• Segunda-feira, 9 de março de 2026

Especulações sobre guerra no Oriente Médio visam apenas derrubar preço do boi gordo, alerta Comissão

Lideranças da pecuária brasileira afirmam que rumores ligados ao conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos têm sido usados como argumento para pressionar a arroba do boi gordo, mesmo com demanda firme por carne bovina e exportações em ritmo forte.

Lideranças da pecuária brasileira afirmam que rumores ligados ao conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos têm sido usados como argumento para pressionar a arroba do boi gordo, mesmo com demanda firme por carne bovina e exportações em ritmo forte. O avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio tem sido apontado por parte da indústria frigorífica como um fator de risco para o comércio internacional de carnes. No entanto, lideranças da pecuária brasileira alertam que muitas dessas narrativas podem ter caráter especulativo, sendo utilizadas para pressionar os preços do boi gordo no mercado interno. A avaliação foi feita por representantes da cadeia produtiva da bovinocultura de corte, que observam uma disputa clara entre frigoríficos e pecuaristas nas negociações recentes. Enquanto a indústria tenta impor valores menores para a arroba, produtores mantêm resistência e aguardam melhores condições de venda.
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  • Segundo análise do setor, os fundamentos do mercado continuam positivos, com demanda interna consistente e exportações aquecidas — fatores que, em tese, sustentariam preços firmes para o boi gordo. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Guerra no Oriente Médio entra no radar do mercado do boi gordo O aumento das tensões envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos trouxe preocupações sobre possíveis impactos logísticos no comércio global. A possibilidade de fechamento do estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo, passou a ser citada como um risco para o transporte internacional de mercadorias. No entanto, especialistas do setor pecuário destacam que o impacto direto sobre a exportação de carne bovina brasileira tende a ser limitado, uma vez que as principais rotas comerciais do país não dependem desse corredor marítimo. Grande parte da carne bovina exportada pelo Brasil segue em direção à Ásia contornando o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, sem necessidade de utilizar o estreito localizado no Golfo Pérsico. Além disso, os principais compradores da proteína brasileira — como China, Estados Unidos, Chile e México — estão geograficamente distantes da área de conflito. Outro fator relevante é que as exportações destinadas ao Oriente Médio representam uma fatia relativamente pequena do total embarcado pelo Brasil, respondendo por cerca de 6,5% do volume e 6,8% da receita em 2025. Quando considerados apenas países diretamente ligados à região do estreito de Ormuz, essa participação cai para menos de 4%. Pressão da indústria sobre a arroba Apesar de o impacto logístico ainda ser considerado limitado, o clima de incerteza tem sido usado como argumento em negociações no mercado físico do boi gordo. De acordo com analistas do setor, frigoríficos chegaram a reduzir temporariamente o ritmo de compras de gado, avaliando possíveis consequências logísticas da escalada do conflito no Oriente Médio. Essa postura provocou um ambiente de negociações mais lentas ao longo da semana, refletindo também na bolsa e nos contratos futuros do boi gordo, que registraram movimentos de queda diante do aumento das incertezas no mercado internacional. Em São Paulo, por exemplo, a arroba chegou a registrar recuo em relação à semana anterior. A média foi observada ao redor de R$ 350/@ na capital paulista, abaixo dos cerca de R$ 360 registrados anteriormente. Pecuaristas resistem a novas quedas Apesar da pressão compradora, pecuaristas têm demonstrado resistência em aceitar preços menores, principalmente diante de fundamentos considerados positivos para o mercado da carne bovina. Dados de consultorias do setor indicam que a demanda doméstica continua firme, com bom desempenho das vendas no varejo e aumento de pedidos de reposição por parte de supermercados e açougues. O ritmo forte das exportações brasileiras também ajuda a sustentar o mercado, mantendo a arroba em níveis considerados elevados nas principais regiões pecuárias do país. Em São Paulo, por exemplo, o boi gordo sem padrão de exportação chegou a ser negociado na faixa de R$ 352/@, enquanto o chamado “boi-China” alcançou cerca de R$ 355/@. Esse cenário reforça a percepção de que o mercado vive um momento de disputa entre frigoríficos e produtores, com a indústria tentando alongar escalas de abate e negociar preços menores, enquanto pecuaristas preferem segurar os animais e esperar melhores oportunidades de venda. Gado sumiu: Escalas de abate e oferta de gado Outro ponto observado nas últimas semanas foi o aumento das escalas de abate em alguns frigoríficos brasileiros, impulsionado por ofertas pontuais de animais a preços mais competitivos. Em média nacional, as escalas têm girado entre seis e sete dias úteis, indicando um relativo equilíbrio entre oferta e demanda de gado para abate. Ainda assim, analistas avaliam que os volumes negociados abaixo das referências de mercado não são suficientes para estabelecer uma nova tendência de baixa para a arroba. Mercado do boi gordo segue atento ao cenário internacional Embora o conflito no Oriente Médio continue sendo monitorado pelo mercado global, especialistas reforçam que os fundamentos da pecuária brasileira permanecem sólidos, sustentados principalmente pela forte demanda internacional por carne bovina.
    Por: Redação

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