• Quarta-feira, 10 de junho de 2026

Empresários lançam manifesto em defesa da PEC do trabalho flexível e criticam fim da escala 6x1

Documento assinado por 3 mil entidades afirma que proposta amplia a liberdade de negociação entre empresas e trabalhadores e se contrapõe à PEC que reduz a jornada de trabalho

Três mil entidades empresariais de todas as regiões do país publicaram uma carta nesta terça-feira (9) defendendo a “PEC do trabalho flexível”. O grupo representa cerca de 90% do PIB brasileiro e gera mais de 40 milhões de empregos.

O texto, de autoria do senador Rogério Marinho (PL), é defendido pelos empresários como uma alternativa à proposta de fim da escala 6x1. Na carta, as entidades afirmam que a proposta moderniza as relações de trabalho por meio da autonomia de escolha.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) é uma das entidades que assinaram o manifesto. Em entrevista à CNN, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que o texto do fim da escala 6x1, defendido pelo governo Lula, representa um atraso.

"A PEC aprovada na Câmara representa o atraso absoluto. O mundo moderno é do diálogo, da negociação. As pessoas sabem o que é melhor para elas. Diferente disso, seria você exigir que todos utilizassem sapato 38, mas nem todo mundo calça esse tamanho. Engessar na Constituição a escala de trabalho é um absurdo, não tem em nenhum lugar do mundo. Esse novo projeto que nasceu no Senado representa modernidade, garante todos os direitos ao trabalhador, além da liberdade de fazer o acordo que convém", disse.

Além da Fiesp, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a Confederação Nacional do Comércio (CNC), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Transporte (CNT) assinam o manifesto.

"O manifesto, assinado pelo Movimento Pró-Brasil (MPB), também se posiciona contra projetos que buscam impor uma escala única e rígida para todo o mercado, sem considerar as necessidades e especificidades das mais de 2.700 ocupações existentes hoje no país, desconsiderando também os custos e impactos para as empresas, para o poder público e para a sociedade", finaliza a carta.

"A vida não bate ponto do mesmo jeito todos os dias. Tem mês que o movimento bomba e o trabalhador consegue tirar uma boa comissão. Tem mês que a coisa aperta e é preciso correr atrás de um extra para fechar as contas.

Tem dia que o filho fica doente, que é necessário sair mais cedo para levar o pai ao médico ou para ver a apresentação da filha na escola. Quem está na luta sabe: a vida real não cabe numa caixinha fechada.Hoje, o Senado Federal analisa a PEC 12, do Trabalho Flexível. Mais que uma alteração na Constituição, ela é a chance de finalmente colocar a decisão na mão de quem move este país: você, trabalhador brasileiro.

Quer trabalhar menos horas por dia para conseguir estudar ou cuidar dos filhos? Você pode. Quer trabalhar mais em dezembro, quando o movimento está lá em cima, para entrar o ano sem dívida? Também dá.E tudo isso com os direitos da CLT garantidos, como 13º salário, férias, 1/3 de férias, FGTS, aviso prévio e etc. É o melhor dos dois mundos: a proteção da CLT com o benefício de decidir sobre a própria vida.Mas existe outra proposta em votação que quer fazer exatamente o contrário: impor a mesma escala engessada para todo mundo, como se o Brasil real funcionasse em "tamanho único".O garçom, que vive da taxa adicional de serviço, não quer uma lei que tire seus melhores dias de trabalho.

O vendedor, que conta com a comissão, precisa de tempo para vender, não de uma folga obrigatória. O Microempreendedor Individual (MEI), que tem apenas um empregado, ficará sem ele mais um dia na semana.Toda essa rigidez aumenta o custo dos produtos e serviços e, no fim, quem paga a conta é o trabalhador brasileiro: no preço da marmita, nas compras do supermercado, na tarifa do ônibus, no valor do condomínio...

Por isso, os abaixo assinados, que representam mais de 40 milhões de empregos, quase 90% do PIB brasileiro, bilhões de reais em investimentos, exportações, e que estão presentes em todos os cantos do Brasil, pedem:

SENHORAS SENADORAS E SENHORES SENADORES, VOTEM PELA MODERNIZAÇÃO DO TRABALHO. VOTEM PELA PEC 12, A DO TRABALHO FLEXÍVEL, E DEIXEM O BRASILEIRO ESCOLHER O SEU PRÓPRIO CAMINHO.

CACB - Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil
CNA - Confederação Nacional da Agricultura
CNC - Confederação Nacional do Comércio
CNI - Confederação Nacional da Indústria
CNT - Confederação Nacional do Transporte
FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo"

Por: ITATIAIA

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