• Quinta-feira, 16 de abril de 2026

Governo mira 'magnatas do crime' e reforça discurso de institucionalidade em operação da PF

Polícia Federal afirma que investigação deixou neste momento o núcleo das fraudes e passa a atingir gestores e agentes públicos

O Ministério da Justiça reforçou, nesta quinta-feira (16), o discurso de endurecimento no combate ao crime organizado financeiro e indicou que novas medidas devem ser anunciadas nos próximos dias, após mais uma fase da operação que investiga irregularidades envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.

Durante coletiva de imprensa, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, evitou detalhar a investigação, que corre sob sigilo, mas deixou claro que a atuação do governo vai além das ações já em curso: “O dever do Ministério da Justiça e da Polícia Federal é prestar esclarecimentos à população, mas respeitando o sigilo das investigações. Essa operação é apenas uma das ações, e outras devem ser adotadas nos próximos dias no combate ao crime organizado”, afirmou.

Sem entrar em detalhes sobre os alvos, o ministro destacou o que chamou de resposta institucional coordenada diante de crimes complexos: “Nos momentos de desafio, dobramos a aposta na institucionalidade. É isso que permite superar esse tipo de situação”, disse, ao reforçar que a Polícia Federal seguirá atuando com autonomia.

O secretário do Ministério da Justiça, Chico Lucas, foi mais explícito ao enquadrar a operação dentro de uma estratégia política do governo federal: atingir financeiramente estruturas de poder ligadas ao crime organizado, incluindo agentes com influência econômica.

Segundo ele, há uma diretriz clara de atuação com base no respeito às garantias legais, mas com prioridade no enfrentamento de crimes estruturados: “O governo tem preocupação em preservar a institucionalidade da Polícia Federal e garantir direitos fundamentais, como o sigilo. Mas há uma prioridade clara no combate ao crime organizado”, afirmou.

Chico Lucas também associou a operação a uma linha já adotada pelo governo desde outras investigações, baseada no estrangulamento financeiro de organizações criminosas: “Essa ação é mais uma dentro de uma estratégia de asfixia financeira, que busca atingir inclusive aqueles que estão no andar de cima”, disse.

O secretário ainda antecipou uma agenda normativa, com o anúncio de um decreto voltado ao enfrentamento de facções criminosas. Segundo ele, a proposta deve ampliar o alcance das ações contra redes que operam em conexão com o poder econômico: “É preciso atingir não só as organizações, mas também quem negocia com elas. Há magnatas do crime que precisam ser alcançados”, afirmou, ao defender a atuação integrada entre União e estados.

Representando a Polícia Federal, o diretor-executivo William Murad destacou que a operação desta quinta-feira é um desdobramento direto de fases anteriores e marca um avanço no foco das investigações.

Segundo ele, a apuração saiu do núcleo das fraudes financeiras e avançou para suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo gestores e agentes públicos: “A operação de hoje tem foco no lado do BRB e no esquema de lavagem de dinheiro decorrente de atos de corrupção ligados à compra e venda de ativos. Não estamos mais no detalhamento das fraudes em si, mas na responsabilização dos envolvidos”, explicou.

Murad reforçou que as investigações seguem em curso e sob sigilo, mas indicou que há continuidade nas medidas cautelares, inclusive contra alvos já atingidos anteriormente.

As investigações tiveram início em novembro de 2025, a partir de um relatório do Banco Central encaminhado ao Ministério Público Federal, que apontou indícios de irregularidades envolvendo o Banco Master.

Na primeira fase, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, sete prisões e houve o afastamento do presidente do BRB. Na ocasião, cerca de R$ 1,3 bilhão foram bloqueados.

Já a segunda fase, em janeiro de 2026, aprofundou a apuração sobre a estrutura financeira do esquema, com foco em fundos utilizados para sustentar as operações. Foram 42 mandados de busca, uma prisão e bloqueio de aproximadamente R$ 6 bilhões.

A terceira etapa avançou sobre suspeitas de corrupção e obstrução de Justiça, resultando no afastamento de servidores do Banco Central e novas prisões.

A fase mais recente, segundo a Polícia Federal, concentra-se na lavagem de dinheiro e na atuação de gestores ligados ao BRB, consolidando uma linha investigativa que conecta fraudes financeiras, uso de estruturas de investimento e possíveis articulações com agentes públicos.

Por: Redação

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