A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal analisa nesta 6ª feira (13.mar.2026) a decisão do ministro André Mendonça que autorizou a prisão preventiva do fundador do Banco Master e validou a 5ª fase da Operação Compliance Zero. O antigo relator do caso, ministro Dias Toffoli, se declarou suspeito na 4ª feira (11.mar.2026).
Mendonça encaminhou a decisão para a Turma depois de acolher o parecer da Polícia Federal. Segundo os investigadores, Vorcaro coordenava um núcleo especializado em monitorar e intimidar adversários do empresário. Segundo a corporação, conversas colhidas no celular do banqueiro indicam que ele pediu que fosse forjado um “assalto” contra o jornalista Lauro Jardim: “Quero dar um pau nele”.
O ministro submeteu a decisão para o referendo da Turma, composta pelos ministros Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, presidente do colegiado.
Na 4ª feira, porém, Toffoli decidiu comunicar sua suspeição a Mendonça e Gilmar. Segundo Toffoli, como ele já havia declarado sua suspeição em um mandado de segurança que pedia a instauração de uma CPMI sobre o Banco Master, há correlação entre os objetos das ações, o que o leva a manter a suspeição. O ministro declarou motivos de “foro íntimo”.
Na 6ª feira, Vorcaro foi encaminhado para o presídio federal de Brasília, onde ficará custodiado em uma cela de 9 metros quadrados.
Foram presos preventivamente na 3ª fase da operação Compliance Zero:
Também foi autorizada a busca e apreensão em 15 endereços ligados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais.
Mendonça determinou o afastamento de cargos públicos e o sequestro de bens no montante de até R$ 22 bilhões.
A decisão de Mendonça também cita funcionários do Banco Central que, de acordo com a PF, teriam sido cooptados por um núcleo organizado por Vorcaro. São eles:
Mendonça determinou que Souza e Santana sejam afastados de suas funções públicas no Banco Central. Ele também proibiu que mantenham contato com testemunhas ou demais investigados na Compliance Zero. Por fim, determinou o uso de tornozeleira eletrônica. Os investigados devem ficar no seu município de residência e entregar seus passaportes para a Polícia Federal.
Há auxiliares citados, como Leonardo Augusto Furtado Palhares. De acordo com a PF, ele atuava na formalização de documentos de contratação de Vorcaro e Zettel para com os servidores. As empresas de fachada eram utilizadas para fazer pagamentos de “propina”, segundo Mendonça.
Já Ana Claudia Queiroz de Paiva, funcionária de Vorcaro, fazia as movimentações financeiras para o grupo investigado, “participando da estrutura responsável pela execução de pagamentos vinculados às iniciativas” do empresário.
Por fim, Mendonça atendeu a outro pedido da Polícia Federal, que apontou indícios de lavagem de dinheiro, e determinou a suspensão por tempo indeterminado das seguintes empresas:
As investigações começaram em 2024, a pedido do MPF (Ministério Público Federal), que solicitou a verificação de indícios de fabricação e venda de títulos de crédito falsos por instituições que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional) e circulação de “ativos podres” para ocultar rombos financeiros.
Estão no centro das investigações o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, e gestores, executivos e empresários ligados a fundos de investimentos e operações com títulos de crédito.





