• Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Temos “sérias dúvidas” sobre Conselho da Paz, diz líder europeu

António Costa, presidente do Conselho Europeu, diz que questionamentos são sobre governança e compatibilidade com a ONU.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, declarou na 5ª feira (22.jan.2026) que o órgão tem “sérias dúvidas sobre alguns elementos” apresentados na carta de princípios do Conselho da Paz, iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), oficialmente lançada durante o Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça).

Depois de uma reunião informal dos integrantes do Conselho Europeu, Costa afirmou que as dúvidas concernem “ao escopo” do Conselho da Paz, “sua governança e compatibilidade com a Carta da ONU [Organização das Nações Unidas]”.

Na 5ª feira (22.jan), Trump lançou oficialmente o Conselho da Paz, para o qual convidou dezenas de líderes de países em todo o mundo. Quando aprovado em novembro pelo Conselho de Segurança da ONU, o órgão tinha sua atuação restrita ao plano para encerrar o conflito na Faixa de Gaza.

Porém, ao longo das últimas semanas, ficou claro que Gaza refere-se a uma pequena parte dos objetivos do novo organismo. O Conselho da Paz busca assumir o papel de polícia do mundo e pretende envolver-se em conflitos no geral –ofuscando o papel da própria ONU. Até o emblema do Conselho da Paz foi comparado ao das Nações Unidas.

“Estamos prontos para trabalhar junto com os EUA na implementação de um Plano de Paz para Gaza abrangente, com o Conselho de Paz cumprindo sua missão de administrar a transição, em acordo com a Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU”, declarou Costa. A Resolução 2803 foi aprovada em novembro por 13 integrantes do Conselho de Segurança. China e Rússia se abstiveram. Eis a íntegra do documento (PDF – 186 kB).

Costa disse que a próxima reunião de líderes europeus, marcada para 12 de fevereiro, servirá para um debate mais detalhado para a construção de uma Europa mais autônoma.

Donald Trump (Partido Republicano) anunciou a criação do Conselho de Paz em 15 de janeiro de 2026. Embora a medida seja parte de um plano para acabar com os conflitos na Faixa de Gaza, o norte-americano já sinalizou que o órgão não será temporário. Afirmou em 20 de janeiro de 2026 que o grupo poderia assumir o papel que hoje pertence à ONU (Organização das Nações Unidas).

O emblema do Conselho da Paz foi comparado ao da ONU:

Trump é a única autoridade com poder de veto no Conselho da Paz.

Há apenas duas menções a “veto” no documento de criação do órgão:

Não há um prazo para o republicano deixar o comando do conselho.

O mandato de Trump é praticamente vitalício. O presidente do Conselho da Paz pode indicar um sucessor e só deixa o cargo se decidir renunciar voluntariamente ou em caso de incapacidade –nesse cenário, a votação do Conselho Executivo precisa ser unânime, ou seja, todos os integrantes precisam votar a favor de remover o republicano.

Autoridades de 18 países estavam com Trump no lançamento do conselho.

Eis os nomes:

O presidente do Conselho Europeu também falou sobre a disputa em torno da Groenlândia e dos esforços norte-americanos em anexar o território. “Nesse contexto, eu quero ser muito claro: o Reino da Dinamarca e a Groenlândia têm o apoio total da União Europeia. Só o Reino da Dinamarca e a Groenlândia podem decidir sobre as questões relativas à Dinamarca e à Groenlândia”, disse.

O Reino da Dinamarca, do qual a Groenlândia faz parte, é integrante da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O país europeu estabeleceu controle colonial sobre a ilha no século 18 e concedeu autonomia no século 20.

Costa reafirmou o “firme compromisso” do Conselho Europeu com os “princípios do direito internacional, da integridade territorial e da soberania nacional”, que, segundo ele, são fundamentais para a Europa.

“Nesse contexto, o anúncio feito ontem [4ª feira (21.jan)] de que não haverá novas tarifas dos Estados Unidos sobre a Europa é positivo. A imposição de tarifas adicionais teria sido incompatível com o acordo comercial entre a UE e os EUA”, declarou.

Na semana passada, Trump anunciou a imposição de tarifas adicionais para 8 integrantes da Otan que se opunham à compra da Groenlândia pelos Estados Unidos. Depois, ele recuou. Segundo Trump, houve avanços nos acordos com a Otan a respeito da Groenlândia. Não foram fornecidos, no entanto, detalhes a que avanços se referiu.

Costa acrescentou que o bloco europeu continuará a trabalhar com os EUA, ao mesmo tempo em que vai trabalhar para “defender os seus interesses e a proteger a si própria, seus Estados-membros, seus cidadãos e suas empresas contra qualquer forma de coerção. Ela dispõe do poder e dos instrumentos necessários para fazê-lo e o fará se e quando for necessário”.

Controlar a Groenlândia não é uma vontade nova de Trump. Ele já havia manifestado interesse na região em 2019, durante seu 1º mandato à frente dos EUA, e depois em dezembro de 2024, antes de tomar posse para um 2º mandato.

O republicano já disse que se não controlar a Groenlândia “do jeito fácil”, então será do “jeito difícil”. Afirmou também, dias depois de os EUA capturarem Nicolás Maduro em uma ação militar na Venezuela, que “não precisa do direito internacional” e que seu poder é limitado apenas por sua própria moralidade“.

Trump alega que a Groenlândia é fundamental para a segurança nacional dos EUA, para afastar a “ameaça russa” e citou a construção do Domo de Ouro, sistema de defesa para proteger o país de mísseis. O custo estimado do Domo de Ouro é de US$ 175 bilhões.

Além das ameaças de controlar a região à força, Trump também avalia comprar a Groenlândia e oferecer pagamentos diretos aos moradores da ilha. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou em 13 de janeiro que o território autônomo escolheria seguir ligado à Dinamarca, e não aos EUA.

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Por: Poder360

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