• Terça-feira, 3 de março de 2026

Ondas de calor já triplicaram impacto na agricultura e exigem irrigação como estratégia de adaptação

Pesquisadores alertam: ondas de calor podem reduzir a produtividade em até 42%. Descubra como o manejo hídrico e a irrigação protegem sua safra do calor extremo.

Pesquisadores alertam para perdas de até 42% na produtividade e defendem manejo hídrico como ferramenta essencial diante do novo cenário climático As ondas de calor estão mais frequentes, mais longas e mais intensas no Brasil e os reflexos no campo já são mensuráveis. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o número médio de dias com ondas de calor no país saltou de 7, no período de 1961 a 1990, para 52 dias entre 2011 e 2020. O fenômeno atinge com maior intensidade o Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, regiões que concentram as principais áreas agrícolas do país. A meteorologia define onda de calor como um período prolongado de temperaturas anormalmente elevadas, que pode durar dias ou semanas e atingir grandes áreas. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) descreve o fenômeno como o aquecimento acentuado do ar em uma região. No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) considera o evento quando as temperaturas máximas superam em pelo menos 5 °C a média histórica por cinco dias consecutivos.
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    Segundo o professor Derblai Casaroli, doutor em Agronomia pela ESALQ/USP e docente da Universidade Federal de Goiás (UFG), não há uma definição única e universal. “O que é extremo em uma localidade pode ser normal em outra. Por isso, muitos países adotam critérios regionais. Atualmente, utilizam-se também índices baseados em percentis, como o CTX90pct e o CTN90pct, que identificam o evento quando as temperaturas ultrapassam o percentil 90 dos registros históricos por ao menos três dias consecutivos, método mais adequado diante das mudanças climáticas”, explica. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});O impacto agronômico é significativo. O calor extremo, especialmente quando associado ao déficit hídrico, pode provocar reduções de produtividade de 22% no feijão, 42% no arroz, 34% no trigo e 18% na mandioca. “O calor excessivo atua como um estressor fisiológico, reduzindo o período de enchimento de grãos, alterando processos celulares e comprometendo o balanço energético das plantas. Quando associado à falta de água, o impacto é ainda mais severo, pois os efeitos se somam, resultando em perdas superiores às causadas por cada fator isoladamente”, destaca Casaroli. A análise integra a pesquisa “Ondas de calor e a agricultura irrigada”, conduzida por Casaroli em parceria com o engenheiro agrônomo José Alves Júnior, doutor em Irrigação e Drenagem pela ESALQ/USP. Para os pesquisadores, o avanço dos extremos climáticos representa uma mudança estrutural no padrão agrícola brasileiro. “ A irrigação precisa ser vista como estratégia de adaptação, não apenas como ferramenta de incremento de produtividade“, afirma José Alves Júnior. Levantamentos citados no estudo indicam que áreas irrigadas podem alcançar ganhos de até 65% em relação ao sequeiro sob calor extremo. “O manejo hídrico adequado pode reduzir a temperatura do dossel entre 1 °C e 3 °C e elevar a fotossíntese em até 20%. Ao manter o solo com níveis adequados de umidade, o sistema favorece a absorção de nutrientes e a estabilidade fisiológica das plantas, especialmente nas fases reprodutivas, mais sensíveis às altas temperaturas”, completa José Alves. Da pesquisa à tecnologia no campo Estudos como esse são fundamentais para empresas como a fabricante de pivôs centrais Valley, marca da Valmont Industries, no aprimoramento ou desenvolvimento de soluções voltadas à tomada de decisão em cenários climáticos cada vez mais desafiadores. Um exemplo é o Scheduling, ferramenta de manejo baseada em modelo climático refinado que funciona como um centro de comando do manejo hídrico. Desenvolvido no Brasil e hoje adotado globalmente pela Valmont, o modelo calcula diariamente a necessidade hídrica da cultura considerando solo, clima e estádio de desenvolvimento. “O Scheduling, antes Irriger, nasceu dentro de uma Universidade. Valorizamos o trabalho dos pesquisadores, pois é a partir desses estudos que aprimoramos ferramentas que facilitam a tomada de decisão no campo”, explica Sandro Rodrigues, gerente comercial e líder do Departamento Agronômico da Valley. A ferramenta foi calibrada com duas décadas de dados e adaptada para mais de 80 culturas brasileiras. “É como uma balança hídrica automatizada: sabemos o que entrou e o que saiu. A partir disso, o sistema indica exatamente o que fazer“, finaliza Sandro. VEJA MAIS:
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  • ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
    Por: Redação

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