• Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Beef-on-Dairy vira padrão — e um erro nas primeiras horas pode definir o lucro do bezerro

Modelo que integra genética de corte ao rebanho leiteiro, o chamado Beef-on-Dairy, avança como padrão produtivo, porém desafios operacionais e de alinhamento entre produtores e confinamentos ainda impactam resultados e rentabilidade

Modelo que integra genética de corte ao rebanho leiteiro, o chamado Beef-on-Dairy, avança como padrão produtivo, porém desafios operacionais e de alinhamento entre produtores e confinamentos ainda impactam resultados e rentabilidade O sistema beef-on-dairy — estratégia que utiliza genética de raças de corte em vacas leiteiras para produzir bezerros mais valorizados — deixou de ser uma tendência emergente para se tornar um modelo produtivo consolidado em diversas regiões. No entanto, apesar do avanço das parcerias entre fazendas leiteiras, ranchos de cria e confinamentos, especialistas alertam que desconexões operacionais continuam comprometendo a eficiência e a colaboração ao longo da cadeia. Durante a MILK Business Conference 2025, produtores de leite e gestores de feedlots discutiram os principais gargalos do sistema, destacando progressos já obtidos, mas também apontando áreas onde o alinhamento ainda precisa evoluir para garantir maior desempenho dos animais e retorno econômico.
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  • Um modelo que exige integração real Com a expansão do beef-on-dairy, os diferentes elos da produção passaram a trabalhar juntos com maior frequência. Essa aproximação fortaleceu a comunicação na cadeia, porém diferenças de processos, expectativas e linguagem técnica ainda geram ruídos importantes. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Na prática, o sucesso do sistema depende de uma coordenação precisa desde o nascimento do bezerro até sua terminação — e qualquer falha nesse percurso pode reduzir o potencial produtivo. Colostro: o detalhe que define o futuro do bezerro – e do lucro no Beef-on-Dairy Um dos pontos mais críticos está nas primeiras horas de vida do animal. Gestores de confinamento afirmam que o que acontece na fazenda leiteira antes mesmo do transporte do bezerro tem impacto maior na saúde e no desempenho do que muitas etapas posteriores. Eric Behlke, da Blackshirt Feeders, ressalta que o principal indicador da saúde futura do bezerro é a chamada transferência passiva de imunidade, obtida por meio do consumo adequado de colostro. Quando há falha nessa transferência — ou seja, quando o animal não recebe colostro de qualidade — os efeitos negativos acompanham o bezerro até o final do ciclo produtivo. Para confinamentos que pagam valores elevados por esses animais, começar com um bezerro imunologicamente fragilizado significa assumir um risco difícil de reverter. O consenso entre os especialistas é direto: tratar bezerros beef-on-dairy com o mesmo rigor aplicado às novilhas de reposição — com protocolos consistentes, ambiente limpo e fornecimento rápido de colostro — é a forma mais rápida de reduzir a diferença de desempenho. Dois setores, duas linguagens e um objetivo: o lucro Outro desafio relevante está na comunicação. Mesmo falando sobre o mesmo animal, equipes do leite e do confinamento frequentemente utilizam termos distintos, o que pode gerar confusão nas negociações iniciais. O produtor Daniel Vander Dussen relatou que, ao começar a vender bezerros beef-on-dairy, se deparou com conceitos de comercialização e métricas de peso que eram comuns aos confinamentos, mas totalmente novos para ele. Esse tipo de situação evidencia que não é necessário um vocabulário idêntico entre os setores — mas é fundamental que ambos compreendam claramente o que está sendo discutido para criar valor conjunto. Escolha do touro: mais estratégia, menos aparência Há também equívocos sobre a genética ideal. Embora o Angus seja amplamente utilizado, especialistas reforçam que não existe uma única raça obrigatória. Tony Bryant, da Five Rivers Cattle Feeding, destaca que a cor da pelagem, por exemplo, está entre os fatores menos relevantes na avaliação do animal. A melhor genética é aquela que atende simultaneamente às necessidades da fazenda leiteira e às exigências do comprador final. Essa visão amplia as possibilidades de cruzamento e permite maior personalização dos programas genéticos. Investimento alto aumenta a pressão por resultados O crescimento do beef-on-dairy também elevou o valor dos bezerros, com preços atingindo patamares recordes. Esse cenário torna a parceria entre os elos ainda mais estratégica. Tony Lopes, produtor leiteiro da Califórnia, citou que recentemente bezerros chegaram a custar US$ 1.650, um nível de investimento que exige comprometimento técnico e mentalidade aberta por parte dos fornecedores. Isso inclui revisar práticas tradicionais, como:
  • fornecedores de genética
  • uso de sêmen sexado ou convencional
  • proporção de sêmen de corte
  • escolha das raças utilizadas
  • Segundo Lopes, o confinamento não busca apenas um vendedor — procura um parceiro que entenda os objetivos do sistema de terminação e esteja disposto a ajustar a produção para gerar um animal mais competitivo. O caminho à frente: adaptação será decisiva para o futuro do beef-on-dairy Hoje, o beef-on-dairy já representa um modelo produtivo relevante para propriedades leiteiras, criando novas oportunidades de receita, mas também exigindo maior profissionalização. Especialistas apontam que o sucesso dependerá de três pilares principais:
  • comunicação clara entre os elos
  • definição transparente de expectativas
  • decisões genéticas bem planejadas
  • Cada etapa — do cuidado inicial ao planejamento reprodutivo — influencia diretamente o desempenho final do animal. Produtores que adotarem flexibilidade e priorizarem parcerias tendem a garantir bezerros mais saudáveis, melhor performance e maior relevância no mercado.
    Por: Redação

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