O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia depois que a autoridade monetária anunciou o início de um procedimento de resolução para o banco digital ueno. A medida foi tomada após a detecção de um déficit no índice de solvência da instituição.

Carvallo afirmou que continuará no cargo enquanto os procedimentos relacionados ao banco forem conduzidos. Segundo ele, o afastamento ajudará a reduzir a controvérsia em torno do banco central e permitirá que a instituição e a Superintendência de Bancos trabalhem sem a interferência de disputas políticas e midiáticas.

A decisão ocorre em meio à pressão sobre a forma como o Banco Central supervisionou o ueno e sobre as ligações políticas atribuídas à instituição. Carvallo comandou o banco digital até agosto de 2023.

Clientes aguardam acesso aos recursos

Agências fechadas do ueno receberam clientes preocupados com o futuro da instituição. Entre eles estavam aposentados que recebem pagamentos por meio do banco. Clientes se reuniram do lado de fora das unidades e cobraram acesso ao dinheiro depositado.

O ueno, controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, tem cerca de 3 milhões de clientes e administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai. O banco cresceu rapidamente, em trajetória comparada à de plataformas digitais como Monzo e Nubank.

Nos últimos meses, a instituição passou a ser alvo de escrutínio regulatório por supostas concessões excessivas de crédito a empresas ligadas ao Grupo Vázquez. O episódio afetou a percepção de investidores e pressionou títulos em dólares do banco com vencimento em 2031, além de títulos soberanos paraguaios. O grupo e o ueno não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Investigação e garantia aos depositantes

O Ministério Público do Paraguai solicitou a abertura de uma investigação criminal sobre os acontecimentos envolvendo o banco. O pedido não indica, por si só, responsabilidade criminal dos envolvidos.

O Banco Central informou que a Superintendência de Bancos designou interventores para verificar a situação patrimonial da instituição. A autoridade afirmou que o procedimento busca proteger os depositantes e preservar a estabilidade financeira, classificando o caso como isolado e sem indicação de problemas mais amplos no sistema.

De acordo com o banco central, os depósitos terão cobertura de até 75 salários mínimos, o equivalente a cerca de US$ 39 mil, conforme a legislação de garantia de depósitos. O pagamento aos aposentados também foi considerado garantido.

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