O dólar à vista teve uma queda de 0,54% nesta sexta-feira (8), e fechou abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez desde o dia 15 de janeiro de 2024. A moeda americana encerrou o último pregão da semana cotada a R$ 4,89, com investidores atentos ao comportamento do preço do petróleo e aos dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos.
Apesar da ausência de novidades em relação à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, o barril do petróleo voltou a registrar alta, favorecendo moedas de economias dependentes da exportação da commodity.
O barril do tipo Brent para julho fechou em alta de 1,23% a US$ 101,29. Já o barril WTI teve alta de 0,64% a US$ 95,42. Contudo, ambos acumularam uma queda de 6,39% e 6,36% respectivamente, no fechamento da semana.
O principal motor do mercado nesta sexta foi a divulgação dos dados de emprego de abril nos Estados Unidos. Segundo o relatório do Payroll (folha de pagamento), a economia americana adicionou 115 mil empregos no mês passado, bem acima do esperado, que era uma adição de 65 mil empregos.
Apesar do bom resultado, a taxa de desemprego ficou estável em 4,3%, enquanto os salários avançaram 0,2%, abaixo do esperado. Ainda assim, salários seguem crescendo em ritmo robusto na taxa anualizada, a 3,6%. Os dados reforçam uma aposta de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, manterá os juros na faixa de 3,5% a 3,75% nas próximas reuniões de 2026.
Para o economista sênior do Banco Inter, André Valério, o cenário do Fed para um corte de juros continua delicado. Segundo ele, com a inflação pressionada pelo choque do preço do petróleo, a retomada no ciclo de corte só deve ocorrer caso o mercado de trabalho desacelere de maneira significativa.
“Por ora, esse não é o caso, o que deverá manter o Fed cauteloso e em modo de espera pelas próximas reuniões. Por outro lado, caso o mercado de trabalho continue a dar sinais de reaceleração e o choque do petróleo não se mostrar temporário, a chance do próximo movimento do Fed ser uma alta de juros aumenta”, disse.
Com a taxa de juros no Brasil a 14,5% ao ano, o diferencial com os juros americanos favorece o real ao tornar a estratégia de “carry trade” mais rentável. O movimento consiste em pegar dinheiro emprestado em taxas mais baixas e aplicar em economias com taxas maiores.





