• Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Praga avança no México, fecha fronteira e pode gerar prejuízo de US$ 1,8 bilhão a carne bovina dos EUA

Surto da chamada “bicheira do Novo Mundo” já soma mais de 13 mil casos no México, mantém a fronteira com os Estados Unidos fechada para o gado vivo e pode gerar prejuízo estimado em US$ 1,8 bilhão apenas no Texas, segundo autoridades americanas.

Surto da chamada “bicheira do Novo Mundo” já soma mais de 13 mil casos no México, mantém a fronteira com os Estados Unidos fechada para o gado vivo e pode gerar prejuízo estimado em US$ 1,8 bilhão apenas no Texas, segundo autoridades americanas. O avanço de uma praga altamente destrutiva na pecuária mexicana voltou a acender o alerta máximo na cadeia da carne bovina da América do Norte. Autoridades do México confirmaram, no início de janeiro, um novo foco da chamada bicheira do Novo Mundo, parasita transmitido por moscas-varejeiras que depositam ovos em feridas abertas de animais. O registro mais recente ocorreu em uma cabra no Estado do México, região que faz divisa com a capital do país, reforçando o temor de expansão da doença para áreas ainda mais sensíveis do ponto de vista sanitário e logístico. Este foi o segundo caso confirmado em apenas dois dias, enquanto o país intensifica medidas de contenção para tentar controlar um surto que já impacta diretamente o comércio internacional de gado e carne. Desde maio, a fronteira entre Estados Unidos e México permanece praticamente fechada para a entrada de gado mexicano, uma decisão preventiva adotada pelos americanos para evitar a disseminação do parasita em seu território.
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    O que é a bicheira do Novo Mundo e por que ela preocupa tanto A bicheira do Novo Mundo é causada por moscas-varejeiras cujas fêmeas depositam ovos em feridas abertas de bovinos, caprinos e outros animais. As larvas passam a se alimentar de tecido vivo, provocando lesões graves que, se não tratadas rapidamente, podem levar o animal à morte. Em situações mais raras, a praga também pode atingir aves e até seres humanos, o que amplia o grau de preocupação das autoridades sanitárias . window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});No caso mais recente, o animal infectado foi tratado e os outros 20 animais que estavam no mesmo local testaram negativo, recebendo tratamento preventivo. Situação semelhante havia sido registrada dias antes, em um bezerro de apenas seis dias de vida no estado de Tamaulipas, no norte do México, reforçando o caráter pontual, porém persistente, dos focos da doença . Mais de 13 mil casos e avanço regional da praga Os números oficiais mostram que o problema está longe de ser pontual. Desde novembro de 2024, o México já contabiliza 13.106 casos da praga, sendo que 671 ainda permaneciam ativos até 31 de dezembro de 2025. O estado de Chiapas lidera as ocorrências, seguido por Oaxaca, Veracruz e Yucatán — regiões estratégicas para a produção pecuária do país . De acordo com autoridades sanitárias, o surto teve origem na América Central e avançou gradualmente para o norte, afetando não apenas o México, mas também as cadeias pecuária e de carne bovina dos Estados Unidos. Esse movimento explica a decisão americana de manter a fronteira fechada e reforçar a vigilância sanitária, mesmo com impactos econômicos relevantes para ambos os lados . Impacto direto nos Estados Unidos: carne mais cara e menos oferta Embora o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) afirme que o parasita ainda não cruzou a fronteira, o risco econômico já é concreto. Estimativas indicam que os prejuízos podem chegar a US$ 1,8 bilhão para a economia do Texas, estado que tradicionalmente importa gado mexicano para engorda em confinamentos antes do abate em frigoríficos americanos . A suspensão das importações de gado mexicano ocorre em um momento particularmente delicado para o mercado norte-americano. Os preços da carne bovina seguem em forte alta. Entre janeiro e julho, o valor da carne moída — base da indústria de hambúrgueres — subiu 15,3%, atingindo US$ 6,34 por libra, o equivalente a cerca de R$ 75 por quilo. No acumulado de dois anos, a alta chega a 23%, segundo dados oficiais do Bureau of Labor Statistics (BLS) . Rebanho em queda histórica e pressão adicional sobre os preços A crise sanitária se soma a um cenário estrutural de redução do rebanho bovino nos Estados Unidos. Desde 2019, o número de gado de corte caiu 13%, chegando a 27,9 milhões de cabeças, enquanto o inventário total de bovinos atingiu o menor nível desde 1952, de acordo com o USDA. Em 2021, o país contava com 92,6 milhões de cabeças; hoje, esse número está em 86,6 milhões . No levantamento mais recente, o USDA estimou uma produção de 25,9 bilhões de libras de carne bovina em 2026, uma revisão para baixo de 4% em relação à previsão anterior, reflexo direto da menor oferta de animais, da seca persistente no oeste do país e do aumento dos custos de produção . Um problema sanitário com efeitos geopolíticos Além do impacto econômico, o avanço da bicheira do Novo Mundo cria um desafio político adicional para o governo dos Estados Unidos, que tenta conter a inflação dos alimentos em meio à redução da oferta interna e a restrições comerciais, como a tarifa de 50% aplicada à carne brasileira em 2025. Com menos gado disponível, custos maiores de ração e a fronteira sul fechada, o controle dos preços da carne se torna ainda mais complexo . Tradicionalmente, o gado mexicano desempenhava papel estratégico no abastecimento americano, sendo importado para engorda e posterior abate. Com essa oferta cortada, os efeitos da praga ultrapassam a esfera sanitária e passam a influenciar diretamente o mercado, o consumidor e as políticas públicas, evidenciando como um problema zoossanitário regional pode gerar repercussões bilionárias em toda a cadeia global da carne bovina.
    Por: Redação

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