A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), disse nesta 4ª feira (4.mar.2026) que a prisão do empresário Daniel Vorcaro expõe “a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo do Master”. A declaração foi publicada em vídeo nas redes sociais.
Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso em operação da Polícia Federal. A investigação apura um esquema de pagamento a ex-dirigentes da autoridade monetária para evitar fiscalizações na instituição. Segundo a PF, ex-diretores indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelo então chefe do BC, Roberto Campos Neto, teriam recebido recursos de Vorcaro.
Nenhum outro integrante do Executivo comentou o caso no mesmo dia. O Palácio do Planalto tem evitado se associar diretamente ao episódio. Em fevereiro, integrantes da Esplanada se referiam ao caso como um “abacaxi” herdado por Gabriel Galípolo, o atual presidente do BC. À época, Gleisi disse ao Poder360 que Vorcaro foi preso já sob a atual administração do banco, sem dirigir críticas a Campos Neto.
No vídeo desta 4ª (4.mar), Gleisi questionou: “Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes e Vorcaro enquanto era presidente do BC?”. A ministra citou Belline Santana, então chefe-adjunto do Desup (Departamento de Supervisão Bancária), e Paulo Sérgio Neves de Souza, que ocupava a chefia-adjunta do mesmo departamento. Ambos, segundo a investigação, teriam recebido valores para dificultar a atuação técnica sobre o banco.
Gleisi também relacionou o caso a aliados do ex-presidente. Disse que, enquanto Bolsonaro cedia o avião presidencial ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em agenda política, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zetel, comandava um grupo chamado “a turma”. De acordo com a apuração, o grupo organizava ataques a adversários e jornalistas.
“A turma da extrema direita de Bolsonaro e Nikolas ainda quer jogar esse escândalo no colo dos outros. Vocês não vão colar isso não”, declarou.
A CPI do Crime Organizado aprovou a convocação do ex-ministro da Economia Paulo Guedes (governo Bolsonaro) e do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Diferentemente do convite, a convocação impõe a obrigação de comparecimento.





