• Terça-feira, 9 de junho de 2026

Poupança registra entrada líquida pela primeira vez no ano em maio

Caderneta teve primeiro mês no azul após uma sequência de quatro resultados com mais saques do que depósitos

A caderneta de poupança registrou mais depósitos do que saques pela primeira vez no ano em maio, segundo relatório divulgado pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (9). No mês passado, foram depositados cerca de R$ 368,4 bilhões, ante R$ 365,8 bilhões em saques, resultando um saldo positivo de R$ 6,2 bilhões.

Antes do resultado positivo, a poupança havia acumulado quatro meses seguidos no vermelho. Em abril, foram R$ 476,4 milhões de saques líquidos, o menor valor desde agosto de 2024, quando as retiradas haviam somado R$ 398 milhões. Com a alta da Selic, atualmente fixada em 14,5% ao ano, a caderneta tende a perder atratividade entre os investidores, que preferem aplicações que rendem com a taxa de juros, como o Tesouro Direto.

Em março, o relatório da poupança mostrava uma retirada líquida de R$ 11,1 bilhões, um aumento de quase 70% nos recursos retirados no mês de fevereiro. Na época, foram depositados cerca de R$ 369,6 bilhões na caderneta, contra saques da ordem de R$ 380,7 bilhões. Nos primeiros cinco meses do ano, a poupança acumula R$ 39,1 bilhões em retiradas líquidas.

Para Rafael Winalda, especialista de renda fixa do Banco Inter, os juros elevados tornaram a poupança menos atraente frente a produtos que oferecem rentabilidade superior, risco semelhante e liquidez diária. “Ou seja, o investidor percebeu que não há mais prêmio algum em ficar na poupança”, disse.

A caderneta é a porta de entrada do mundo dos investimentos, seguindo a máxima de que deixar o dinheiro render é melhor do que deixá-lo parado. “A poupança é tradicionalmente um dos primeiros investimentos que o brasileiro tem à disposição, e quando ele quer sair a gente tem recomendado muito ativos mais seguros”, destacou Winalda.

O especialista explica que para começar de forma mais cautelosa a sair da poupança, é recomendável o investimento em Certificados de Depósito Bancário (CDB), que possuem proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Os certificados são indexados a uma taxa como o CDI, Selic ou inflação.

“O CDB é uma Selic pós-fixado. Vai ter um rendimento bem melhor do que essa poupança e você vai ter liquidez, vai ter segurança, vai contar com o FGC. Deu esse primeiro passo, criou essa reserva de emergência, quer andar um pouco mais? A gente começa a olhar para o crédito privado”, disse.

Winalda explica ainda o funcionamento de títulos como Certificado de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRI e CRA), que podem ser fixados a Selic ou a inflação mais uma taxa pré-fixada. pensados para o longo prazo e isentos de Imposto de Renda. Outra diferença para além do imposto, é que os títulos não possuem proteção do FGC, aumentando a recompensa pelo risco.

“No longo prazo é interessante investir visando a inflação. Você vai montar sua carteira com boa parcela em inflação, o famoso IPCA+. No Brasil, o imposto de renda em um ativo que não é isento, ele é cobrado em cima da inflação e da parte pré-fixada. Como o Brasil historicamente tem taxas de inflação mais alta, é possível que lá na frente eu pague um imposto muito alto. Com o isento isso não acontece. É interessante para quem quer sair do CDB”, explicou.

Considerado o investimento mais seguro do país, garantido pela União, os títulos de tesouro direto contam com três modalidades, sendo a principal o Tesouro Selic, com rendimento e liquidez diário. “Quem garante esse investimento é o governo federal, e ele é o dono do jogo. Ele vai te pagar com toda certeza”.

Outras modalidades são os tesouros pré-fixados, com uma taxa conhecida na hora do investimento, e o IPCA+, similar aos certificados de recebíveis. Cabe lembrar que os títulos do tesouro não são isentos de Imposto de Renda, seguindo uma tabela regressiva de acordo com o tempo em que o dinheiro fica investido.

Por: ITATIAIA

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