Minas Gerais possui a maior extensão de estradas vicinais do Brasil, com aproximadamente 337 mil quilômetros. Essas vias rurais secundárias, em sua maioria de terra, conectam propriedades agrícolas, pequenas comunidades e povoados às rodovias principais e aos centros urbanos. Em meio aos desafios enfrentados pelo agronegócio, o transporte de produtos e insumos aparece como um dos principais gargalos do setor.
O setor privado já percebeu que, sem investimentos próprios, a estrutura dificilmente melhora. Em Minas Gerais, o setor sucroenergético, por exemplo, destina há cerca de 20 anos parte do faturamento para obras de infraestrutura viária, como explica o presidente da Siamig Bioenergia, Mário Campos.
“Hoje, o nosso desafio é trazer a cana produzida no campo para as unidades industriais. Para isso, o setor vem investindo em logística e no escoamento da produção de açúcar e etanol, cuja maior parte é destinada à exportação”, afirma.
Com grande parte da produção mineira sendo escoada pelo Porto de Santos, Campos destaca a importância dos investimentos em logística para garantir competitividade ao setor.
“A logística é extremamente relevante para que o consumidor receba um produto competitivo e de menor custo. Temos acompanhado uma série de investimentos, principalmente relacionados à distribuição de etanol no Brasil”, relata.
Diante da precariedade das estradas, o próprio agronegócio passou a investir diretamente na recuperação e manutenção das vias para garantir o transporte da produção.
“Há 20 anos fazemos isso em parceria com o Governo de Minas, independentemente da gestão. O atual governo também é parceiro. Hoje, o setor investe cerca de 0,4% do faturamento em obras de infraestrutura, e continuaremos fazendo isso nos próximos anos”, detalha Campos.
O produtor rural Jovelino Carvalho Mineiro acredita que a concessão das estradas para a iniciativa privada pode ser uma alternativa para melhorar a infraestrutura logística do país.
“Na produção somos nota 10, mas, na infraestrutura logística, o Brasil ainda deixa muito a desejar. As concessões público-privadas podem ser a solução para destravar o atraso em ferrovias e transportes fluviais. Tanto as ferrovias quanto os rios estão subutilizados, enquanto o transporte rodoviário concentra grande parte da carga, gerando desperdícios e custos elevados”, avalia.
O vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, afirma que os produtores têm feito esforços para melhorar a infraestrutura, mas defende um planejamento nacional mais amplo para a logística.
“Esse é um dos principais pontos que precisam ser debatidos de forma madura e sem ideologia. Seja para escoar a produção agrícola ou para garantir o deslocamento das pessoas, o Brasil precisa de um plano de governo estruturado para a logística. Esse é um gargalo grave que precisa ser corrigido rapidamente para evitar que o país perca competitividade”, pontua.
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