• Segunda-feira, 9 de março de 2026

Autocoleta pode ampliar prevenção de câncer de colo do útero

Morrem todos os dias 19 mulheres por HPV; estudo da USP indica que há como fazer prevenção com amostras colhidas em casa.

A coleta domiciliar de urina e material vaginal para detecção do vírus HPV (papilomavírus humano) pode se tornar estratégia na prevenção do câncer de colo do útero. Estudo de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) indica que a autocoleta tem desempenho similar a exame Papanicolau feito em consultório.

O câncer de colo do útero é a doença que mais mata mulheres de até 36 anos no Brasil, embora haja vacina. Segundo a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), 1 pessoa é diagnosticada com câncer associado ao vírus a cada minuto no mundo. No Brasil, são registrados cerca de 19 óbitos por dia.

Pesquisadores do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) e do Hospital das Clínicas da USP analisaram amostras de 100 mulheres com mais de 21 anos. Os resultados mostraram alta concordância entre a autocoleta e o exame conduzido por médicos, inclusive para a identificação do HPV16, tipo mais associado ao tumor.

“A autocoleta representa uma estratégia mais inclusiva e acessível, pois permite a coleta de forma autônoma, fora do ambiente clínico”, afirmou a pesquisadora Lara Termini à Agência Einstein. Fatores como medo, falta de tempo e dificuldades culturais impedem muitas mulheres de realizarem o exame tradicional.

A autocoleta vaginal é utilizada em sistemas de saúde na Holanda, Austrália, Suécia e Dinamarca. O método auxilia na ampliação da cobertura de rastreamento e diagnóstico.

O ginecologista Renato Moretti, do Hospital Israelita Albert Einstein, declarou que a iniciativa alinha-se à meta da OMS (Organização Mundial da Saúde) de erradicar o câncer de colo do útero até 2030. A organização estima que, sem prevenção, a doença causará 411 mil mortes anuais no mundo até o fim da década.

O SUS (Sistema Único de Saúde) incorporou o teste molecular para HPV em agosto de 2025. A tecnologia permite identificar alterações precursoras até 10 anos antes do Papanicolau. O Ministério da Saúde afirmou que a metodologia será implantada gradualmente para substituir o exame citopatológico tradicional.

A principal forma de prevenção é a vacinação gratuita no SUS, disponível para jovens de 9 a 19 anos. O uso de preservativos e hábitos saudáveis, como não fumar, também reduzem os riscos.

Com informações da Agência Einstein.

Por: Poder360

Artigos Relacionados: