• Sábado, 28 de março de 2026

Retaliação comercial e permissão em Ormuz marcam semana na China

Governo chinês inicia contra-ofensiva tarifária sobre os EUA e aumenta tensão para encontro entre Trump e Xi Jinping.

A guerra comercial entre China e Estados Unidos reacendeu nesta semana de uma forma mais sutil do que as trocas de tarifas que escalaram as barreiras comerciais entre os países em mais de 100% no início de 2025. Depois de uma pausa de 6 meses, o governo chinês decidiu retaliar a quebra da trégua provocada pela investigação norte-americana iniciada há duas semanas sobre trabalho forçado em 60 países –a China entre eles.

A China decidiu na 6ª feira (27.mar.2026) lançar duas investigações comerciais contra os EUA. As apurações miram as medidas adotadas pela Casa Branca para travar a entrada de produtos chineses em território norte-americano e a exportação de produtos de alta tecnologia e de transição energética. As investigações terão duração de 6 meses e podem resultar em tarifas contra os EUA ou outros tipos de retaliações a empresas norte-americanas.

Assista à reportagem (2min):

Enquanto a disputa comercial entre as duas maiores potências do mundo volta a se acirrar, o encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), com o líder chinês, Xi Jinping (Partido Comunista da China), ganhou uma nova data. O republicano declarou que desembarcará em Pequim em 14 de maio. O governo chinês ainda não cravou a data, mas é de praxe do governo chinês confirmar esse tipo de encontro poucos dias antes.

Inicialmente, Trump era esperado na capital chinesa em 31 de março, mas adiou a viagem para se concentrar em uma resolução para a guerra com o Irã e seus desdobramentos no Oriente Médio. China e EUA também negociam a possibilidade de Xi ir a Washington no final do ano. A data mais provável é novembro.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, conversou na 3ª feira (24.mar) com o chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi. Na conversa, Araghchi disse que o estreito de Ormuz estava fechado apenas para os inimigos do Irã. O país persa considera a China como uma aliada estratégica.

Já na 4ª feira (25.mar), Araghchi elaborou sobre o tema. Confirmou que o país permitirá a passagem de embarcações chinesas e de outros 4 países –Rússia, Iraque, Paquistão e Índia.

A notícia é boa para a China, que depende de Ormuz para atender cerca de 40% de sua demanda por petróleo, mas o governo chinês ainda é conservador para retomar o tráfego no mesmo ritmo de antes da guerra. O governo da China não celebrou ou deu instruções para seus navios atravessarem o estreito e mantém o tom de que é necessário um cessar-fogo e uma retomada das negociações para um fim definitivo do conflito.

Por: Poder360

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