• Sábado, 28 de março de 2026

Zanin anula condenação de Garotinho por compra de votos no Rio de Janeiro

Ministro entendeu que provas foram extraídas de computador da Prefeitura de Campos dos Goytacazes de forma ilegal.

O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), anulou a condenação de Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro e ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, na operação Chequinho. A decisão foi assinada na 6ª feira (27.mar.2026). Zanin considerou ilegais as provas que embasaram a condenação do político pela Justiça Eleitoral. Eis a íntegra (PDF – 274 kB).

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro condenou Garotinho a 13 anos de prisão pela acusação de compra de votos nas eleições municipais de 2016 em Campos dos Goytacazes. O político teria oferecido o benefício social do programa Cheque Cidadão em troca de votos. O ministro acolheu o habeas corpus apresentado pela defesa.

Zanin entendeu que os elementos probatórios foram extraídos de forma irregular de computadores da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Campos dos Goytacazes. A coleta de dados ocorreu por meio de pen drive, sem os procedimentos legais adequados.

“Diante disso, apesar da gravidade, em tese, dos crimes imputados ao paciente [Garotinho], não se mostra possível ter por comprovada a materialidade das infrações penais a ele imputada com base em elementos probatórios produzidos exclusivamente a partir da lista extraída, de forma irregular, por meio de pendrive, de computador da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Campos dos Goytacazes/RJ” afirmou o magistrado.

O ministro destacou que a ilegalidade das provas não é uma questão secundária. “Não se trata de questão marginal ou irrelevante, mas de conteúdo eletrônico ilegal que serviu de suporte à condenação”, declarou Zanin.

Em 2022, a 2ª Turma do STF anulou a condenação de outro denunciado na operação Chequinho. O colegiado considerou irregular a coleta de provas pelos investigadores. A defesa de Garotinho argumentou que as provas utilizadas contra ele tiveram a mesma origem ilícita.

Na ocasião, sob a relatoria do ministro Ricardo Lewandowski, o colegiado entendeu que faltou perícia para garantir a validade de provas obtidas num computador apreendido na prefeitura. Esse precedente serviu de base para a defesa do ex-governador.

Zanin foi designado novo relator do caso com a aposentadoria de Lewandowski. Em 2024, o ministro já havia concedido uma decisão favorável a Garotinho. Zanin autorizou o político a concorrer nas eleições municipais daquele ano.

A condenação tornava o político fluminense inelegível. À época, o ministro entendeu que era necessário suspender os efeitos da condenação apenas em relação à inelegibilidade. Zanin considerou que Garotinho ficaria indevidamente impedido de disputar as eleições caso se chegasse à conclusão de que a condenação decorreu de prova ilícita.

A Chequinho apurou o uso ilegal do programa social Cheque Cidadão, voltado a famílias de baixa renda, da Prefeitura de Campos dos Goytacazes (RJ). Na época, Anthony Garotinho era o secretário de governo do município administrado pela prefeita Rosinha Garotinho, sua mulher. Os 2 foram presos em 2016 e em 2017 na operação.

A investigação concluiu que o benefício era entregue a fim de comprar votos para candidatos aos cargos de prefeito e vereador do grupo político de Garotinho. 

O ex-governador também foi condenado pelos crimes de supressão de documento e coação de testemunhas, cometidos ao longo do processo eleitoral de 2016 em Campos dos Goytacazes.

Por: Poder360

Artigos Relacionados: