A decisão de Fernando Haddad (PT) de deixar o Ministério da Fazenda reorganiza o tabuleiro eleitoral no Estado –o ministro deve disputar o governo de São Paulo. Com isso, Márcio França (PSB) deve concorrer a uma das vagas para o Senado.
Para a Casa Alta já se movimentam Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede). São 3 ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para duas vagas.
França quer repetir o modelo de 2022. Naquele ciclo, ele disputou o Senado, Geraldo Alckmin (PSB) integrou a chapa presidencial como vice de Lula e Haddad concorreu ao governo paulista.
O cenário em 2026, porém, mudou. França ganhou projeção ao antagonizar João Doria (PSDB) na disputa pelo governo do Estado em 2018. Em 2023, deixou o Ministério de Portos e Aeroportos em uma reorganização na Esplanada. O ministério passou a ser comandado por Silvio Costa Filho (Republicanos), que disse atuar como “ponte” entre o governo federal e Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deve ser adversário de Haddad na corrida pelo governo de São Paulo.
O petista deve confirmar a candidatura apenas depois de montar a chapa, embora já admita que deixará a Fazenda. Ao falar com jornalistas na 3ª feira (10.mar.2026), Haddad afirmou que vai vai sair do governo na próxima. Segundo aliados, o ministro pretende usar as semanas seguintes para estruturar a campanha e negociar alianças no Estado.
Marina afirmou que sua decisão ainda está em aberto e depende de conversas com Alckmin, Haddad, Simone Tebet e Márcio França. A ministra diz ter apenas uma definição até agora: não pretende disputar vaga na Câmara dos Deputados.
Entre petistas e aliados da ministra, a avaliação é que uma candidatura ao Senado por São Paulo é certa. Marina também discute uma eventual troca de partido. A possibilidade de deixar a Rede e se filiar ao PT ou ao PSB é considerada.
De acordo com interlocutores, a definição também dependerá de conversas com o presidente Lula, o que ainda não ocorreu.
Tebet, por sua vez, é a que mais precisa trocar de legenda se quiser formar chapa com Haddad. O PSB é hoje o principal destino. A permanência no MDB ficou inviável pela proximidade do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), com Tarcísio.
Ministra do Planejamento, Tebet está no MDB há 29 anos e atribui ao presidente Lula a definição sobre seu futuro político. Ela deve deixar o governo até 30 de março para se dedicar à articulação. E tem que transferir o domicílio eleitoral até 4 de abril para concorrer por São Paulo.
A estratégia nacional do PT, porém, é de ampliar alianças para a eleição presidencial. Nesse cenário, Tebet é vista como o nome mais provável para o PSB, enquanto Marina tende a se aproximar do PT.
A estratégia considera que lançar duas candidatas ao Senado pelo mesmo partido reduziria o discurso de amplitude da coligação. A lógica também influencia a escolha do vice de Haddad, que deve recair sobre um nome com perfil mais ao centro.
A direção do partido conversa com o Centrão –como MDB, PP, União Brasil e PDT– para apoiar a candidatura à reeleição do presidente.
Com negociações ainda inconclusas, a esquerda corre o risco de chegar fragmentada à eleição.
O mais recente levantamento do Datafolha, divulgado no domingo (8.mar), mostra vantagem do governador Tarcísio de Freitas na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Em cenário de 1º turno com Haddad candidato, o governador paulista tem 44% das intenções de voto, ante 31% do petista.
O levantamento foi realizado de 3 a 5 de março de 2026, com 1.608 entrevistas em 71 municípios do Estado de São Paulo. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob os protocolos BR-06798/2026 e SP-04136/2026. Custou R$ 185.706,64 e foi pago com recursos próprios.
No Senado, a Pesquisa Real Time Big Data divulgada na 2ª feira (9.mar) mostra o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), com percentuais de intenção de voto que vão de 15% a 18%. É um patamar próximo ao de Marina e Tebet em cenários sem Haddad. Apesar disso, a ministra do Planejamento segue na liderança.
O levantamento foi realizado em 6 e 7 de março de 2026, com 2.000 entrevistas em todo o Estado de São Paulo. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Está registrado no TSE sob o protocolo SP-00705/2026. Custou R$ 80.000 e foi pago com recursos próprios.





