• Sexta-feira, 1 de maio de 2026

Safra da tainha começa em SC nesta sexta com expectativa positiva dos pescadores

Temporada segue até julho, com aumento de 20% na cota e previsão de peixe mais próximo da costa

A safra da tainha 2026 está oficialmente aberta em Santa Catarina a partir desta sexta-feira (1º). O período, que segue até julho, é um dos mais aguardados no calendário cultural e econômico do Estado por movimentar a economia pesqueira, o turismo e a gastronomia.

A safra da tainha representa para muitas famílias o período mais importante do ano, já que garante o sustento e o alimento, movimentando a economia local. A pesca da tainha reflete em uma rede extensa que inclui transportadoras, mercados de peixe e o setor da gastronomia, um dos mais atrativos na Grande Florianópolis.

A pesca também faz parte da identidade cultural de Florianópolis e do litoral catarinense, preservada e passada por gerações. Os pescadores detém conhecimeto sobre as marés, os ventos e os ciclos de reprodução das espécies, e com isso conseguem identificar mudanças e tendências no ecossistema.

O pescador Armando Monteiro, da Parelha do Arante, no Pântano do Sul, em Florianópolis, conta que a preparação para a safra estava nos últimos detalhes nesta quinta-feira (30). A expectativa é que esse seja um ano de muito peixe, já que a tainha tem aparecido em praias mais ao Sul e já foi vista até mesmo na capital, porém, até esta sexta, a pesca ainda não era permitida.

Armando explica que o peixe que aparece primeiro é um peixe menor, “da Quaresma”, e depois vem o peixe da costa do Sul, a tainha maior, aguardada pelos pescadores. Com o tempo colaborando, a previsão é de que seja de um ano muito positivo.

— A gente depende muito do fenômeno da natureza, que são as frentes frias, os ventos. Para nós aqui a tainha não dá no inverno, a tainha para nós é no outono, que é o mês de maio e junho. O inverno quando entra, a tainha aqui para nós já se acaba. Mas a expectativa é excelente — comenta.

É o mesmo que reforça Laercio Demétrio, coordenador de Pesca e Economia Artesanal da Secretaria do Meio Ambiente de Balneário Camboriú. A cidade, que conta com pesca nas praias agrestes e na Praia Central, se prepara para a safra com a entrega de quadricilos, camisetas com proteção UV e protetor solar para os pescadores.

— As notícias são boas, porque já foram avistado muitos cardume de peixe em muitas praias lá pro sul. É sinal que já temos um peixe navegando aí na costa de Santa Catarina. Ano passado o peixe passou muito distante das nossas praias, então este ano a tendência é ele passar mais perto, aonde os pescadores conseguem capturar e alcançar esse peixe com suas redes — pontua.

Laercio também explica que na cidade foi demarcada uma área onde a navegação náutica de lanchas e jet skis fica permitida, o que deve melhorar a quantidade de peixes capturados na Praia Central. A ancoragem de embarcações também ficará proibido nas praias agrestes. Ainda, um sistema de bandeira foi implementado para sinalizar a liberação para o surf.

Em Florianópolis, a Rota da Tainha conta com 26 praias oficialmente reconhecidas. A rota busca viabilizar ações de valorização cultural da tradição pesqueira. São elas:

No ano passado, Florianópolis contou com 51 embarcações licenciadas de emalhe anilhado, com aproximadamente 500 a 600 pescadores. Segundo o relatório enviado ao governo federal, a produção na capital foi de cerca de 400 toneladas de tainha, o que representa um impacto econômico estimado em R$4 milhões. Já o arrasto de praia mobilizou mais de mil pessoas em 57 ranchos espalhados pela cidade.

A cota da safra da tainha terá aumento de cerca de 20% em comparação com o ano passado, para todas as modalidades. O limite total de captura da espécie tainha (Mugil liza) é de 8168 toneladas. O número é calculado com base na avaliação de estoque mais recente da espécie, feita em 2025.

O tradicional arrasto de praia, modalidade exclusiva de Santa Catarina, poderá capturar até 1.332 toneladas. Já o emalhe anilhado, também restrito ao litoral catarinense, terá limite de 1.094 toneladas neste ano. Confira abaixo as cotas por modalidade.

O monitoramento da pesca da tainha em Santa Catarina será realizado através do sistema PesqBrasil. Mapas de bordo, mapas de produção, declarações de entrada e de ova, além do rastreamento por satélite das embarcações devem ser enviados pela plataforma.

Ainda, a portaria prevê a implantação de rastreador experimental obrigatório para a modalidade de emalhe anilhado.

Durante a safra da tainha, Painel de Monitoramento da Temporada de Pesca da Tainha é atualizado regularmente, o que possibilidade maior transparência no acompanhamento das cotas de captura por modalidade.

A legislação determina ainda alguns critérios de encerramento antecipado da pesca da tainha para evitar que as cotas sejam extrapoladas, sendo eles:

Emalhe anilhado: encerramento ao atingir 85% da cota coletiva;

Arrasto de praia: encerramento aos 90% da cota;

Cerco/traineira: encerramento ao atingir 90% da cota individual por embarcação.

Por: NSC Total

Artigos Relacionados: