte, os dados mostram que produtores rurais sem informação de registro rural — possíveis arrendatários ou participantes de grupos familiares ou econômicos — registraram o maior nível de inadimplência (9,9%). Na sequência, aparecem os grandes proprietários (9,8%), seguidos pelos médios (8,3%) e pelos de pequeno porte (7,8%).

Inadimplência se concentra em instituições financeiras, mas setor agro tem tickets elevados 

Ainda sobre o quarto trimestre de 2025, o índice da datatech mostra que a inadimplência rural está concentrada principalmente em dívidas contraídas com instituições financeiras (7,2%). Já os débitos diretamente relacionados a credores do próprio agro representaram 0,3%, enquanto, em outros setores, a taxa foi de 0,2%.

Apesar disso, no mesmo período, a dívida média dos inadimplentes com instituições financeiras atingiu R$ 115,5 mil, enquanto no setor agro chegou a R$ 138,2 mil. Em outros setores relacionados ao agronegócio, como transporte, armazenagem e seguros, o valor médio foi de R$ 32,6 mil. Ou seja, mesmo com menor incidência, os valores mais elevados estão nas operações ligadas ao agro.

“O perfil do crédito rural, marcado por tickets mais altos, prazos mais longos e maior exposição financeira, faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes expressivos de dívida, ampliando o risco mesmo em um cenário de taxa relativamente controlada”, explica o head de agronegócio da datatech.

Região Sul registra melhor desempenho com inadimplência abaixo da média nacional

Entre as regiões do país, a Sul foi a que marcou o menor percentual de inadimplência no terceiro trimestre de 2025, essa de 5,7%. O Sudeste vem em seguida, com 7,0%. Em seguida estão o Centro-Oeste (9,6%), o Nordeste (9,4%) e o Norte (12,5%).

Na visão por Unidade Federativa (UF) o Rio Grande do Sul teve melhor desempenho, com apenas 5,3% de taxa de inadimplência, seguido pelo Paraná e Santa Catarina. Por outro lado, o Amapá registrou o maior percentual, com 19,9%. Confira no gráfico os dados completos:

“O desempenho do Rio Grande do Sul chama a atenção, especialmente diante das perdas climáticas recentes. Esse resultado pode ser explicado por fatores como a forte presença de cooperativas e sistemas integrados, além do uso mais expressivo do seguro agrícola e de linhas de crédito para renegociação de dívidas”, explica Marcelo Pimenta.

Com machine learning, Agro Score usa inteligência artificial para mitigar riscos no campo

A análise do Agro Score, desenvolvido pela Serasa Experian, aponta recuo na pontuação média dos produtores rurais, que passou de 616 para 600 pontos entre o quarto trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025. O movimento, observado em todas as faixas de produtores, indica um cenário mais cauteloso no campo.

Nesse contexto, o uso de modelos preditivos baseados em inteligência artificial e machine learning permite ampliar a compreensão do perfil financeiro no campo e apoiar decisões de crédito mais seguras e equilibradas ao longo da cadeia do agronegócio.

“Analisar dados é fundamental para entender o comportamento e o perfil financeiro dos produtores e mitigar riscos em toda a cadeia. Com o Agro Score, incorporamos informações específicas do setor para possibilitar avaliações mais precisas e apoiar o mercado na tomada de decisão”, finaliza Marcelo Pimenta.

Nova edição do Boletim Agro traz panorama do crédito no campo

A Serasa Experian disponibiliza agora a nova edição do Boletim Agro, que reúne os principais indicadores de crédito, recuperação judicial, inadimplência e muitas outras análises sobre o agronegócio brasileiro. O material tem aberturas detalhadas por região, Estado e segmentos, evidenciando o comportamento financeiro dos produtores rurais e as tendências do setor. Acesse:

Metodologia

Para o Indicador de Inadimplência do Agronegócio da Serasa Experian foram consideradas apenas dívidas vencidas com mais de 180 dias e até 5 anos somando pelo menos R$ 1.000,00 dentre aquelas que estão relacionadas ao financiamento e atividades agronegócio, nas seguintes categorias:

  • Instituições financeiras: bancos, fundos de investimentos, cooperativas de crédito entre outras descritas como “atividades de serviços financeiros” pelo IBGE.
  • Setores Agro: agroindústria de transformação e comércio atacadista agro, serviços de apoio ao agro, produção e revendas de insumos e de máquinas agrícolas, produtores rurais etc.
  • Outros Setores: seguradoras não-vida, transporte de carga e armazenamento.
  • O percentual de inadimplência é calculado sobre 11,3 milhões de pessoas físicas mapeadas na população rural, resultantes de 1) registros de propriedades classificadas como imóveis rurais no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou no Cadastro Federal de Imóveis Rurais (CAFIR), 2) tiveram financiamentos rurais ou agroindustriais no Cadastro Positivo no último ano, ou 3) possuem registro de atividade de produtor rural no Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços (SINTEGRA).

    Ao atualizar esse mapeamento da população rural, como foi realizado agora, refazem-se todas as estatísticas históricas com base no novo mapeamento populacional, portanto os resultados apresentados não são comparáveis com os das divulgações passadas.

    Fonte: Serasa Experience

    Por: Redação

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