• Quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

População de javalis atinge quase 20 milhões de animais na Europa e acende alerta sanitário

Novo mapa europeu revela avanço acelerado da espécie, com quase 20 milhões de animais no continente; Portugal já se aproxima de 400 mil javalis e enfrenta áreas de densidade extrema

Novo mapa europeu revela avanço acelerado da espécie, com quase 20 milhões de animais no continente; Portugal já se aproxima de 400 mil javalis e enfrenta áreas de densidade extrema O crescimento da população de javalis na Europa deixou de ser um fenômeno localizado e passou a ser tratado como um problema estrutural de saúde animal, impacto econômico e gestão ambiental. Dados consolidados pelo primeiro mapa europeu de alta resolução sobre densidade populacional de javalis selvagens indicam que, antes do último grande surto de peste suína africana (PSA), o número total desses animais no continente oscilava entre 13,5 milhões e 19,6 milhões de exemplares, um patamar considerado historicamente elevado . O levantamento, coordenado pelo consórcio europeu ENETWILD em parceria com o Observatório Europeu da Fauna Selvagem (EOW), representa um marco na zoologia e na gestão da vida selvagem, ao oferecer dados comparáveis entre países, algo que até então não existia de forma padronizada.
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    Portugal se aproxima de 400 mil javalis Dentro desse cenário continental, Portugal chama atenção pela rápida expansão da espécie. As estimativas mais recentes apontam que o país abriga entre 395.600 e 398.800 javalis, com maior concentração no interior centro do território continental, região onde a pressão sobre áreas agrícolas e florestais tem sido mais intensa . window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Os dados mostram uma tendência de crescimento contínuo, sustentada também pelos registros da atividade cinegética. Mesmo com o aumento expressivo da caça, o número de animais abatidos por ano não tem sido suficiente para conter a expansão populacional. Na Europa como um todo, os abates passaram de cerca de 2,2 milhões de javalis por ano em 2010 para quase 4 milhões nos anos mais recentes, em uma estimativa considerada conservadora pelos especialistas . Península Ibérica concentra áreas de densidade extrema O novo mapa europeu identifica a Península Ibérica como uma das regiões mais críticas, com várias áreas classificadas como de “densidade populacional extrema”. Um dos principais focos de preocupação é o chamado corredor mediterrânico, que se estende do sul da França, atravessa a Catalunha e alcança o sudeste da Espanha . Nesse eixo geográfico, ocorre uma combinação considerada perigosa pelos pesquisadores:
    alta densidade de javalis, grandes explorações suinícolas e infraestruturas logísticas intensas, o que amplia significativamente o risco de transmissão de doenças entre animais silvestres e rebanhos domésticos. Risco sanitário: peste suína africana no centro do debate O avanço descontrolado da população de javalis é apontado como um dos principais vetores de disseminação da peste suína africana (PSA) na Europa. A doença, altamente contagiosa e sem vacina eficaz, representa ameaça direta à suinocultura, com potencial de provocar prejuízos bilionários, restrições ao comércio internacional e impactos severos nas economias rurais . Segundo os autores do estudo, conhecer a densidade real da população permite avaliar com mais precisão como o vírus se mantém e se propaga no ambiente natural, tornando-se uma ferramenta estratégica para políticas sanitárias e de contenção da doença . Mapa de alta resolução muda a forma de gestão da espécie Uma das principais inovações do projeto europeu foi o uso de uma malha de 2×2 quilômetros, capaz de identificar com precisão as zonas de maior concentração de javalis. Até então, cada país utilizava metodologias próprias, o que dificultava comparações e decisões conjuntas . O modelo desenvolvido foi aprovado pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e já é considerado um divisor de águas na gestão de grandes mamíferos na Europa. Em países como a Espanha, os dados do mapa foram combinados com câmaras fotográficas de monitoramento e estatísticas de caça para avaliar se a pressão cinegética é suficiente para conter o crescimento populacional . Um desafio que não respeita fronteiras Classificado como o segundo ungulado mais disseminado da Europa, atrás apenas do corço, o javali demonstra grande capacidade de adaptação, ocupando desde florestas e zonas agrícolas até regiões de altitude com invernos rigorosos . Para os especialistas, o estudo deixa claro que o problema ultrapassa fronteiras nacionais e exige cooperação científica, troca de dados e políticas coordenadas. Sem isso, o crescimento acelerado da espécie continuará a pressionar a agricultura, a pecuária, a segurança sanitária e a economia rural em diferentes regiões do continente. O novo mapa europeu, portanto, não apenas revela a dimensão do problema, mas também estabelece as bases para decisões mais eficazes, baseadas em ciência, monitoramento contínuo e ações integradas em escala continental. Javalis pelo mundo: Alerta e paralelo com o Brasil O avanço descontrolado da população de javalis na Europa serve como alerta direto para o Brasil, onde o animal é classificado como espécie exótica invasora e já provoca impactos significativos. Em território brasileiro, o javali causa prejuízos milionários à agropecuária, com destruição de lavouras de milho, soja, cana-de-açúcar e pastagens, além de ataques a cordeiros, bezerros recém-nascidos e aves. O risco sanitário também é elevado: o animal é vetor potencial de doenças como febre aftosa, brucelose, tuberculose bovina e, sobretudo, a peste suína africana, considerada a maior ameaça à suinocultura nacional. Assim como ocorre na Europa, a alta capacidade reprodutiva, a adaptação a diferentes biomas e a ausência de predadores naturais favorecem a expansão acelerada da espécie no Brasil, pressionando produtores rurais, órgãos ambientais e autoridades sanitárias, e reforçando a necessidade de controle rigoroso, monitoramento permanente e políticas públicas integradas antes que o país enfrente um cenário semelhante ao europeu, marcado por densidade extrema e perda de controle populacional.
    Por: Redação

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