Veículos de comunicação internacionais noticiaram a prisão de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, nesta 5ª feira (5.mar.2026). A Polícia Federal prendeu o banqueiro na 4ª feira (4.mar.2026), durante a 3ª fase da Operação Compliance Zero. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça determinou a prisão preventiva com base no material obtido pelos investigadores.
O jornal britânico “Financial Times” escreveu que o colapso do Master foi a maior quebra bancária do Brasil em uma geração. As perdas somam R$ 40 bilhões. “O banco de médio porte havia se expandido rapidamente ao oferecer certificados de poupança com altos rendimentos, impulsionando Vorcaro, de 42 anos, da relativa obscuridade para uma vida de opulência”, informou o veículo britânico.
O “El País” descreveu Vorcaro como um “magnata cujos segredos estão abalando a classe política brasileira”. Em reportagem publicada na 4ª feira (4.mar), o veículo escreveu: “O caso Master é uma sombra pairando sobre grande parte da elite econômica e política do Brasil, dadas as suas enormes ramificações. O maior pesadelo agora é que Vorcaro, cada vez mais encurralado, decida revelar tudo e confessar o esquema aos investigadores em busca de clemência. Suas conexões alcançam partidos políticos de todas os matizes”.
A “Associated Press” disse que a investigação envolve fraude de “bilhões de reais” e relatou a atuação da chamada “A Turma” ligada a Vorcaro. A reportagem diz o seguinte: “Vorcaro também fazia parte de um grupo que buscava obter informações confidenciais, monitorar indivíduos considerados adversários do grupo e realizar ações de intimidação para proteger os interesses do núcleo da organização criminosa.”
A agência britânica “Reuters” reportou a suspeita de tentativa de suborno de um ex-diretor do Banco Central por meio de presentes em troca de tratamento preferencial. A oferta incluía uma viagem à Walt Disney World. A agência relatou mensagens nas quais Vorcaro sugeriu “quebrar todos os dentes” de Lauro Jardim. O texto também menciona invasões da “turma” de Vorcaro a sistemas e golpes digitais para obtenção de informações privilegiadas.
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a 3ª fase da Operação Compliance Zero para prender preventivamente os empresários do Banco Master Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel na 4ª feira (4.mar.2026). A nova fase apura grupo responsável por monitorar e intimidar adversários de Vorcaro. Leia a íntegra da decisão, que atende a pedido da PF (Polícia Federal) (PDF – 384 kB).
Segundo o despacho de Mendonça, a investigação do caso indica que Vorcaro emitia “ordens diretas” de atos de intimidação contra pessoas como “concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas” que prejudicariam os interesses do Master. O ministro também declarou que foram identificados registros de que o empresário teve “acesso prévio” às informações “relacionadas à realização de diligências investigativas”.
As mensagens indicam que o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, atuava como um mediador dos serviços do “núcleo de intimidação”, sendo responsável pelos pagamentos.
Foram presos preventivamente:
Também foi autorizada a busca e apreensão em 15 endereços ligados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais. Mendonça determinou o afastamento de funcionários em cargos públicos e o sequestro de bens no montante de até R$ 22 bilhões.
Na decisão que autorizou a 3ª fase da Operação Compliance Zero, Mendonça entendeu que há indícios de que o grupo contratado por Vorcaro para intimidar adversários teve acesso a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais como a Interpol.
O ministro decretou a prisão dos investigados por considerar que há risco à vida de possíveis vítimas dos ilícitos citados na investigação. Vorcaro foi transferido na manhã desta 5ª feira (5.mar.2026) para a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo. A transferência foi feita 1 dia depois da prisão do banqueiro na capital paulista….
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades” e “colaborou de forma transparente com as investigações desde o início”. Em nota, os advogados negam “categoricamente as alegações atribuídas” a Vorcaro e dizem confiar que “o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”, reiterando confiança “no devido processo legal e no funcionamento das instituições”.
Eis a íntegra da nota:
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.
“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.
“Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.”
Até a publicação desta reportagem, os advogados de defesa dos outros alvos da operação não haviam se manifestado sobre os fatos imputados a eles pela Polícia Federal. O Poder360 atualizará a reportagem quando receber as manifestações.





