• Sexta-feira, 13 de março de 2026

Após internação, defesa de Bolsonaro critica Moraes por negar domiciliar

Ministro recusou em 2 de março último pedido de transferência feito pelos advogados; ex-presidente está no DF Star.

O advogado Paulo Cunha Bueno, que faz parte da defesa de Jair Bolsonaro (PL), criticou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes após o ex-presidente ser internado com febre, crises de vômito e baixa oxigenação. 

“A situação de hoje, que traz um sintoma grave, foi reiteradamente  vaticinada inclusive em laudos recentes que instruíram o último pedido de prisão domiciliar, o qual foi sumariamente negado pelo Ministro relator”, afirmou. A declaração foi dada nesta 6ª (13.mar.2026) em publicação no X.

O advogado também citou a decisão de Moraes que autorizou prisão domiciliar de caráter humanitário ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. “Condenado por corrupção foi-lhe garantindo, sem maiores esforços de convencimento, a custódia domiciliar a partir de um diagnóstico médico de apneia do sono e princípio de doença de Parkinson, quadro, desnecessário dizer, minúsculo em relação ao do Presidente Bolsonaro”, escreveu.

Moraes negou o pedido mais recente feito pela defesa em 2 de março. A defesa havia enviado sua petição em 11 de fevereiro com base no relatório feito pela Polícia Federal, que pediu que o ex-presidente tivesse seus “sintomas neurológicos” analisados, mas indicou que não havia necessidade de hospitalização. Eis a íntegra do relatório médico (PDF – 3 MB) e da decisão de Moraes (PDF – 239 kB).

O laudo havia sido enviado a Moraes em 6 de fevereiro. ​​O diagnóstico foi elaborado com base em exame clínico direto e análise da documentação apresentada pela defesa de Bolsonaro. Os peritos discordaram do diagnóstico de pneumonia bacteriana não especificada, anemia por deficiência de ferro, sarcopenia e depressão.

Ainda conforme o laudo pericial, o ex-presidente tem as seguintes doenças crônicas:

O relatório médico recomendou a “otimização” dos tratamentos e de medidas preventivas “em decorrência do risco de complicações, principalmente de eventos cardiovasculares”. Também indicou prática de atividade física aeróbica e com resistência e fisioterapia para o equilíbrio postural.

Em 20 de fevereiro, a PGR (Procuradoria Geral da República) se manifestou contra a concessão de prisão domiciliar humanitária.

Moraes seguiu o entendimento do procurador-geral Paulo Gonet. Na decisão, argumentou que o ex-presidente tem “a plena garantia da dignidade da pessoa humana, através de atendimento médico contínuo e permanente, realização de sessões de fisioterapia, atividades físicas, integral assistência religiosa, visitas permanentes da esposa, filhos, filha e enteada, além de numerosas visitas de advogados e terceiros”. 

O relator incluiu registros de visitas e tratamentos providenciados pela direção do Complexo Penitenciário da Papuda, onde o ex-chefe de Estado cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. “Em um período que compreendeu 39 (trinta e nove) dias, 15/1/2026 a 27/1/2026, JAIR MESSIAS BOLSONARO teve direito à:  

Ainda sobre as visitas, o relator afirmou que Bolsonaro tem recebido “grande quantidade” de “deputados federais, senadores, governadores e outras figuras públicas”. Para o ministro, a “intensa atividade política” do ex-presidente corrobora com os atestados médicos que dispõem sobre a sua “boa condição de saúde física e mental”. 

O médico Cláudio Birolini informou ao Poder360 que está saindo de São Paulo para Brasília para avaliar o ex-presidente. Afirmou que já solicitou exames para analisar o quadro clínico de Bolsonaro. “Estou saindo de SP às 12:00. Já pedi os exames para vê-lo lá”, disse. 

Bolsonaro caiu e bateu a cabeça em sua antiga cela na Superintendência Regional da Polícia Federal no dia 6 de janeiro de 2026. Foi levado ao DF Star no dia seguinte para fazer exames. Um dos médicos de sua equipe, Brasil Caiado, afirmou que ele sofreu traumatismo craniano leve com a queda ao tentar caminhar no local. O médico também disse que havia uma suspeita de que a desorientação que levou à queda do ex-presidente tenha sido causada pela interação dos medicamentos para crises de soluços.

O ex-presidente foi transferido para a Papudinha em 15 de janeiro, por determinação de Moraes.

Ele enfrenta uma série de problemas de saúde relacionados ao ataque a faca sofrido na campanha presidencial de 2018. Bolsonaro foi internado no fim de 2025, quando realizou uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral. Teve alta em 1º de janeiro.

O ex-presidente já teve uma crise de vômitos em 20 de fevereiro. Na época, o fato foi informado pelo filho Carlos Bolsonaro, que não detalhou se houve necessidade de atendimento médico nem relatou a causa do episódio.

Alguns dias antes, em 16 de fevereiro, o ex-vereador afirmou que o pai havia passado mal e estava sendo monitorado.  

Bolsonaro chegou, às 8h50, de ambulância ao Hospital DF Star. Policiais responsáveis pela escolta montaram um bloqueio visual com um pano no momento da transferência do ex-presidente da ambulância para o interior do hospital, impedindo que fosse possível ver Bolsonaro durante a chegada.

Assista ao momento da chegada de Bolsonaro ao hospital (1min38s):

Por: Poder360

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