A caderneta de poupança registrou mais depósitos do que saques pela primeira vez no ano em maio, segundo relatório divulgado pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (9). No mês passado, foram depositados cerca de R$ 368,4 bilhões, ante R$ 365,8 bilhões em saques, resultando um saldo positivo de R$ 6,2 bilhões.
Antes do resultado positivo, a poupança havia acumulado quatro meses seguidos no vermelho. Em abril, foram R$ 476,4 milhões de saques líquidos, o menor valor desde agosto de 2024, quando as retiradas haviam somado R$ 398 milhões. Com a alta da Selic, atualmente fixada em 14,5% ao ano, a caderneta tende a perder atratividade entre os investidores, que preferem aplicações que rendem com a taxa de juros, como o Tesouro Direto.
Em março, o relatório da poupança mostrava uma retirada líquida de R$ 11,1 bilhões, um aumento de quase 70% nos recursos retirados no mês de fevereiro. Na época, foram depositados cerca de R$ 369,6 bilhões na caderneta, contra saques da ordem de R$ 380,7 bilhões. Nos primeiros cinco meses do ano, a poupança acumula R$ 39,1 bilhões em retiradas líquidas.
Para Rafael Winalda, especialista de renda fixa do Banco Inter, os juros elevados tornaram a poupança menos atraente frente a produtos que oferecem rentabilidade superior, risco semelhante e liquidez diária. “Ou seja, o investidor percebeu que não há mais prêmio algum em ficar na poupança”, disse.
A caderneta é a porta de entrada do mundo dos investimentos, seguindo a máxima de que deixar o dinheiro render é melhor do que deixá-lo parado. “A poupança é tradicionalmente um dos primeiros investimentos que o brasileiro tem à disposição, e quando ele quer sair a gente tem recomendado muito ativos mais seguros”, destacou Winalda.
O especialista explica que para começar de forma mais cautelosa a sair da poupança, é recomendável o investimento em Certificados de Depósito Bancário (CDB), que possuem proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Os certificados são indexados a uma taxa como o CDI, Selic ou inflação.
“O CDB é uma Selic pós-fixado. Vai ter um rendimento bem melhor do que essa poupança e você vai ter liquidez, vai ter segurança, vai contar com o FGC. Deu esse primeiro passo, criou essa reserva de emergência, quer andar um pouco mais? A gente começa a olhar para o crédito privado”, disse.
Winalda explica ainda o funcionamento de títulos como Certificado de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRI e CRA), que podem ser fixados a Selic ou a inflação mais uma taxa pré-fixada. pensados para o longo prazo e isentos de Imposto de Renda. Outra diferença para além do imposto, é que os títulos não possuem proteção do FGC, aumentando a recompensa pelo risco.
“No longo prazo é interessante investir visando a inflação. Você vai montar sua carteira com boa parcela em inflação, o famoso IPCA+. No Brasil, o imposto de renda em um ativo que não é isento, ele é cobrado em cima da inflação e da parte pré-fixada. Como o Brasil historicamente tem taxas de inflação mais alta, é possível que lá na frente eu pague um imposto muito alto. Com o isento isso não acontece. É interessante para quem quer sair do CDB”, explicou.
Considerado o investimento mais seguro do país, garantido pela União, os títulos de tesouro direto contam com três modalidades, sendo a principal o Tesouro Selic, com rendimento e liquidez diário. “Quem garante esse investimento é o governo federal, e ele é o dono do jogo. Ele vai te pagar com toda certeza”.
Outras modalidades são os tesouros pré-fixados, com uma taxa conhecida na hora do investimento, e o IPCA+, similar aos certificados de recebíveis. Cabe lembrar que os títulos do tesouro não são isentos de Imposto de Renda, seguindo uma tabela regressiva de acordo com o tempo em que o dinheiro fica investido.





