CUIABÁ, MT – O cenário das articulações políticas para a bancada federal de Mato Grosso ganhou uma nova e movimentada narrativa. Em entrevista ao podcast ResumoCast, apresentado pelo jornalista Crispim Neto no portal Resumo MT, o produtor rural Vilmar Rigo (Novo) ratificou sua pré-candidatura a deputado federal para o pleito de 2026. Conhecido nacionalmente no ambiente digital como o "Bolsonaro da Shopee" devido à sua forte semelhança física com o ex-presidente Jair Bolsonaro, Rigo revelou os bastidores que o levaram a optar pelo partido Novo em detrimento do Partido Liberal (PL).

A escolha partidária, que surpreendeu parte do eleitorado conservador local, foi justificada como uma jogada puramente estratégica acordada com a cúpula bolsonarista. "O PL é um partido carregado, que já conta com três a quatro deputados federais e outros grandes nomes disputando espaço. Sabendo que Mato Grosso elege oito deputados federais, a engenharia política entre as siglas foi desenhada para que a direita faça o maior número de cadeiras possível. A estratégia conjunta é eleger dois deputados pelo PL e um pelo Novo. Se eu não migrasse para o Novo, o partido não conseguiria estruturar uma chapa competitiva de federal no estado", detalhou Rigo.
O pré-candidato assegurou que obteve o aval de Jair Bolsonaro e que o acordo lhe garantiu total independência para fazer campanha casada. "Fiquei totalmente liberado para trabalhar em parceria com o senador Flávio Bolsonaro, que é o meu candidato ao Palácio do Planalto em 2026, independentemente de composições com Romeu Zema ou outras lideranças", cravou.
Da Timidez ao Fenômeno Digital "Bolsonaro da Shopee"
Natural de Erechim (RS), mas fixado em Mato Grosso há pelo menos duas décadas com propriedades rurais em Cuiabá e Comodoro, Rigo relembrou com humor a sua transição de produtor rural avesso a câmeras para um verdadeiro fenômeno de engajamento público. Ele conta que os comentários sobre sua semelhança com o ex-presidente começaram ainda em 2017, quando morava em Vilhena (RO).
Contudo, o batismo do apelido nacional ocorreu de forma espontânea anos depois, em Primavera do Leste (MT), durante um jantar com o deputado Nikolas Ferreira. "O Nikolas olhou para mim e exclamou: 'É o Bolsonaro da Shopee!'. Gravaram um vídeo, jogaram nas redes sociais dele e viralizou imediatamente. Eu era um homem tímido, que não tinha o hábito de tirar fotos ou fazer vídeos. Tive que aprender a lidar com o assédio em aeroportos, hotéis, táxis e feiras. Entendi que essa semelhança e essa identificação com os ideais de direita se tornaram uma missão para manter acesa a chama conservadora no país", afirmou.
Os Gargalos Estruturais do Agronegócio e a Agricultura Familiar
Como membro orgânico do setor agropecuário, Vilmar Rigo focou suas principais propostas legislativas na infraestrutura produtiva do estado. O pré-candidato alertou para o fato de que a maior perda financeira do produtor brasileiro na atualidade reside no crônico déficit de armazenamento e estocagem em nível federal. "O governo federal não possui um plano robusto de incentivo à construção de silos e armazéns. O produtor colhe, mas fica refém do transporte imediato para as grandes tradings, que acabam ditando o preço que querem pagar pela commodity. Aliado a isso, os juros exorbitantes inviabilizam a aquisição de tecnologia de precisão e maquinários agrícolas", criticou.
Convidado pelo apresentador Crispim Neto a avaliar a situação da agricultura familiar e da hortifrutigranjeira na Baixada Cuiabana — cujos mercados locais dependem de até 80% de produtos oriundos de estados vizinhos como Rondônia —, Rigo apontou a falta de assistência técnica continuada e a grave escassez de mão de obra no campo como as principais travas.
"O pequeno produtor não consegue competir sem tecnologia de automação, porque hoje a juventude prefere migrar para o meio urbano ou operar maquinários com ar-condicionado na grande lavoura. Além disso, falta flexibilidade e sobra burocracia sanitária dos órgãos de fiscalização, que travam os pequenos matadouros municipais e associações de leite, impedindo que o produtor comercialize legalmente o seu queijo, carne ou frango caipira diretamente nos mercados da cidade", defendeu.
Como exemplo, citou o Vale do Jauru, onde o governo incentivou tanques de piscicultura, mas não estruturou frigoríficos ou redes logísticas para o escoamento, deixando os produtores sem canais de venda. Da mesma forma, apontou o município de Colniza, que lidera a produção estadual de café e cacau, mas sofreu severas perdas por falta de secadores e galpões de estocagem adequados.
Segurança Pública, Educação e Reforma Judiciária
Se para Mato Grosso a prioridade absoluta de Rigo é destravar as demandas do agro e da regularização fundiária, para o contexto nacional ele aponta que a urgência máxima do país é uma ampla reforma judiciária. "Muitos políticos evitam tocar nesse assunto por receio, mas a reforma do Judiciário é o pilar mais importante que o Brasil precisa enfrentar para combater a impunidade e reestabelecer o equilíbrio entre os poderes", asseverou.
Na área de segurança, o pré-candidato fez duras críticas à leniência estatal e ao avanço do crime organizado na monopolização de postos de combustíveis, farmácias e academias pelo país. "A segurança pública foi desmantelada. O policial hoje se sente de mãos atadas por excessos burocráticos e fiscalizações ideológicas da esquerda. Precisamos tipificar as grandes facções nacionais estritamente como organizações terroristas, blindar as fronteiras e devolver a autoridade às forças policiais", completou.
O parlamentar também vinculou o futuro da saúde pública à reestruturação da educação básica. Defendendo que "um povo educado demanda muito menos os hospitais e as UPAs", ele propôs a valorização salarial e reciclagem dos professores e criticou a forte doutrinação ideológica que, segundo ele, deteriorou o ensino nas universidades federais brasileiras.

Bate-Pronto de Opiniões
Durante a dinâmica de encerramento da sabatina, Rigo distribuiu avaliações diretas e notas rápidas para as três esferas de governo atuais:
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Governo Federal: "Nota zero. Destruíram a economia do país e colocaram as estatais no vermelho. O Brasil vai levar 20 anos para se recuperar desse desgoverno."
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Governo de Mato Grosso (Mauro Mendes/Otaviano Pivetta): "Uma administração considerada boa, pois o estado cresceu muito na arrecadação. Contudo, peca na agilidade: as obras públicas de infraestrutura demoram até quatro anos para serem finalizadas, quando poderiam ser entregues na metade do tempo."
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Prefeitura de Cuiabá (Abílio Brunini): "Abílio está fazendo um bom trabalho, pois pegou uma prefeitura municipal totalmente arrebentada, quebrada e falida da gestão anterior e está conseguindo recuperá-la estruturalmente."
A íntegra da entrevista com o pré-candidato Vilmar Rigo, contendo debates detalhados sobre regularização fundiária, bastidores da direita em Brasília e o municipalismo, está disponível no canal do jornalista Crispim Neto no YouTube.





