As recentes derrotas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional não esmoreceram os parlamentares de esquerda na tentativa de aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que abole a escala de trabalho 6x1. Em ato no Centro de Belo Horizonte nesta sexta-feira (1º), nomes governistas acreditam que a campanha para tornar obrigatórios dois dias de descanso semanal extrapolou os movimentos progressistas e ganhou capilaridade na sociedade.
Autor da PEC, o deputado federal Reginaldo Lopes espera que o aval à proposta na comissão especial de análise se dê ainda em maio e avalia que o texto terá apoio além da base governista por não ser um tema necessariamente atrelado à ideologia de esquerda.
“Esse é um debate que não é ideológico, é um debate que vai colocar de um lado aquelas pessoas que tem uma visão moderna sobre o capitalismo e uma visão moderna sobre as relações do mundo do trabalho que vão posicionar pela qualidade de vida da sua gente, do maior patrimônio de uma nação que são os seus trabalhadores e trabalhadores. Do outro lado estão aqueles que são negacionistas que não querem melhorar a qualidade de vida da sua gente, do seu povo”, disse à Itatiaia durante o ato na Praça Raul Soares, Centro de BH.
O fim da escala 6x1 está no topo da lista de prioridades de Lula neste ano eleitoral. A aprovação da PEC seria uma vitória importante para o petista em meio ao momento mais conturbado de seu terceiro mandato em relação à convivência com outros poderes.
Na última quarta-feira (29), o Senado rejeitou o nome de Jorge Messias, indicado por Lula à vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). A recusa foi a primeira desde 1894, quando senadores barraram uma indicação do então presidente Floriano Peixoto à Corte.
No dia seguinte, mais uma derrota veio na forma da derrubada do veto presidencial ao PL da dosimetria. O texto, que havia sido integralmente rejeitado por Lula, propõe uma revisão das penas dos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
Para a ex-deputada federal e pré-candidata ao Senado, Áurea Carolina (PSOL), o momento turbulento para Lula no Congresso não afetará a tramitação da PEC 221/2019. O projeto recebeu parecer de constitucionalidade e já teve um relator designado na comissão especial de análise.
“Felizmente, a pauta pelo fim da escala 6x1 tem transbordado o campo progressista. Vários parlamentares de oposição já se manifestaram entendendo que é uma demanda necessária, de fato. Isso não é de esquerda ou de direita, isso é uma luta do povo brasileiro. Isso é o mínimo. Porque também tem pessoas que estão na informalidade, que não têm proteção social nenhuma. Então, a gente precisa defender o fim da escala 6x1 e a garantia de dignidade, de melhor renda, de valorização das carreiras do serviço público”, afirmou durante o ato pelo dia do trabalhador.
Também presente no ato de 1º de maio em BH, Lucas Sidrach, coordenador nacional do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) disse que as críticas feitas ao projeto no Congresso Nacional tentam associar o texto à uma iniciativa eleitoreira de Lula. Ele defende uma desvinculação do texto da imagem do presidente.
“Eu vejo que eles usam do argumento disso ser uma pauta eleitoreira e colocam essa ideia de que é um projeto do Lula. A gente precisa assim entender que isso é uma articulação do povo, não é sobre um lado político ou outro e nós iremos cobrar de todas as pessoas que agirem contra a classe trabalhadora”, destacou.





