O Grupo Berlanda celebra nesta segunda-feira (01) 35 anos de atividades. Fundado em Curitibanos em 1991 pelo empreendedor e político Nilso Berlanda, o grupo tem como protagonista a rede de lojas Berlanda, com mais de 200 unidades em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mas, além disso, na trajetória incluiu novos negócios como indústrias de móveis, posto de combustível e até uma fábrica de chope, que atua com a marca Berlanda. São essas empresas que integram o grupo que deve fechar 2026 com faturamento do primeiro R$ 1 bilhão, antecipa o fundador.
Para o empresário, um dos momentos mais difíceis da trajetória aconteceu recentemente, com o inesperado falecimento do irmão Wanderlei Berlanda, que foi o incentivador do negócio. Ele destaca que o fato é recente, no dia 04 serão apenas dois meses da partida do irmão.
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Mas o irmão foi que o incentivou a se tornar lojista e sempre foi um grande incentivador de negócios. Então, ele diz que o grupo segue com planos e que essa celebração de 35 anos da empresa é especial. Os investimentos neste ano em novas lojas, reformas e fortalecimento de outros negócios vão somar cerca de R$ 100 milhões. Saiba mais na entrevista exclusiva de Nilso Berlanda a seguir:
Como a Berlanda chega aos 35 anos de história, na sua avaliação?
– Eu fico até um pouco emocionado ao falar disso. Começamos essa empresa há 35 anos e sempre gosto de contar essa história. Tudo começou com uma pequena loja de 80 metros quadrados, na cidade de Curitibanos. Foi naquela pequena loja que iniciei o negócio com o capital que eu tinha na época: um Chevette que vendi para investir. Começamos atendendo o primeiro cliente e realizando a primeira venda.
Eu lembro da emoção daquele momento e até hoje guardo uma cópia da primeira nota fiscal emitida, a nota nº 0001, referente à venda de um refrigerador da marca Prosdócimo, que hoje já não existe mais e foi incorporada pela Electrolux. Daquela pequena loja e daquele primeiro atendimento, chegamos agora à oportunidade de comemorar 35 anos de história com mais de 200 unidades. Temos lojas em Santa Catarina e também no Rio Grande do Sul. A rede conta atualmente com mais de 200 lojas.
O Grupo Berlanda não atua só no varejo, mas também fabrica alguns produtos. Como é a atuação na indústria?
– Possuímos uma fábrica de colchões, que produz exclusivamente os colchões comercializados pela Berlanda. Não vendemos colchões de outras marcas. Também temos uma fábrica de móveis. Ambas estão localizadas em Curitibanos. Temos ainda uma terceira fábrica, bastante conhecida, instalada dentro do presídio de São Cristóvão do Sul, município vizinho a Curitibanos, a cerca de 16 quilômetros de distância.
Lá existem aproximadamente 1.800 homens privados de liberdade, e a empresa tem a oportunidade de gerar emprego para mais de 300 detentos. Nessa unidade são fabricados estofados, camas box e colchões mais simples. Construímos uma indústria própria, em um prédio da Berlanda, mas localizado dentro do complexo prisional. Esse projeto foi implantado em 2009 e, agora, em 2025, continua sendo uma referência.
A marca Berlanda também tem uma história familiar muito forte.
– Meu irmão, que infelizmente faleceu há cerca de 60 dias, iniciou suas atividades empresariais em Chapecó. Naquela época, compartilhávamos a mesma marca, Berlanda. Enquanto ele crescia no Oeste, eu expandia os negócios a partir de Curitibanos, principalmente em direção ao litoral. Chegou um momento em que precisávamos definir quem ficaria com a marca. Como eu era o irmão mais velho, adquiri os direitos sobre o nome Berlanda.
Meu irmão então criou uma nova marca, a Lojas Base. Posteriormente, ele vendeu sua rede para o Magazine Luiza. Depois disso, passou a investir em Florianópolis, atuando nas concessionárias Toyota e Honda. Como empresário, tornou-se uma referência não apenas na capital, mas em boa parte de Santa Catarina, especialmente após adquirir outras revendas Honda na região Meio-Oeste.
Esta será a primeira celebração da empresa sem a presença do seu irmão, que foi um parceiro de toda essa trajetória.
– Sem dúvida. Era uma pessoa que nós, como família e como irmãos, amávamos muito. No dia em que ele faleceu, eu estava com ele até as 11 horas da noite. Depois aconteceu tudo o que aconteceu. Esta será a primeira grande reunião da empresa sem a presença dele.
A comemoração dos 35 anos será realizada em 1º de junho (nesta segunda-feira), em um hotel-fazenda na cidade de Gaspar. Teremos a oportunidade de contar um pouco dessa trajetória para fornecedores, gerentes e gestores. Serão aproximadamente 500 pessoas reunidas. Para mim, é um momento muito especial e também bastante emocionante.
O senhor se tornou um empresário importante e isso acabou abrindo portas também na política?
– Depois dessa trajetória empresarial, me envolvi na política por meio da presidência da CDL. Lembro que o então governador Luiz Henrique da Silveira me convidou para assumir uma Secretaria Regional. Permaneci três anos no cargo. Posteriormente fui candidato a deputado estadual. Na primeira disputa não me elegi; na seguinte fiquei como suplente e, mais tarde, conquistei dois mandatos.
Eu sentia a necessidade de representar a indústria do varejo como uma liderança do setor. Até então, não havia na Assembleia Legislativa alguém que defendesse diretamente essa bandeira. Por isso, decidi me candidatar, fui eleito e hoje consigo conciliar as duas atividades. Continuo atuando na política e também coordenando a empresa, embora já tenha uma sucessão familiar bastante estruturada.
Meu filho, Leonardo Berlanda, tem 36 anos e é o diretor comercial. Minha filha, Aline Cristina Berlanda, que completou aniversário sexta-feira (29), 44 anos, coordena as áreas de propaganda e marketing. Minha esposa, Leoni Guaragni Berlanda, auxilia na gestão financeira da empresa e também faz parte de toda essa história. Dessa forma, sigo me dedicando ao varejo, à indústria e também à atividade parlamentar, representando o setor varejista na Assembleia Legislativa.
Então toda a família participa da gestão da empresa?
– Exatamente. Eu atuo como presidente do grupo. Meu filho é diretor comercial, minha filha cuida da comunicação e minha esposa responde pela área financeira. Hoje somos um grupo empresarial e contamos também com outros diretores em áreas específicas. Já profissionalizamos parte importante da gestão da empresa.
Quantas pessoas trabalham atualmente na empresa?
– Hoje geramos cerca de 1.700 empregos diretos no varejo. Nossas lojas não são grandes, mas estão espalhadas por muitas cidades. Além disso, temos as duas indústrias, a fábrica de colchões e a fábrica de móveis, com aproximadamente 100 funcionários em cada uma, totalizando mais 200 colaboradores.
E na unidade para detentos, quantos trabalham?
– Temos cerca de 300 detentos atuando na produção. É uma unidade na mesma área do presídio. Eles recebem salário-mínimo e podem ser considerados colaboradores da empresa. Também contamos com serviços terceirizados, como as zeladoras, já que cada loja possui uma profissional responsável pela limpeza. Considerando todos os envolvidos, falamos de uma movimentação direta de aproximadamente 2.500 pessoas ligadas às atividades da Berlanda. Isso mostra o quanto uma atividade econômica pode impactar a vida das pessoas e o desenvolvimento das comunidades onde está presente.
Este ano vocês vão investir em novas lojas?
– Sim. Inclusive, eu comentava isso em uma reunião ontem. Fizemos um levantamento básico dos investimentos que estamos realizando. A empresa possui muitas lojas em prédios próprios e, dentro das nossas possibilidades, seguimos expandindo. Estamos construindo uma nova loja em Curitibanos, outra em Capinzal e mais uma em Lages, no bairro Guarujá. Com essa unidade, passaremos a ter quatro filiais em Lages.
Também ampliamos a fábrica de colchões em mais 3.500 metros quadrados neste ano. Posso dizer com tranquilidade que a empresa segue investindo fortemente. Nossa meta é encerrar o ano atingindo o primeiro bilhão de reais em faturamento. Como atuamos majoritariamente em cidades do interior, trata-se de um resultado muito significativo para nós.
Para alcançar esse objetivo, estamos investindo aproximadamente R$ 100 milhões em novos prédios, novas lojas e melhorias estruturais. São investimentos que seguirão até dezembro. Também temos diversas unidades sendo inauguradas, reinauguradas, ampliadas ou transferidas para novos pontos comerciais. É um movimento constante de modernização e expansão.
Quanto o resultado esperado para este ano vai representar de crescimento em relação ao ano passado?
– Esses números serão divulgados oficialmente na segunda-feira, mas o crescimento está em torno de 7,98%. E estou falando do grupo como um todo. Além do varejo, temos um grande posto de combustíveis em Curitibanos, as indústrias e outros negócios. O varejo, por si só, gera uma margem menor, mas o Grupo Berlanda, no conjunto de suas operações, está crescendo próximo de 8%.
Então é o Grupo Berlanda que deve faturar R$ 1 bilhão?
– Exatamente. Nesse valor estão incluídos as fábricas, o varejo e os demais negócios. Temos até uma fábrica de chope em Curitibanos. Foi um investimento que surgiu como oportunidade, porque o imóvel já pertencia à empresa. O negócio apareceu e decidimos adquiri-lo.
Alguém criou a fábrica, desenvolveu o negócio e, quando surgiu a oportunidade de compra, adquirimos. Faz parte da dinâmica empresarial: aproveitar boas oportunidades. A marca é Beer Berlanda.
Ao longo desses 35 anos, qual foi o momento mais difícil e qual foi o mais especial da trajetória do grupo?
– Tivemos momentos difíceis. Em 2015 enfrentamos uma situação bastante complicada. Depois veio a pandemia, que trouxe uma enorme preocupação para manter a empresa funcionando. Em determinado momento, precisávamos até fechar algumas unidades. Mas, sem dúvida, o momento atual é muito especial. Estamos comemorando 35 anos de história.
Claro que existe a tristeza pela perda do meu irmão (em abril). No dia 4, completarão 60 dias desde o seu falecimento. Foi um momento muito difícil para toda a família e faz parte dessa trajetória. Por outro lado, aos 65 anos, poder acompanhar a empresa chegando aos 35 anos de existência e celebrar essa data ao lado dos colaboradores é motivo de grande orgulho.
Dentro das nossas limitações, considero que a empresa teve uma evolução muito positiva ao longo dessas três décadas e meia. Alcançar o patamar em que estamos hoje é uma conquista importante. É evidente que existem empresas de outros segmentos que crescem mais rapidamente, mas, dentro do nosso setor, em número de lojas, acredito que podemos dizer que somos a maior rede varejista de Santa Catarina. Em faturamento, naturalmente, existem concorrentes que registram números superiores. De qualquer forma, este é um momento muito especial para nós. São 35 anos de história, trabalho e crescimento.
A concorrência é bastante forte no setor, mas a Berlanda continua apresentando bons resultados. Um diferencial são as cidades menores?
– Sim. Um dos diferenciais foi a decisão de criar uma fábrica própria de móveis. Hoje, aproximadamente 40% dos produtos que vendemos são fabricados por nós. Produzimos toda a linha de estofados, colchões e uma grande variedade de móveis. Isso nos dá uma vantagem competitiva importante. A concorrência é intensa.
Temos empresas do Paraná e do Rio Grande do Sul atuando em Santa Catarina, além de redes catarinenses muito fortes. Mas existe outro aspecto importante: conhecemos bem o interior do estado. Cidades como Ascurra, Apiúna, Aurora e Agronômica têm entre cinco e sete mil habitantes. A Berlanda está presente nesses municípios porque entendemos que o consumo também existe no interior.
O que ajuda a manter uma loja em uma cidade pequena do interior?
– Temos uma financeira própria e financiamos as operações das lojas. Gostamos de trabalhar com vendas a prazo, o que também contribui para os resultados financeiros do grupo. No interior existe uma característica muito positiva: o cliente costuma ser mais fiel e apresenta bons índices de pagamento. Os gerentes conhecem as pessoas e conseguem avaliar melhor cada operação.
Isso não significa que as cidades maiores não sejam importantes, mas o interior sempre foi um mercado muito relevante para nós. Em Florianópolis temos uma loja no bairro Rio Tavares. Já em Joinville ainda não iniciamos operações, mas pretendemos entrar no momento adequado, possivelmente inaugurando várias unidades simultaneamente.
Atualmente temos quatro lojas em Blumenau, quatro em Chapecó, quatro em Lages e presença em cidades importantes como Jaraguá do Sul, Brusque, São Miguel do Oeste e Concórdia. Hoje, praticamente, só não estamos presentes de forma mais significativa na capital e em Joinville. Tivemos lojas na Barra da Lagoa e nos Ingleses, mas encerramos essas operações por questões específicas de mercado e de localização. Nosso objetivo continua sendo ampliar a presença em Florianópolis e entrar de maneira mais forte em Joinville. Esse é um projeto para o futuro próximo.
Como funcionam as vendas virtuais da Berlanda?
– O comércio virtual cresce a cada dia. Já chegamos a ter um volume de vendas próximo de 20% do faturamento total, mas percebemos que esse modelo não gerava os resultados esperados. A venda virtual costuma proporcionar uma margem menor do que a venda realizada nas lojas físicas. Em determinado momento, encerramos algumas parcerias que mantínhamos com grandes marketplaces.
Trabalhamos, por exemplo, com plataformas em que terceiros realizavam a venda e nós fazíamos a entrega dos produtos. No entanto, as comissões cobradas eram muito elevadas e a operação deixava de ser vantajosa.
Hoje, concentramos nossas vendas nos produtos que fabricamos e comercializamos diretamente. O e-commerce continua sendo uma operação importante e gera bons resultados, mas temos uma política muito clara: não participamos de guerras de preços. Não procuramos acompanhar práticas adotadas por plataformas como Mercado Livre, Shopee ou Amazon quando isso significa reduzir excessivamente as margens. Preferimos vender menos, mas com rentabilidade. Essa é a filosofia da empresa.
E quais são os planos para o futuro, além da expansão prevista para este ano e da meta de alcançar R$ 1 bilhão em faturamento?
– Como mencionei anteriormente, temos o objetivo de ampliar nossa presença em cidades estratégicas, especialmente Joinville e Florianópolis. Pretendemos entrar em Joinville com três ou quatro unidades e continuar expandindo nossa atuação em outras regiões do estado.
Inclusive, acabei de retornar do Sul de Santa Catarina, onde existe a possibilidade, ainda em fase de negociação, de abrirmos uma unidade em Braço do Norte, uma cidade importante da região e que ainda não conta com uma loja Berlanda. Também existem outros municípios em avaliação.
Meu grande sonho como empresário é ter uma loja Berlanda em cada município catarinense. Muitas pessoas perguntam se vale a pena manter uma filial em cidades pequenas. Vou citar como exemplo Timbó Grande, na Serra Catarinense. É uma cidade de pequeno porte, mas a nossa loja lá apresenta excelentes resultados. Temos uma unidade em Timbó Grande que vende entre R$ 300 mil e R$ 350 mil por mês. Quando fazemos a análise final, percebemos que ela gera resultados tão bons ou até melhores do que algumas lojas instaladas em cidades maiores.
Para estar presente em todos os municípios catarinenses, provavelmente precisaríamos atingir algo entre 330 e 340 lojas. Eu gosto muito de trabalhar em cidades pequenas. Inclusive, muitos prefeitos entram em contato comigo e perguntam quando a Berlanda chegará aos seus municípios. Eu sempre respondo que, no momento certo e na hora certa, estaremos lá. Esse é um dos meus grandes sonhos empresariais.
Trabalhei no BESC por 11 anos. Naquela época, o banco tinha uma agência em cada município catarinense. Talvez seja daí que venha esse sonho de ter uma loja Berlanda em cada cidade de Santa Catarina.
Quais fatores mais colaboram para o êxito da rede Berlanda?
– O sucesso da empresa é resultado do trabalho coletivo. Esse mérito pertence à minha esposa, Leoni, aos meus filhos, aos diretores e a todos os colaboradores que fazem parte da nossa história. Todos participam dos resultados da empresa. Temos programas de participação nos lucros e resultados (PPR) e, quando alcançamos resultados positivos, compartilhamos essas conquistas com a equipe. O sucesso do Grupo Berlanda é construído por pessoas, é uma conquista coletiva construída diariamente por todos que fazem parte dessa trajetória.





