• Domingo, 31 de maio de 2026

Embrapa cria calcário mais nutritivo e resistente à umidade

Novo calcário nanoestruturado desenvolvido pela Embrapa corrige a acidez do solo, reduz perdas causadas pelo vento e pela umidade, além de incorporar nutrientes essenciais para culturas como soja, milho, café, algodão e cana-de-açúcar.

A busca por mais eficiência na agricultura brasileira acaba de ganhar um novo aliado. Pesquisadores da Embrapa desenvolveram um calcário nanoestruturado granulado, capaz de corrigir a acidez do solo com maior eficiência, reduzir perdas durante o armazenamento e transporte e ainda fornecer nutrientes importantes para o desenvolvimento das plantas. A inovação representa um avanço relevante para produtores que enfrentam desafios com desperdícios de insumos e altos custos de aplicação.

Diferentemente do calcário agrícola tradicional, normalmente comercializado em pó, o novo produto apresenta grânulos mais resistentes, reduzindo a dispersão causada pelo vento durante a aplicação e diminuindo os problemas de empedramento provocados pela umidade. A tecnologia foi desenvolvida pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília.

Como funciona o novo calcário da Embrapa

A inovação utiliza técnicas de moagem de alta energia, capazes de reduzir partículas a dimensões próximas ao nível molecular, seguidas por um processo de aglutinação que forma grânulos uniformes e mecanicamente mais resistentes. O resultado é um insumo mais estável e fácil de manusear em comparação ao calcário convencional.

Segundo a Embrapa, uma das principais vantagens está na redução das perdas operacionais.

O calcário em pó pode ser facilmente levado pelo vento durante a aplicação, reduzindo sua eficiência. Além disso, quando armazenado em ambientes com umidade, tende a empedrar, dificultando ou até impossibilitando sua utilização nos equipamentos agrícolas. O novo produto busca eliminar esses problemas.

Corretivo de solo e fertilizante ao mesmo tempo

Além de corrigir a acidez do solo, a nova formulação transforma o calcário em um produto multifuncional.

Os pesquisadores conseguiram incorporar nutrientes essenciais ao insumo, tornando-o também um fertilizante. Dependendo da cultura e da necessidade nutricional, o produto pode conter elementos como:

  • Nitrogênio;
  • Fósforo;
  • Potássio;
  • Boro;
  • Cobre;
  • Zinco.
  • A tecnologia permite ajustar a composição conforme a demanda de cada cultura agrícola, ampliando sua eficiência agronômica.

    “Nós fizemos diversos protótipos com concentrações diferentes para conseguir efetivamente atender a culturas diversas”, explicou o pesquisador da Embrapa, Luciano Paulino da Silva.

    Novo calcário tem potencial para aumentar a produtividade

    De acordo com os pesquisadores envolvidos no projeto, a principal expectativa é que a combinação entre correção da acidez e fornecimento de nutrientes resulte em plantas mais saudáveis e produtivas.

    A lógica é simples: quando a lavoura recebe os nutrientes necessários e se desenvolve em um ambiente de solo equilibrado, aumenta sua capacidade de crescimento e resistência aos fatores que limitam a produção.

    Os cientistas também avaliam que a tecnologia pode contribuir para uma redução indireta no uso de defensivos agrícolas, já que plantas mais vigorosas tendem a suportar melhor situações de estresse e ataques de algumas pragas e doenças. No entanto, estudos adicionais ainda estão sendo realizados para comprovar esse efeito em diferentes sistemas produtivos.

    Testes já chegaram à escala industrial

    A tecnologia não ficou apenas nos laboratórios. Segundo a Embrapa, o calcário nanoestruturado já foi produzido desde pequenas quantidades experimentais até escalas industriais de toneladas. Os protótipos passaram por avaliações em lavouras de soja e trigo, apresentando resultados considerados promissores.

    Em nota técnica, a instituição informou que os materiais desenvolvidos mantiveram adequado poder de neutralização da acidez do solo e demonstraram potencial para proporcionar ganhos de produtividade e redução das operações no campo.

    Parceria com empresa brasileira acelera desenvolvimento

    Os testes em condições comerciais estão sendo conduzidos pela Perical, empresa brasileira especializada em mineração de calcário agrícola e com operações nos estados de Goiás e Tocantins.

    A parceria entre Embrapa e iniciativa privada já dura mais de três anos e permitiu investimentos em equipamentos, contratação de pesquisadores e aquisição de materiais necessários para o desenvolvimento da tecnologia.

    O que muda para o produtor rural

    Se os resultados observados até agora forem confirmados em larga escala, o novo calcário poderá oferecer benefícios importantes ao produtor:

  • Menor perda de produto durante a aplicação;
  • Maior resistência à umidade no armazenamento;
  • Redução de desperdícios logísticos;
  • Correção da acidez do solo e fertilização em uma única aplicação;
  • Possibilidade de aumento da produtividade;
  • Maior eficiência operacional nas propriedades.
  • A inovação chega em um momento em que a agricultura busca soluções capazes de aumentar a eficiência do uso dos insumos, reduzir custos e melhorar os resultados dentro da porteira, especialmente em culturas estratégicas para o agronegócio brasileiro, como soja, milho, café e cana-de-açúcar.

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    Por: Redação

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