Foi em 1992, há 32 anos, em uma cozinha improvisada em Florianópolis, que o casal Celso Dutra e Maura Dutra resolveu criar a marca de produtos naturais Da Magrinha. O que muitos não sabem quando veem as embalagens de granola e biscoitos integrais nas prateleiras dos mercados, é que a marca começou como um “plano B”. Hoje, os produtos já estão em supermercados, atacadistas e distribuidores internacionais em países como os Estados Unidos.
A marca começou com o nome de Delícias da Magrinha, um apelido carinhoso dado por Celso à Maura. Era assim que ele a chamava em todas as ocasiões e, quando viu que o negócio estava dando certo, ainda sem nome, resolveu conversar com a esposa para que finalmente dessem “uma cara” à marca.
— Nós estávamos em Joinville jantando com os amigos e perguntei: “Vamos colocar uma marca nesse produto”. Agora, tem tudo a ver com produtos naturais, ou seja, delícias da magrinha. Magrinha é o teu apelido, é uma homenagem a você e tem tudo a ver com produtos naturais, vai ficar na mente das pessoas futuramente — contou Celso em um vídeo publicado nas redes sociais.
Maura, então, ficou 10 anos cozinhando e fazendo as granolas em um forno encontrado na sucata, que era pago com os biscoitos feitos ao dono. Mas isso só foi possível depois que Celso, técnico em eletrotécnica, saiu de uma empresa em que trabalhava há 14 anos. No início, o casal investiu todo o dinheiro da rescisão na agricultura, com plantação de hortaliças e criação de galinhas. No entanto, não deu certo.
— Surgiu, então, a ideia de nós colocarmos em prática o segundo plano, caso esse não desse certo, que seriam produtos naturais. Como a Magrinha sabia fazer granola muito bem e algumas outras coisas que ela pegava as receitas e adaptava, nós começamos a trabalhar em cima disso — disse.
Magrinha, então, fazia biscoitos de amendoim, de coco com aveia, e pão de queijo, com a etiqueta de identificação dos produtos feita na máquina de escrever do sobrinho de Celso, e vendia ao lado do esposo. Aos pouquinhos, eles perceberam que o negócio estava dando certo.
Algumas coisas ainda dificultavam e muito o trabalho dos dois. O forno, por exemplo, aquecia mais pelo lado de fora do que por dentro, e Maura precisava quebrar o coco usado na granola com o martelo. Depois disso, ela retirava o miolo do coco, o triturava e colocava em sacos, para que pudesse colocar na granola.
Maura conta que sentia dificuldade em conciliar o trabalho com os afazeres da casa, já que o casal tem três filhos, com a menina mais velha tendo sete anos na época.
— Quando a gente teve que se envolver com a fábrica, eu tive que cuidar de três crianças, de uma casa e de uma fábrica. Eu não estava acostumada. Nós somos muito família, eu levantava 5h30min, colocava as crianças no ônibus e depois, quando eles chegavam meio-dia, tinha que estar com tudo pronto. Então para mim foi uma rotina que mudou totalmente a minha vida — apontou.
Celso conta que os dois precisaram abdicar de muitas coisas para que o negócio da família fosse para frente. Passaram anos sem comprar um sofá, comendo pizza só uma vez por ano e com um carro mais velho. Assim, cresceram.
— Eu era motorista, vendedor, comprador, administrador, tudo que você possa imaginar. E a Magrinha fazia a parte de produção — disse Celso.
Em 2012, a marca foi incorporada pelo grupo Hathor em 2012 e se tornou umas das marcas mais famosas do segmento no Brasil. Celso conta que, com a venda da empresa, pôde comprar a casa própria e garantir estabilidade para as próximas gerações. Embora o controle acionário pertença ao grupo investidor, Celso permanece na administração da empresa.
— Até quando eu vou ficar com a magrinha? A Magrinha é para sempre — disse, se referindo à esposa.
De pipoca 100% integral até quinoa em grãos, a Da Magrinha vende diversos produtos considerados saudáveis. Muitos dos alimentos possuem uma certificação internacional usada para regulamentar produtos que são verdadeiramente integrais, usado por outros 55 países.





