Mais que desconforto: moscas nos olhos colocam a saúde dos cavalos em riscoO que pode ocorrer daqui para frente com as exportações de carne bovina do Brasil diante da salvaguarda imposta pela China? A salvaguarda é uma medida usada quando um país alega que sua indústria está sendo fragilizada pela competição internacional. O que chama atenção, porém, é que a China anunciou cotas específicas por país, algo que não é uma prática usual em salvaguardas. No caso do Brasil, isso cria um limite claro às exportações brasileiras, restritas à cota definida. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Com a decisão da China, como fica a taxação para embarcar carne brasileira para lá? A tarifa extra-cota ficou proibitiva. Antes, a tarifa era de 12%. Agora, será adicionada uma tarifa de 55%, levando a taxação total para 67%. Isso praticamente inviabiliza exportações fora da cota de 1,106 milhão de toneladas. Quem ficar fora desse volume, não consegue exportar. Quais seriam, então, as alternativas para o Brasil nesse novo cenário? O primeiro ponto é tentar ampliar a cota. A China impôs um volume cerca de 30% abaixo do volume efetivo exportado pelo Brasil. Além disso, é importante tentar o remanejamento de cotas não utilizadas por outros países, como Argentina, Uruguai e Estados Unidos, que não usam integralmente seus volumes autorizados. Mas aumentar a cota não contraria a estratégia da China de limitar as importações? O consumo de carne bovina na China cresce desde a crise da peste suína. O consumo per capita ainda é baixo, cerca de 7 quilos por habitante ao ano, contra 24 quilos no Brasil. Um corte tão forte pode gerar aumento de preços e inflação. A China poderia ter usado como referência o volume atual exportado pelo Brasil. Não pode haver substituição de proteínas dentro da China? A China já é o maior produtor e consumidor de carne suína do mundo. A carne bovina atende um segmento específico, de renda mais alta, que busca proteína vermelha de maior valor agregado. A indústria chinesa é menos competitiva em quantidade e qualidade, o que reforça o impacto da medida. Essa medida pode trazer consequências internas para a própria China? Sim. As importações representam cerca de 30% do consumo chinês. Ao restringir demais, pode haver impacto em preços e efeito inflacionário. Para o Brasil, o impacto é enorme: mais de 50% das exportações de carne bovina vão para a China, sendo o segundo maior setor exportador, atrás apenas do complexo soja. A postura da China surpreende do ponto de vista comercial? Sim. A China vinha se posicionando como defensora das regras internacionais de comércio, mas agora adota uma salvaguarda agressiva, semelhante às práticas dos Estados Unidos, o que soa muito mal diante do discurso de parceria estratégica. O Brasil deveria cobrar essa relação de confiança mútua? Sem dúvida. O Brasil é parceiro estratégico da China. O governo brasileiro deve questionar a medida, buscar remanejamento de cotas e reforçar que cotas não utilizadas podem ser redistribuídas dentro do mesmo período. Existe espaço para questionar essa salvaguarda na OMC? É essencial verificar se a salvaguarda está de acordo com as regras da OMC, já que a China criou um sistema discricionário, com volumes e tarifas arbitrárias, algo que merece contestação. Mesmo com a OMC enfraquecida, isso seria viável? A OMC está enfraquecida, mas seria estranho a China agir fora das regras que ela própria defende. O caminho é avaliar a legalidade, o impacto econômico e trabalhar pelo remanejamento de cotas, que deve ser a linha de atuação do Brasil. VEJA MAIS:
Marcos Jank: China exagerou na dose na salvaguarda à carne bovina do Brasil
China impõe salvaguarda à carne bovina com tarifa de 67% e cota menor ao Brasil. Especialista alerta para impactos, inflação e reação via OMC.
China impõe salvaguarda à carne bovina com tarifa de 67% e cota menor ao Brasil. Especialista alerta para impactos, inflação e reação via OMC. A decisão da China, de adotar uma salvaguarda às importações de carne bovina, com cotas e tarifa adicional de 55% sobre os 12% já em vigor, deve trazer impactos relevantes para o Brasil, principal fornecedor da proteína ao mercado chinês, avalia o coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank, em entrevista. Para ele, a medida, que impôs uma cota de 1,1 milhão de toneladas ao Brasil em 2026 – bem abaixo das exportações deste ano, que podem alcançar até 1,7 milhão de toneladas –, “foi excessiva” e pode causar distorções internas na China, sobretudo inflação. Abre espaço, ainda, para uma reação diplomática e comercial do Brasil, inclusive com possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar as salvaguardas. Segundo Jank, a estratégia do Brasil a partir de agora deve ser, além da OMC, trabalhar para ampliar a cota e buscar o remanejamento de volumes não utilizados por outros países exportadores. A seguir, os principais trechos da entrevista: Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
Comprar ou arrendar? Como se comportou o preço do hectare em 2025 e as projeções para 2026 Indonésia está soltando milhões de peixes em arrozais para controle de pragas ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Por: Redação





