• Sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Etanol de milho alcança investimentos que somam mais de R$ 40 bilhões

Expansão histórica coloca o Brasil como potência global no biocombustível feito a partir do cereal; pelo menos 16 novas usinas para etanol de milho devem entrar em operação até 2026, consolidando um novo ciclo de crescimento energético.

Expansão histórica coloca o Brasil como potência global no biocombustível feito a partir do cereal; pelo menos 16 novas usinas para etanol de milho devem entrar em operação até 2026, consolidando um novo ciclo de crescimento energético. O etanol de milho vive um momento sem precedentes no Brasil. Nos últimos cinco anos, o setor recebeu mais de R$ 40 bilhões em investimentos, destinados à construção de novas usinas, ampliações de plantas já existentes e projetos de infraestrutura. Esse volume expressivo de recursos está transformando a matriz energética nacional, ao ponto de o etanol de milho já responder por cerca de 25% de todo o etanol produzido no país, com expectativa de ultrapassar a marca dos 10 bilhões de litros anuais já em 2025, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem). A expansão acelerada é explicada por uma combinação de fatores: abundância de milho no Brasil, preços competitivos, demanda crescente por biocombustíveis e políticas públicas que ampliaram a mistura obrigatória de etanol à gasolina. A perspectiva é que o cereal deixe definitivamente de ser tratado como simples “safrinha” para se consolidar como um ativo estratégico de energia, alimento e exportação.
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    FS Bioenergia: pioneira retoma expansão bilionária A FS Bioenergia, responsável pela primeira usina 100% milho do Brasil, lidera a inovação desde 2017. Atualmente opera três unidades em Mato Grosso (Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste), que juntas somam 2,3 bilhões de litros/ano. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Em 2025, a companhia confirmou um novo investimento de R$ 2 bilhões para erguer sua quarta usina, em Campo Novo do Parecis (MT). A planta terá capacidade de 540 milhões de litros anuais, além da produção de DDG e energia elétrica. A obra deve ser concluída em 2026, elevando a capacidade da FS para quase 3 bilhões de litros anuais. Inpasa: gigante multibilionária em expansão nacional A Inpasa, de origem paraguaia, já é a maior produtora de etanol de milho do Brasil. Hoje possui três plantas em operação (Sinop e Nova Mutum, no MT, e Dourados, no MS) e está finalizando duas em Sidrolândia (MS) e Balsas (MA). O grande destaque é a usina de Balsas (MA), inaugurada em agosto de 2025, com investimento de R$ 2,5 bilhões e capacidade para 925 milhões de litros anuais. A empresa também anunciou:
  • Luís Eduardo Magalhães (BA): R$ 1,2 bilhão em investimentos, capacidade de 460 milhões de litros/ano.
  • Rio Verde (GO): R$ 2,5 bilhões, projeto para ser uma das maiores plantas do país.
  • Somados, os aportes colocam a Inpasa com projeção de atingir 5 bilhões de litros anuais de etanol nos próximos anos. CerradinhoBio e São Martinho: do açúcar ao milho Grupos tradicionais do setor sucroenergético também aderiram ao etanol de milho. A CerradinhoBio, por meio da Neomille, inaugurou em 2024 sua usina em Maracaju (MS), após investir R$ 1,08 bilhão. A planta produz 266 milhões de litros/ano. Já a São Martinho investiu cerca de R$ 350 milhões em sua primeira destilaria de milho, anexa à Usina Boa Vista (GO), com capacidade estimada de 210 milhões de litros anuais. Novos entrantes: Paraná, MT e Amazônia O movimento atraiu novos investidores. Entre os mais recentes:
  • Grupo Potencial (PR): anunciou R$ 2 bilhões para construir uma usina de etanol de milho em Lapa (PR), no maior complexo de biocombustíveis do mundo.
  • 3Tentos (MT): investe R$ 1,2 bilhão em uma usina em Porto Alegre do Norte (MT), com inauguração prevista para 2026.
  • Millenium BioEnergia (AM): projeta sete usinas no Norte/Nordeste, com custo de R$ 4,4 bilhões, sendo a primeira em construção no Amazonas.
  • Projetos cooperativos também se destacam, como a Etamil Bioenergia (Campo Novo do Parecis/MT) e a Alcooád (Tangará da Serra/MT), com investimentos regionais relevantes. Resumo dos principais investimentos no etanol de milho
    Empresa/GrupoLocalizaçãoCapacidade (L/ano)Investimento (R$)Status
    FS BioenergiaCampo Novo do Parecis (MT)540 milhões2 biEm obra (2025–26)
    FS Bioenergia3 usinas MT2,3 bi~5 biOperando
    InpasaBalsas (MA)925 milhões2,5 biInaugurada 2025
    InpasaRio Verde (GO)– (estimado ~900 mi)2,5 biAnunciada 2025
    InpasaL. E. Magalhães (BA)460 milhões1,2 biAnunciada 2024
    CerradinhoBio (Neomille)Maracaju (MS)266 milhões1,08 biInaugurada 2024
    São MartinhoQuirinópolis (GO)210 milhões350 miInaugurada 2023
    Grupo PotencialLapa (PR)~500+ milhões (estimado)2 biAnunciada 2025
    3TentosPorto Alegre do Norte (MT)1,2 biEm construção
    Millenium BioEnergia1ª usina – Amazonas200 milhões (cada)640 mi (cada)Em construção
    Investimento no etanol de milho. Elaborada pelo autor.
    Perspectivas para o etanol de milho O conjunto de projetos mostra que o etanol de milho deixou de ser coadjuvante e se tornou protagonista na transição energética. Além de combustível limpo, gera coprodutos de alto valor agregado, como DDG para ração e óleo de milho. Com novos anúncios previstos até 2026, o Brasil deve se consolidar como segunda maior potência mundial do etanol de milho, atrás apenas dos Estados Unidos, e ampliar sua liderança na bioenergia.
    Por: Redação

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