• Quinta-feira, 16 de abril de 2026

Lula fala sobre Terceira Guerra Mundial: ‘É possível’

Em entrevista, presidente que está em seu terceiro mandato fez apontamentos sobre Trump e a guerra no Oriente Médio

O presidente Lula (PT) disse que uma Terceira Guerra Mundial “é possível se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um”. O comentário faz menção indireta à guerra no Oriente Médio travada, principalmente, entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, e aos posicionamentos que o presidente estadunidense, Donald Trump, assumiu no conflito. “Uma Terceira Guerra Mundial será uma tragédia dez vezes mais potente que a segunda”, alertou.

A declaração foi feita durante entrevista ao jornal espanhol “El País”, na qual o presidente respondeu se teme possíveis intervenções norte-americanas no país. “Eu me considero seguro. Minha disputa com qualquer país do mundo não é pela guerra, aqui tem democracia, queremos da forma mais civilizada do mundo negociar em uma mesa. Nenhum país tem o direito de ferir a integridade territorial de outro país”, afirmou.

Sobre a taxação que foi feita pelo presidente norte-americano ao Brasil, Lula diz que precisou ter “muita paciência” e que Trump usou argumentos que “não foram verdadeiros” e que ele “tentava falar de uma força militar que não me interessava, porque não queria guerra com os Estados Unidos”.

“Disse para ele textualmente que era importante que dois países governados por dois homens com 80 anos de idade precisam ter muita maturidade na hora de conversar. Nunca pedi para ele concordar ideologicamente comigo, como não concordo com ele, mas dois chefes de Estado não precisam pensar ideologicamente, precisam pensar como chefes de Estado”, concluiu.

Lula criticou a intervenção militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela, no início do ano, que resultou na prisão do então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada Cília Flores.

“O PT, meu partido, meu país e os democratas dele defenderam a posse de Delcy [Rodríguez, atual presidente venezuelana] porque ela tinha direito por ser vice-presidente. Eu penso que deveria ter um processo eleitoral pactuado com a oposição para que, ao terminar as eleições, o resultado fosse acatado e a Venezuela voltasse a ter um país”, declarou.

“O que não dá é os Estados Unidos acharem que eles podem administrar a Venezuela, isso não é normal, não tem paradeiro na democracia”, finalizou, de forma contundente.

As sanções econômicas e a restrição de exportação de petróleo à Cuba, agravadas durante o governo de Donald Trump e a crise energética que acomete a ilha caribenha, também foram questionadas pelo presidente.

“Cuba é uma coisa muito preciosa para nós, porque não há uma explicação para um bloqueio durante 70 anos. Se as pessoas que não gostam de Cuba têm uma preocupação com o povo cubano, por que elas não têm preocupação com o Haiti? O que Cuba precisa é de chance de fazer as coisas. Como pode sobreviver um país que está comprometido a não receber alimento, combustível e energia?", indagou.

(Sob supervisão de Maria Fernanda Ramos)

Por: Redação

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