Novas regras para transporte de animais devem elevar custos aos pecuaristas e podem gerar multasUm exemplo dessa resistência cultural é a Comitiva JL, liderada pelo comitiveiro João Luiz, de 53 anos, que mantém viva a tradição das grandes travessias pantaneiras. Na jornada atual, a equipe conduz cerca de 1.200 cabeças de gado por regiões alagadas do Pantanal, enfrentando sol forte, trechos de lama, rios e longas distâncias. A viagem já se aproxima de dois meses na estrada, evidenciando a dimensão logística e o esforço exigido dos peões que acompanham a boiada ao longo de todo o percurso. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Esse tipo de condução, que no passado era comum em diferentes regiões do Pantanal, hoje se tornou exceção. Mesmo assim, para quem vive essa rotina, a comitiva segue representando muito mais do que um trabalho: é uma tradição que atravessa gerações e mantém viva a essência da lida pantaneira.Quem acompanha de perto essa travessia é o fotógrafo Luiz Mendes, responsável por registrar a passagem da boiada pela tradicional ponte do Passo do Lontra, no Pantanal. Segundo ele, o cenário da pecuária pantaneira mudou profundamente nas últimas décadas. Muitas comitivas desapareceram com a abertura de estradas e a modernização do transporte de gado, que passou a ser feito majoritariamente por caminhões. O modelo antigo, em que o fazendeiro comprava o rebanho e conduzia os animais por grandes distâncias apenas a cavalo, tornou-se raro. Atualmente, grande parte das boiadas percorre pequenos trechos em comitiva apenas até pontos de embarque ou leilões, de onde seguem viagem em transporte rodoviário. Ainda assim, Luiz destaca que João Luiz está entre os poucos comitiveiros que continuam realizando travessias longas, e nesta jornada a equipe já soma cerca de 50 dias na estrada, com previsão de ultrapassar 60 dias longe de casa.
Comitiva pantaneira resiste ao tempo e mantém viva uma das tradições mais marcantes da pecuária
Entre estradas alagadas, jornadas que podem durar até dois meses e a rotina intensa dos peões, as comitivas seguem conduzindo boiadas pelo Pantanal e preservando um modo de vida que marcou gerações no campo. Vídeos mostram a impressionante rotina da Comitiva Pantaneira JL
Entre estradas alagadas, jornadas que podem durar até dois meses e a rotina intensa dos peões, as comitivas seguem conduzindo boiadas pelo Pantanal e preservando um modo de vida que marcou gerações no campo. Vídeos mostram a impressionante rotina da Comitiva Pantaneira JL A cena de peões montados a cavalo conduzindo grandes boiadas pelos campos do Pantanal continua sendo uma das imagens mais emblemáticas da pecuária tradicional brasileira. Em meio a paisagens abertas, estradas de terra e áreas frequentemente alagadas, a chamada comitiva pantaneira mantém viva uma prática histórica de transporte e manejo do gado, profundamente ligada à cultura do homem do campo e ao cotidiano das fazendas da região. Durante décadas, esse tipo de deslocamento foi a principal forma de conduzir rebanhos entre propriedades, regiões de pastagem ou pontos de comercialização. Com o avanço da infraestrutura rodoviária e o uso crescente de caminhões boiadeiros, as longas travessias a cavalo se tornaram cada vez mais raras. Ainda assim, alguns grupos continuam preservando essa tradição, conduzindo boiadas por caminhos que muitas vezes exigem atravessar campos alagados, estradas de difícil acesso e grandes extensões de território. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
Luiz4mendes Produtor audiovisual Pantanal Uma rotina que exige resistência e organização Participar de uma comitiva exige disciplina, planejamento e resistência física. Os peões passam dias inteiros montados a cavalo, conduzindo o gado lentamente para evitar estresse nos animais e garantindo que a boiada permaneça unida durante todo o trajeto. O ritmo da viagem é cuidadosamente planejado. Normalmente, a boiada percorre alguns quilômetros por dia, respeitando o tempo necessário para descanso dos animais e para alimentação.
Outro elemento fundamental dessa jornada é a cozinha da comitiva, considerada o coração da expedição. Antes mesmo da boiada chegar ao local de parada, os cargueiros seguem à frente levando mantimentos, utensílios e equipamentos de acampamento. É nessa estrutura itinerante que são preparadas as refeições dos peões após longas horas de trabalho. Ao final do dia, quando a boiada é recolhida para descanso, os integrantes da comitiva se reúnem para jantar e recuperar as energias antes da jornada seguinte. Comitivas de gado: Tradição passada de geração em geração A cultura vista na comitiva pantaneira JL é profundamente ligada à história das famílias pantaneiras. Muitos comitiveiros começaram ainda jovens, acompanhando pais e avós nas longas travessias pelo campo. Há relatos de profissionais que iniciaram na atividade ainda adolescentes e que hoje continuam conduzindo boiadas décadas depois, mantendo vivo um conhecimento transmitido de geração em geração. Para esses trabalhadores, a condução de gado não é apenas uma profissão, mas um modo de vida ligado à identidade do Pantanal.
Luiz4mendes Produtor audiovisual Pantanal Esse conhecimento inclui desde técnicas de manejo do rebanho até leitura do comportamento dos animais, orientação no terreno e organização da logística da viagem. Modernização reduziu o número de Comitiva pantaneira Apesar da importância cultural, as grandes travessias de gado pelo Pantanal tornaram-se cada vez mais raras nas últimas décadas. A expansão da malha rodoviária, a disponibilidade de caminhões boiadeiros e a modernização da logística pecuária transformaram a forma como os animais são transportados. Hoje, muitas comitivas realizam trajetos menores ou conduzem o gado apenas até pontos de embarque ou leilões, onde os animais seguem viagem por transporte rodoviário. Antigamente, não era incomum que as boiadas percorressem distâncias enormes, com viagens que chegavam a 90 dias ou mais de deslocamento contínuo. Atualmente, jornadas tão longas são exceção.
Mesmo assim, em algumas regiões do Pantanal, especialmente durante períodos de cheia ou em áreas de difícil acesso, as comitivas ainda são a solução mais viável para movimentar o gado entre fazendas. Mesmo assim, em algumas regiões do Pantanal, especialmente durante períodos de cheia ou em áreas de difícil acesso, as comitivas ainda são a solução mais viável para movimentar o gado entre fazendas. Luiz4mendes Produtor audiovisual Pantanal Resistência cultural no coração do Pantanal Nos dias atuais, ver uma comitiva cruzando estradas alagadas ou avançando lentamente por campos pantaneiros se tornou quase um retrato histórico vivo. Enquanto máquinas e caminhões dominam grande parte da logística pecuária moderna, os peões seguem mantendo um costume que ajudou a construir a pecuária brasileira.
Por: Redação





